NO TEMPO DA CASA DO ESTUDANTE EM JOÃO PESSOA/PB

30 mar 2017

Ignácio Tavares de Araújo

Qual foi o estudante pobre que não passou pela casa do estudante? Localizada na Rua da Areia, abrigava centenas de estudantes, – em larga escala do sertão paraibano – que vinham estudar em João Pessoa. Vivíamos em família, mas vez por outra havia estranhamentos por razões de somenos importância. Logo cedo tomávamos o café e pegávamos a poética ladeira da Borborema e seguíamos em direção ao Liceu Paraibano. Todo dia era a mesma coisa, mas aos sábados íamos visitar alguns parentes a fim de pegar um repasto de melhor qualidade.Com certa frequência aos domingos pela manhã fazíamos uma visita ao bar de dona Maria, depois de fazermos uma cota a fim de comprar uma meiota que servia de aperitivo para o raquítico almoço que nos esperava; O bar de dona Maria ficava por trás da Casa e era bastante frequentado.Numa ocasião assistimos ao estranhamento entre Zé doido – zelador da Casa – e um soldado de policia que era habitual fregues do local. Não sabíamos porque os dois de repente entraram em uma luta corporal e dona Maria aos gritos falava…..”Zé Doido o home ´é sordado….sorte o home Zé”…..Zé respondia….”é em cima da sorda que quero torar esse filho da puta”. Com muita peleja conseguimos apartar a briga e levar Zé Doido pra Casa do Estudante. Isso mesmo, a gente sofria, mas se divertia, principalmente com a turma do Vale do Piancó que se julgava os donos da Casa do Estudante, pelo fato de Wilson Braga, – ex-morador da Casa -, como deputado estadual consignar recursos no orçamento para manutenção da casa.Fiz boas amizades que as mantenho até os dias de hoje……A verdade é que sem a Casa do Estudante seria impossível os estudantes pobres das diversas regiões do estado estudar em João Pessoa onde se localizava os melhores colégios de segundo grau do estado, bem como as melhores faculdades. Valeu!

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