Nenhuma rua é sem saída

30 maio 2013

Nenhuma rua é sem saída
(*) Rinaldo Barros

“Quando todos pensam iguais, ninguém está pensando”. (Walter Lippman)

Quero começar com um pouco da sabedoria de uma civilização muito antiga que já experimentou dificuldades de toda ordem.

E todos sabem que “o chicote da necessidade faz as idéias galoparem”.

Quero lhes falar sobre uma metáfora da civilização judaica, a qual nos ajuda a compreender algo muito valioso.

Certa vez, um rabino observou de longe um trapezista que se equilibrava numa corda bamba.

Quando este encerrou suas atividades, foi interpelado pelo rabino: “Qual é o segredo para conseguir equilibrar-se?”

O equilibrista perguntou: “Para onde é que você acha que se deve olhar para encontrar equilíbrio?”

O rabino respondeu: “Com certeza não é nem para o chão nem para a corda”.

“Correto” completou o equilibrista, “devemos olhar sempre para os marcos no final da corda”.

Ou seja, o ato de pensar não pode estar comprometido com o imediatismo do próximo passo. Assegurar-se de que o próximo passo será correto ou errado é similar a olhar para a corda. Compromete-se assim a caminhada maior que deve estar sempre vinculada à meta estratégica, ao poste no final da corda.

Qualquer iniciante sabe que são os momentos de virada, quando permanecemos sem o referencial diante de nós, que representam os momentos-chave para a manutenção do equilíbrio e para que, a contento, possamos levar ao final o processo de escolha.

Atravessar a corda bamba do pensamento, sem cair por conta do próprio desequilíbrio, diz respeito ao questionamento dos interesses menores e imediatos, ao próximo passo na corda, por conta do objetivo maior de concluir com sucesso a travessia no trapézio do pensar.

Até porque, como diria o filósofo Pablo Capistrano, “o Estado, não é um animal doméstico. É uma fera selvagem, que tritura e devora, na mesma vala comum de miséria moral, aqueles que ousam aproximar-se de suas garras”.

Por outro lado, ainda bem que toda crise é uma benção, porque nos indica que temos que abandonar o cadáver de nossas desilusões e trocá-lo pela inquietante lufada de ar do imponderável.

A propósito, diga-se de passagem, qualquer cidadão (principalmente governantes e gestores) deve sempre saber justificar suas escolhas.

Compartilho, objetivamente, a perspectiva que antevejo para o futuro do Rio Grande do Norte, a partir das condições dadas nos dias atuais; com as ações que nascerão do planejamento conjunto das ações do governo estadual e do setor produtivo, previstas no Programa MAIS RN.

Prestem atenção a essa movimentação!

Estou convicto de que – na terra de Poti – são possíveis transformações dos serviços necessários (públicos/privados) para melhoria da qualidade da vida humana e para a garantia do aperfeiçoamento genético da vida animal e vegetal; serão construídas condições favoráveis à biodiversidade natural / suprimento e potabilidade da água; com a parceria das universidades, serão asseguradas evoluções tecnológicas no transporte, na logística, na saúde pública, na educação (sintonizada com o mundo do trabalho); tudo com a utilização de fontes de energia limpa – já disponíveis.

Ouso afirmar que, em que pese as inúmeras dificuldades do presente, esses condicionantes tornarão, no médio prazo, o Rio Grande do Norte parte integrante do mundo desenvolvido. Ouso igualmente recomendar a atual governadora para agir como se fora uma eterna aprendiz, com humildade, sabedoria e paciência: pensar grande para, no longo prazo, inscrever o seu nome na história, como Estadista.

Sem medo de ser feliz, porque feio mesmo é não lutar pelo sonho coletivo, pelo que se acredita ser o mais justo e o mais correto. E, sem dúvida nenhuma, o sonho não apenas não acabou, como está cada vez mais perto de se tornar vida.

Resumo da Ópera: como diz Gabriel, o Pensador: “nenhuma rua é sem saída quando se sabe olhar para trás”.

A hora é agora.

Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

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