Mistérios da meia noite

10 set 2018

Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 10/09/2018

Não posso negar. Sempre tive muito medo de almas. Bastava ouvir falar nesse tipo de coisa, que meu corpo estremece.

No ano de 1960, por ocasião da campanha eleitoral para governador do Estado, disputada na Paraíba entre Pedro Moreno Gondim (PDC) e Janduhy Carneiro (PSD), fui convidado para ir a um comício na cidade de Sousa (PB). Veio um caminhão ao sítio Riachão para levar a turma daquela comunidade. O encarregado de arregimentar os habitantes do sítio era um quase sogro meu. Fomos à festa. Na volta, tive uma discussão forte com meu futuro sogro e ao chegar ao sítio, no retorno avisei que não ia dormir na casa dele. Ele pediu desculpas, mas não aceitei e resolvi ir embora para minha casa na Lagoa Redonda. Noite escura. Fui morrendo de medo. Era a primeira vez que viajava pela noite.

Não tinha mais o que fazer e iniciei a viagem. O medo aumentava e o corpo arrepiava. A distância era de uma légua até minha casa. Aí apareceu o primeiro assombro. Subi uma cerca e vi um bicho escuro se movimentando. A criatura deu um gemido e fez menção de correr à minha frente. O medo subiu. O animal parou quase próximo. Decifrei o ser, tirei os sapatos e prossegui a viagem. Logo mais, avistei outra dificuldade: uma pessoa toda vestida de branco, no meio da estrada. Tomei um pouco de coragem, me armei com um pedaço de pau e parti pra cima dele. Fechei os olhos e sacudi o pedaço de madeira no provável animal. Sabem bem o que era? Um pé de algodão todo florado.

Passei por um teste do medo nessa noite. Logo em seguida tive que passar por um riacho coberto por várias árvores de oiticica, a planta mais mal assombrada do Nordeste, por causa de suas folhas enormes e do barulho que emite quando o vento sopra e batem umas nas outras.

Para encerrar esse acontecimento aterrorizante, tive que chegar à minha casa caminhando de costas com enorme receio do que mais viria a me assombrar.

Vencido esse obstáculo, cheguei em casa sã e salvo. Mas essa noite assustadora, não esqueço jamais.

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