NOTAS SOBRE A VIDA, EDUCAÇÃO, APRENDIZAGEM E HUMANIDADE – Marina Isis Freire da Silva

21 nov 2017

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FORA DOS MUROS DA ESCOLA

E a você, caro leitor,

cito o grande poeta Belchior,

“sons, palavras são navalhas e eu não posso

cantar como convém,

sem querer ferir ninguém”.

Desculpe se te feri durante a leitura, mas sempre tenha em mente

que é saudável concordar em discordar.

No mais, boa leitura e reflexão.

Marina Isis Freire da Silva

A DESCONSTRUÇÃO EM UMA ESCOLA INFANTIL

Para que entendam a metáfora deste artigo, a autora Marina Isis Freire da Silva, portadora de transtorno bipolar, é a personagem principal desta plaqueta, intitulada “FORA DOS MUROS DA ESCOLA”.

O transtorno bipolar é algo sério, conhecido por sintomas de oscilações de humor, principalmente, depressão e euforia.

Nossa personagem, quando ingressou na pré-escola não havia se manifestado ainda sintoma algum de comportamento, embora demonstrasse ser diferente por algum motivo, o que só foi diagnosticado aos sete anos de idade e mais tarde, umsegundo diagnóstico, aos doze. Era uma criança hiperativa,

inquieta. Não conseguia ficar muito tempo sentada. Era uma criança!

É difícil de entender o que se passa na mente de uma jovem como Marina Isis. Autodidata, praticamente; muito inteligente; dócil; pura; autêntica, às vezes, infantil, pois não tem maldade, não critica o próximo, não faz juízo de valor sobre tal ou qual pessoa. Trata-se de uma pessoa hipersensível. Sofre muito com os preconceitos, com as críticas negativas de muita gente.

Sofremos juntas quando ela está na “crise existencial”, se assim posso chamar.

Fui surpreendida por Marina Isis quando me entregou o rascunho destes escritos, transformados em um pequeno “grande” livro (já na segunda edição), narrando tudo o que sofreu, com detalhes surpreendentes de sua infância, quando começou a frequentar a escola. Deixou-me perplexa o que narrou sobre pseudoprofessores que amarguraram sua infância, desconstruíram alguns de seus sonhos.Marina Isis, depois de enfrentar muitos constrangimentos,tristezas, decepções inacreditáveis para uma criança, decidiu

deixar a escola, e estudar sozinha. Nunca abandonou os livros.Teve a felicidade de receber um excelente letramento, pois a escola empregava o método construtivista. Que pena a direção não ter tido a capacidade de escolher bons profissionais da educação para serem Educadores. Mas o incrível é que a diretora também foi muito preconceituosa ao proibir Marina de

ir a um passeio porque não gostava de comida natural. Este foi um dos grandes golpes sentidos pela criança que se viu frustrada pela proibição tão cruel.

Esta é a razão pela qual utilizei a expressão “a desconstrução em uma escola” como título desta apresentação.

Quem escreve, agora, é uma Pedagoga, uma Educadora com 56 anos de Professora, incansavelmente, com amor à causa. Marina Isis lê muito incentivada pelos pais e por mim. Gosta de filmes. Tem grande preocupação com a língua portuguesa, sempre conduz o Dicionário Aurélio. Aprecia idiomas. Fala e escreve o Inglês fluentemente, o que me impressiona. Concluiu o aprendizado do Inglês como segunda língua. Já estudou flauta, violão, ginástica artística, natação, Taekwondo (seu esporte predileto, porém um acidente, deixou esta prática esportiva  por proibição médica), mas a ansiedade e alguns sintomas do Transtorno Bipolar e da Fobia Social não lhe permitem seguir em frente. Ingressou na Faculdade Maurício de Nassau, no curso de Jornalismo por duas vezes, mas decidiu não continuar. Sua vontade é sempre respeitada sem críticas por nós, familiares, que a amamos e a entendemos muito bem. Seu objetivo, agora, é escrever, publicar e falar para o mundo sobre o mundo pelos seus olhos. E terá meu apoio. Sempre publico seus escritos em meus livros.

Este livro servirá de reflexão a muita gente que julga precipitadamente o outro sem se importar com o que este outro passa. Marina não pretendeu com este escrito “mudar o mundo, mas mudar o mundo que está dentro de você”, leitor. Faça, portanto, Portanto, bom proveito da leitura. Espero que gostem da leitura.

Marinalva Freire da Silva

Coordenadora do Curso Licenc. em Letras- FADIMAB-PE

União Brasileira de Escritores-UBE-PB

Academia de Letras e Artes do Nordeste-ALANE-PB

Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica

PALAVRAS INICIAIS

Não, nunca gostei da escola. Nunca me agradou estudar

o que não me interessa, tampouco o que eu sei que nunca vou usar. Sempre achei que a vida era a melhor das escolas e os filmes, livros e CD’s, as melhores matérias. (Marina Isis Freire da Silva)

NOTA 1.

Uma Sentença Sem Crime

Nunca entendi por que o sistema de ensino brasileiro nos induz a crer que não somos inteligentes o suficiente se não obtivermos a nota estipulada como satisfatória em uma avaliação. Inclusive, nesse contexto de não entender e, definitivamente, não agradar, me vem à cabeça se o referido sistema convenciona o aluno de estar ou não pronto quando é chegado o fim do ano letivo – em termos de educação -, por obter nota sete ou mais em uma avaliação.Reflito muito sobre se o aluno que sempre obtém nota dez em todas

as matérias durante o período escolar está, de fato, preparando-se para a vida, para a universidade, para o mercado de trabalho, para os relacionamentos, para olhar o mundo à sua volta e entendê-lo-,entender quando e por que errou e estar pronto para corrigir-se, para acertar e saber por que acertou, e a melhor forma de comemorar suas conquistas. Em suma, para “ser” humano. Gosto muito de usar esse jogo de palavras:

SER HUMANO = SUBSTANTIVO = PESSOA

SER HUMANO = VERBO SER + ADJETIVO HUMANIDADE

Sempre pensei muito sobre a questão dos estudos. Nunca me importei em pegar um livro didático. O que eu fazia dava para passar pela média; e de que adiantaria matar-me para obter a “sonhada” (não por mim) nota dez em todas as matérias, ficar em primeiro lugar no vestibular e não entender que a vida é

efêmera, que hoje somos e amanhã não mais? Por que, então, levar tudo isto tão a sério? Acho que não vale a pena colocar a vida em espera, apenas porque somos condicionados a fazer o que a sociedade espera que façamos,

sem levar em conta do que estão supostamente querendo nos formar para um futuro que sequer sabemos se irá existir. É muita pretensão, querer preparar uma pessoa em termos de conhecimento, excluindo o fato de que tudo muda o tempo todo. Seria muito chato se fosse tão fácil.

Para um juiz dar uma sentença, ele necessita mais ou menos disso:

Advogados de ambas as partes, testemunhas, promotores, um júri, réu, escrivão…Mas, e se fôssemos todos juízes? Quem faria o restante do trabalho?

A vida se encarrega de dar lugar a todos.

NOTA 2.

Inquisição XXI

Nunca me importei em zerar prova.Afinal, o que ela vai me provar? N-a-d-a.

Mas é um contrato, se não faço provas, não posso passar de ano. É quase uma coisa medieval. Desculpe-me, pensei melhor: é medieval. Mas tão medieval que, quase se compara à população quando comprava “promissória” à Igreja para garantir seu lugar no céu. A prova é um tipo de promissória, garante o lugar do aluno numa série mais alta. Cansei de contar quantas foram as fogueiras que prepararam para queimar-me. Se não concordo com alguma crença, logo vão à minha caça. Como se não bastassem provas bimestrais, uma vez por semana, os alunos estão sendo avaliados em algumas instituições de ensino, como uma espécie de treinamento para a obtenção da nota estipulada. Pobre do aluno que não se submete a esta exigência.

Eu não me submeteria. Pobre de mim! Entregaria minha prova em branco. Mas não em branco como afronta. Em branco, como opção de escolha, de perspectiva.

Você pode achar que é mimimi, falta de surra, vagabundagem ou que sempre tive tudo nas mãos, por isto o meu agir é desta forma. Tudo bem, todo mundo tem direito de pensar, de ter uma opinião e de dar voz a mesma. Porém, antes de fazer um pré-julgamento sobre meu ponto de vista, gostaria de deixar claro o porquê de eu pensar assim. Vamos a uma pequena analogia.

NOTA 3.

O Aluno e o Ator

Durante o processo de “ensino”, a época de provas transforma o aluno em um ator. Ele faz tal qual o artista: lê o texto, passa e repassa até decorar perfeitamente e interpretá-lo dentro daquela folha de papel, chamada de prova.

A diferença é que o ator interpreta num palco, na rua ou num set. Outra diferença é que o ator decora por amor, enquanto o aluno, por obrigação. O ator facilmente vai lembrar-se de frases e scripts inteiros que marcaram uma peça/filme/novela. Mas e o aluno? Ele decora tudo até passar naquela prova e, ainda assim, na maioria das vezes, tem vários “brancos” na hora de passar as“falas” para o papel. Talvez esses “brancos” pudessem ser preenchidos com a liberdade de improvisar que o ator tem, mas tenho pena do aluno que ousa partir para o improviso. A reprovação o espera. Junto a um grande sermão do professor que aplicou aquela prova e talvez até uma pequena cúpula da coordenação, que o mandará para casa com uma “bela” advertência.

Quando se é ator, os críticos vão julgar a atuação, o que o levará a uma autoanálise, e eu garanto que, se pelo menos uma única pessoa aplaudir seu trabalho, para ele já significa muito. Quando se é estudante, os professores são os jurados e estes atribuem uma nota que nem sempre é justa, deixando o aluno desanimado para prosseguir ou até mesmo levando-o a uma obsessão em busca da nota “perfeita”, o que é um ponto extremamente nocivo durante o processo de ensino-aprendizagem. Onde está a criatividade tão pregada em sala de aula e em novos métodos de ensino? Onde está a dinâmica? Talvez pensar assim seja muito ingênuo de minha parte. Olhando por outro ângulo, talvez tenha sido a melhor linha de pensamento que tive sobre a educação.

NOTA 4.

3 = 1 (Sem Sarcasmo)

Vamos à realidade de um aluno no atual sistema de ensino: o aluno acorda cedo, toma banho, coloca o uniforme, vai até a escola que tem muros altos, entra em sua sala e se senta em seu lugar, que está marcado. Ele não pode beber água ou ir ao banheiro se não levantar a mão. Mesmo levantando a mão,

existem diversos professores que não se importam, então é aquele famoso “te vira”. Ele espera o sinal do intervalo para ter alguns minutos para respirar e, em seguida, retornar à sala e esperar por mais alguns sinais até ser liberado.

Esta é realidade rotineira, fastidiosa e castradora do atual cenário educacional no qual vivemos. Existe uma coisa bem legal chamada TED. Várias pessoas palestram por 15-20 minutos sobre algum tema, e tem a liberdade de fazer essa palestra do modo que achar interessante. É bem dinâmico e tem muito conteúdo que vale a pena conferir. Em uma destas palestras do TED, assisti a Murilo Gun falar sobre a escola e a morte da aprendizagem. Isto mesmo, você (ainda) não está louco. Sugiro, inclusive, que confira o vídeo após a leitura. E após assistir ao vídeo do Murilo Gun, assista ao Ken Robinson com o tema Escolas Matam a Criatividade?

Realmente, fiquei bem admirada com tudo o que Murilo falou e fiz de um de seus exemplos um começo dessa nota. Apesar de já ter este pensamento há muito tempo, ver alguém de fora do meu ciclo de amizades, que é uma pessoa que tem os nomes: inovação, criatividade e vontade, mais a coragem de botar a cara à tapa desse jeito, é muito bacana.

Aqui no Brasil, ainda é um “tabu” muito grande falar de educação com tamanha franqueza. Se você escrever um livro, nenhuma editora alguma vai dizer-lhe: “você era o que precisávamos!”.

Falar sobre educação e expor tudo o que se pensa a respeito disso não é fácil.

O poeta diria “Eu sou pessoa, a palavra pessoa hoje não soa bem. Pouco me importa” A verdade é que se você não concordar com o sistema quando se falar em educação no Brasil,basicamente, você não tem vez e, pasme: muitas pessoas ainda vão dizer que a educação do nosso país, de fato, funciona. Acho que vivemos em países diferentes.

A verdade é que se parece muito como se estivéssemos em um videoclipe do Pink Floyd, mais precisamente o “Another Brick in the Wall part.2”, que retrata o aluno como um ser manipulado à mercê do sistema-professor. É claro que quando escrita, a música representou um tempo de repressão política, mas éimpossível não ver a semelhança com os dias atuais.

É incrível como nada tenha mudado. Mais incrível, ainda, é o poder de uma única música retratar isto, tornando-se atemporal.

“Nós não precisamos de controle de pensamento […] Professor!

Deixe as crianças!!! Ei professor! Deixe essas crianças em paz.

Sugiro que assistam ao videoclipe. Pink Floyd é uma banda fantástica.

Retomando o pensamento de Murilo Gun com o qual, por acaso, compartilho há muito tempo, proponho um exercício para o leitor. Substitua as lacunas com os respectivos termos:

ALUNO = ENCARCERADO / FUNCIONÁRIO

ESCOLA = PÁTIO DO PRESÍDIO / INDÚSTRIA

SALA = ALA – CELA / SETOR

PROFESSORES = CARCEREIROS / FISCAIS

SER LIBERADO = PAGAR A PENA / SE APOSENTAR

O _________________ acorda cedo da manhã, toma banho, coloca o uniforme, vai até o ___________ que tem muros altos, Marina Isis Freire da Silva

entra em sua _________ e senta no seu lugar, que é marcado. Ele não pode beber água ou ir ao banheiro se não levantar a mão. Mesmo levantando a mão, existem diversos ________________ que não se importam, então é aquele famoso “te vira”. Ele espera o sinal para ter alguns minutos para respirar e depois voltar a ________ e assim esperar por mais alguns sinais até ser liberado. E isso continua até ele __________________. Vocês notaram que a escola, o presídio e a indústria têm muito mais em comum do que se espera? Em todas as três descrições, as mudanças são sutis, o que, infelizmente, quer dizer que cabem na mesma moldura.

Resumindo: A escola aprisiona nossos pensamentos que deveriam ser livres e, para ali nos mantermos, obriga-nos a pensar de forma moldada, logo, industrializada. Quem já se viu industrializar um pensamento? É tirar do homem toda a forma de livre arbítrio. É o único privilégio intacto e só dele o ser humano ainda desfruta – pensar, o que quer e como quer -, mesmo nos períodos de repressão.

NOTA 5.

Vasculhe Sua Mente – Propaganda

Você, de fato, aprendeu na escola as coisas essenciais para a vida? Pensar por si só, ser e exercer sua cidadania, ter respeito por outras pessoas, não julgar, ser solidário, ter compaixão, lei do retorno? Confesso que eu não.

A escola privada tem como foco fazer seu aluno número um no vestibular e ganhar uma nobre reputação com isto. Se a escola privada já não nos dá uma total infraestrutura, que dirá a educação pública? Pois bem, não aceito ser programada para saciar seus desejos de marketing. Não sou produto para ser

industrializada. Quem sou e o que penso não podem ser aprisionados. Dito isso, faço uma ressalva: não é porque eu não goste de algum conteúdo porque ele seja ruim. Eu apenas não gosto. E isto se aplica a tudo neste mundo. Inclusive a este livro.

NOTA 6.

O Bode Expiatório e a Falta da Ética

Uma coisa que aprendi na escola é que nenhum professor gosta de ter um debate com um aluno por um erro que talvez possa ter cometido. Ele pode estar errado como for, mas não aceita facilmente que um simples aluno possa saber mais do que ele, que tem tantos títulos.

Certa vez, eu estava na aula de artes. O professor explicava “o que era arte”. Eu não concordei e o questionei. Entramos em um debate e ele começou a ficar irritado porque, enquanto nos ensinava o que era arte e a resumia, eu dizia que, para mim, tudo era arte. E a errada na história, claro, era eu.

Quando em uma aula de artes, a opinião do aluno sobre o que é arte para este, não é válida para o professor, algo está errado.

Aprendi na escola que a quantidade de professores despreparados para lidar com os alunos que têm como direito tratamento especial e são respaldados pela lei é, em demasia, alarmante. Ainda na escola, aprendi que sempre algum aluno vai precisar ser o bode expiatório. Não importa o que ele tem a dizer, vai ser perseguido até o final.E antes fosse por alguns alunos, seria até justificável por imaturidade. Mas, não! É pelo próprio professor. Por conta dos meus problemas de saúde – na época ainda não havia sido diagnosticada, pois sofro de transtorno bipolar e fobia social -, escutei a diretora-proprietária da escola falar para uma coleguinha “lembra o que sua mãe falou sobre andar com certas

companhias?” Claro, era sobre mim que falava. Como sabia? A coleguinha havia se afastado de mim, e me evitava o tempo todo.

Pasme: eu não tinha mais de dez anos de idade, na época. Tenho o paladar um pouco diferente. Acredito que sofro de algum tipo de disfunção relacionada aos sentidos. O fato é que não consigo comer quase nenhum tipo de comida e, basicamente, os alimentos que consumo são industrializados. A mesma diretora que fez algum tipo de acordo com a mãe da coleguinha para que não andasse comigo, porque eu era má companhia, não me deixou ir a um passeio porque só aceitaria que comêssemos alimentos naturais. Tendo em vista que comuniquei que levaria meu lanche, ela encarou como uma afronta e me proibiu de ir ao passeio. Que tristeza a minha na época!

Entramos mais uma vez em conflito. Na verdade, era tudo o que fazíamos, já que eu era a preferida para ocupar o cargo de bode expiatório. Mas, desta vez, eu havia apenas comunicado algo que a mesma já tinha total conhecimento. Ela, então, resolveu encarar como uma afronta. Talvez fosse mais cômodo descartar o suposto problema do que lidar com o mesmo.

Todo o tempo que estudei em sua escola, a então diretora sempre soube que eu não levava dúvidas para casa. Quem me conheceu e me conhece, sabe que vou atrás de explicação, que gosto de resolver meus problemas, que não tenho medo de hierarquias. Eu vou, sim, questionar, seja minha mãe, seja um político, seja o Papa. Por que seria diferente com um professor? Por que seria diferente com a diretora do colégio?

Em termos literais, até levo roupa suja para casa. Em termos metafóricos, meus pratos são sempre limpos após o término da refeição. Todos os meus is têm seus devidos pingos. Quando uma diretora e suposta educadora age dessa forma, alguma coisa está muito errada.

Lá pelos nove anos de idade, constantemente entrava em conflito com minha professora. Nutria grande antipatia por ela, porque, mesmo sabendo que eu era acometida de síndrome do pânico e alto nível de hiperatividade, ela não sabia lidar com a situação na qual me encontrava. Nesse tempo, já fazia acompanhamento com neuropediatra e tomava medicação controlada. Ainda que não houvesse um diagnóstico preciso de transtorno bipolar, já apresentava claros sinais de sua existência. Infelizmente, tal professora trabalhava na contramão do construtivismo, método adotado pela escola, mesmo sem a aplicabilidade devida. Além desta professora não buscar entender o que se passava e o que os sinais indicavam, fazia o único julgamento que lhe convinha: rebeldia. Como toda ausência é atrevida, às vezes que me ausentava da sala de aula para respirar um pouco – algo que é extremamente

necessário para todo e qualquer aluno, principalmente os que sofrem de transtornos mentais e comportamentais, havia uma enxurrada de adjetivos depreciativos à minha pessoa. Pior ainda, a uma criança.

Você percebe que tem algo errado com o papel do professor quando em um grupo de crianças de nove anos de idade, ele aponta o dedo para um aluno que está em condições terríveis de saúde e o chama de “doente mental”.

No começo dos anos 2000, a tecnologia não havia chegado onde chegou hoje. Uma criança de nove anos de idade naquele tempo, não é uma criança de nove anos de idade atualmente. O “doente mental” naquela época e naquelas circunstâncias eram quase palavras de ódio proferidas por uma professora, diante de toda a classe para alguém que não estava lá naquele momento. Só tomei conhecimento disso, quando perguntei, há mais de dez anos, a dois amigos, o que acontecia quando eu me ausentava da sala de aula daquela professora.

Hoje, entendo que foi ignorância. Talvez, até mesmo impotência diante dos fatos. Para quem não sabe o que é o Transtorno Bipolar, já aviso: é muito delicado e é de alto risco. Ninguém dá a devida importância a ele, mas requer muita paciência e respeito pela dor do outro.

Você não consegue ver o sofrimento e o arraso que tal desordem causa, pois ela não tem um rosto. Mas por não ter um rosto, não significa que não existe. O começo do tratamento é muitíssimo delicado e requer muito cuidado. O risco de suicídio durante o começo do tratamento é altíssimo. Fora da escola, tinha uma psicóloga e um neuropediatra, que depois passou a ser psiquiatra. Eu precisava de apoio dentro da escola e tinha este apoio pela lei. Não vou dizer que não funcionava. De fato, funcionava sim, mas não como deveria.

Salvo um pequeno grupo de educadores autênticos, éticos e comprometidos com a educação do ser humano em termos de humanidade e livre construção de caráter, estando ali para ajudar no que desse e viesse, tive a permissão de trocar a sala de aula na qual estava matriculada pela pré-escola, onde pude

sentir-me livre, ajudar as crianças, receber sorrisos e carinhos.

Uma criança não julga, ela se adapta às pessoas e ao ambiente. Estar com aquelas crianças, significava estar verdadeiramente na escola, porque ali, de fato, eu encontrava o que a maioria dos professores me negava: compaixão, amor, afeto, sorrisos, alegria… Era uma celebração da mais precisa definição de humanidade.

Estamos em 2017, alguma coisa já deveria ter mudado, não é verdade? Mas não. Professores antiéticos e despreparados estão por todos os lados e eu tive esse desprazer de dar de cara com muitos deles. Em outra escola, fui assediada por um professor, mas fui sincera com ele e nunca corrompi meus valores, como nunca perdi seu respeito. Ele entendeu e se desculpou. O relacionamento em sala de aula não foi comprometido por conta dessa leviandade. Alguns educadores fizeram o possível e o impossível para que eu me mantivesse na escola. Para que eu não desistisse. Sim, encontrei pessoas maravilhosas, que estavam dispostas a entender e trabalhar com minhas “peculiaridades”. Tinha permissão para sair de sala sempre que quisesse. Gostava de ficar andando pelo prédio.

Já em outra, professores engravidaram alunas e, ao invés de serem punidos, as alunas é que precisaram abandonar a escola, enquanto eles continuaram a ensinar. Mas aqui, não vem ao caso fazer um julgamento precitado, uma vez que não tenho conhecimento do que ficou acordado entre as partes. E se ficou.

Mas preciso mencionar esse fato, porque em uma escola que leciona para o Ensino Médio, é incrível como não exista um código de ética. Não me leve a mal, diferença de idade é uma coisa e não tem nada a ver com o que estou colocando em jogo: caráter. Teoricamente, um professor não pode se envolver

com uma aluna. Se é uma aluna de Ensino Médio, pior ainda.

Pergunto-me onde está a ética profissional. presenciei, em uma aula de história ou filosofia, um professor dizer que não queria saber “dessas opiniões imbecis” quando os alunos tentavam participar da aula. Quando um professor diz isso, ele não tem meu respeito. Ele não é um educador. Ele leva o aluno a ter medo de interagir, porque o mesmo demonstra extrema prepotência e um abuso de poder exacerbado.

No dia que isso ocorreu, eu estava lendo uma edição de “Peanuts Completo” em minha carteira. Não tirei a cara do livro, mas levantei a mão e esperei pacientemente até que, o professor, enfim, me desse a vez. Ele disse “diga Marina”, mas pelo seu tom, talvez preferisse fazer ouvido de mercador.

Despida de qualquer medo, e ignorando, como sempre, a hierarquia (fato curioso, pois está também ligado ao Transtorno Bipolar), perguntei-lhe calmamente se por ser ele um professor,achava-se tão arrogante a ponto de uma dúvida de um aluno ser imbecil, a ponto de sua interação e opinião nada significar. Ele virou-se para mim de maneira irritada e perguntou-me: -“você está dizendo que eu sou arrogante?”. Prontamente, respondi. “Sim, estou dizendo que você está sendo arrogante”. Talvez ele tenha se dado conta de que estava agindo de forma errada ou talvez apenas não quisesse comprar briga alguma. Posso até ter agido como uma babaca, mas, no fim das contas, ele pediu desculpas e deu a vez para os alunos participarem da aula.

Quanto a mim? Voltei para o meu livro. Tantas foram as coisas que aprendi com o Schulz e aquelas tirinhas, que eu jamais aprenderia com o conteúdo escolar. Porém, estava aliviada, pois tinha plena certeza de que fizera um bem aos meus colegas que temiam ou preferiam calar-se diante de uma situação tão ridícula para um transmissor de conhecimento. Se houve ou não um imbecil nesta história, tirem suas próprias conclusões. Para mim, ele é quem deveria ter levado este prêmio.

Você deve estar achando que odeio professores, que sou rebelde e sou da “geração mimimi”. Sugiro que preste MUITA atenção na próxima nota.

NOTA 7.

Definições Atualizadas

PROFESSOR = profissão = renda.

EDUCADOR = professor + valores + princípios + ética +

compaixão + humildade + vontade = aprendizado +

ensinamento.

Tudo bem, mas e a renda?

CONSEQUÊNCIA

Não sei se você já assistiu ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. Se não, recomendo que o faça após a leitura deste relato. Vou usar como exemplo o personagem principal, John Keating.

Particularmente, quando me refiro a ele, uso “Oh! Captain, my Captain”

Existem professores como o John Keating? Não.

Existem educadores como o John Keating? Com certeza. Vou deixar um pouco mais clara a equação do Professor x Educador.

Marina Isis Freire da Silva

1 – Um professor é aquele que se acha superior por estar no comando de todos aqueles presentes em sala de aula. Ele faz o que quiser com o aluno, pois tem poder para isso.

Um educador é amigo de seu aluno e lhe mostra que não precisa usar de força verbal ou de castigos retrógrados para ser respeitado. Pelo contrário, ele usa de palavras simples e diversas referências, situações engraçadas e coisas cotidianas que chamam a atenção do aluno e o faz ter vontade, realmente, de assistir a uma aula e ir atrás de pesquisar livremente sobre tal assunto.

2 –Um professor vai dizer que o aluno precisa se formar e o coitado vai tomar isso como meta, porque é o que a sociedade espera que ele faça. Um educador vai fazer com que o aluno tenha vontade de aprender e não o dever de se formar.

3- Um professor vai formar o aluno e dizer-lhe que está pronto para a universidade e para o mercado de trabalho.

Um educador também vai formar o aluno, mas vai dizer-lhe que está pronto para o mundo e lembrar-lhe de que a vida é um constante aprendizado.

4 –Um professor passa na vida do aluno e não faz diferença. Ele sempre vai ser um estranho que provavelmente o aluno só vai lembrar quando alguém comentar algo sobre este.

Um educador vai estar sempre com seus alunos, aonde quer que esteja. Ele tem moradia fixa na memória e no seu coração de todos aqueles que se beneficiaram com seu saber e suas lições. Ele sempre vai vir à tona e sempre vai ser um amigo.

5 – Um professor transmite apenas conhecimento.

Um educador tem a preocupação de ajudar a formar primeiro o homem, depois, o profissional.

6 – Quanto ao professor, nada mais tenho a falar. Já sobre o educador, digo com convicção que, de uma forma extraordinária, este ensina aprendendo junto a seu aluno, que por sua vez, aprende ensinando.

Faço aqui um pedido:

Se você pretende lecionar, peço-lhe que considere os itens cima. Por favor, não seja um professor. Seja um educador. E não se engane, formar um homem é uma das tarefas mais difíceis desse mundo. Formar um profissional é fichinha, perto de tal dever.

NOTA 8.

O Início da Aprendizagem Alternativa

Quando abandonei a escola, foi uma mudança grande, mas foi a melhor que fiz. Precisava disso mais do que podia imaginar. Mas não foi por abandonar a escola que cessei os estudos. A aprendizagem é tipo um App (aplicativo) – está sempre atualizando suas informações e corrigindo seus bugs (erros). Eu sou tipo o OS (sistema operacional) – guardando aquele App e fazendo-o funcionar, sem esquecer que também tenho vários bugs que precisam de reparo, e, assim, vou me atualizando. Sou o OS que faz questão de ser sempre Beta (No mundo digital, quando algo é denominado como “beta”, é porque esse algo se encontra em fase de testes). Essa sou eu: nunca pronta, sempre adicionando o que importa e excluindo o que já não é mais significante.

Em minha casa, nunca faltou material para que eu pudesse usar como fonte de estudos. Quantos aliados tive, desde canais de documentários a enciclopédias, pesquisas online, discos, filmes, livros… Parte de vocês vai dizer: “mas você é uma exceção, sempre teve privilégios”. Concordo e disso não tenho como fugir.

Gostaria que todos pudessem ter a oportunidade de um aprendizado alternativo como tive. A verdade é que o sistema de ensino pode proporcionar isso a todo e qualquer aluno. Se ao invés de professores, tivéssemos educadores como tutores, e não se medisse nível de aprendizado por notas, a história seria bem diferente.

Toda escola deveria ter uma biblioteca que fosse completa de: TODOS OS GÊNEROS LITERÁRIOS.

Veja que não falo em livro didático. O tipo de livro que a escola deveria ter em seu acervo, seria um livro em que o aluno pudesse mergulhar em seu enredo e interessar-se por isso. Que é o que geralmente ocorre quando nos identificamos ou nos pegamos vivendo toda aquela história. Esta é uma das razões pelas quais uma livraria me faz tão bem.Procurar por entre os livros, achar algo que me surpreenda e me faça ter sede de entender mais aquilo. Isso, sim, deveria ser chamado de estudo porque de fato o é. A sensação de estar em um tipo de templo de conhecimento é fantástica e dá ao aluno um infinito de possibilidades.

Indo além, toda escola deveria ter computadores com acesso livre a todo tipo de informação. Já foi constatado que games violentos não são a causa de crianças/adolescentes se tornarem violentos. Liberar o conteúdo para até 16 anos de idade, para todos os alunos, seja qual idade for, seria espetacular. O conteúdo 18+ deveria ser selecionado pelos próprios alunos e analisado pela escola, no intuito de liberá-lo ou não. Não é de se admirar que em plena era da

informação, quem sai do terceiro ano do ensino médio, na maioria das vezes, não tem noção do que quer fazer da vida. E eles não têm culpa, são apenas resultado de um sistema de ensino que não ensina. Que não educa. Resumindo: falido.

O mesmo serve para os filmes. Dizem que a trilogia de “O Poderoso Chefão” serve basicamente como um semestre garantido na universidade de cinema. Imagine quantos filmes não serviriam como aulas exemplares e chamariam mais a atenção do aluno, além de os fazer ter vontade de continuar na escola dos cinéfilos. O filme “Doze Homens e Uma Sentença”, de 1957 é ainda hoje material indispensável e que é utilizado em aulas nas faculdades de direito. Quão fantástico seria se este mesmo filme fosse exibido para os alunos de uma escola “normal”? O filme em si, já seria válido como aulas de: história do cinema e da arte, de interpretação de texto, de perspectiva do mundo, filosofia, sociologia, biologia, física, ética, senso de justiça, solidariedade, humildade.

Seria uma aula de entender que nem sempre o que parece, é.

A escola deveria tentar sair daquela coisa maçante de ensinar física, química e matemática. Dinamizar, utilizar séries, filmes, exemplos como esses são muito mais eficazes. Vou além. Que tal fotografia? A fotografia, além de arte, da visão do mundo aos olhos de um único indivíduo, também é uma ciência exata. Quando se revelavam fotos em laboratórios, existia uma combinação química para poder gerar o resultado desejado: a foto física, como nós conhecemos e guardamos em álbuns como recordações. Mas para se fazer essa foto, você precisa entender como funciona a combinação de três coisas: ISO, Abertura e

Velocidade. Não se assuste com os termos técnicos, mas basicamente são essas três coisas que vão nos dar belíssimas fotografias, pois precisamos fazer a luz entrar de modo perfeito na câmera, para que a imagem possa ser captada com sucesso.

E sabe o que é mais legal? Isso é tudo uma ciência exata. Trabalha-se com números, mas de uma maneira genial. Mas o sistema não se importa com isso. Dinamizar não existe no vocabulário do nosso sistema escolar. E a gente nota isso claramente quando vê que “decorar” é muito chato e que “aprender” diferenciadas formas sobre um mesmo assunto, nos faz perder a noção a hora.

E você precisa entender que quem vive sua vida é você, quem vai trabalhar, estudar, cantar, é você. Então por que deixar que outras pessoas tomem suas decisões?

O pior de tudo é que esse sistema, juntamente com a sociedade, faz com que os alunos pensem sem escola e faculdade, o ser humano não serve; que começar debaixo é algo humilhante. Que não é digno. E que se você não se matar para ingressar na universidade e obter seu título de nível superior, esse vai ser seu destino: estar sempre debaixo.

Acho muito interessante essa classificação. Mas discordo completamente. de tudo que vivi e vivo hoje, quase nada devo à escola. Na verdade, devo sim algo gigantesco: a escola me deu a chance de ir atrás de um Aprendizado Alternativo. As músicas, os filmes, os livros e a vida. Tudo isto me ensinou basicamente tudo o que sei até agora e não pretendo cessar tão cedo.

NOTA 9.

Devaneio x Realidade

Conversando com meu pai sobre isso, de ter podido ter acesso a documentários maravilhosos, de ter lido obras de diversos autores, de amar o cinema de uma forma que sempre me fez aprender com ele… De ouvir a melodia, esmiuçar a letra, compreender seu significado separado um do outro e depois juntá-los e escutar de uma forma tão gostosa inúmeras músicas, de ter estabelecido princípios e valores, que servem como pilares para toda uma vida, a partir de tudo que pude absorver como sendo bom, precisei fazer-lhe uma confissão. Confessei a meu pai que não aprendi quase nada na escola e para minha felicidade, ele me disse a mesma coisa. Meu pai é um dos homens mais inteligentes que já conheci. Mas fiquei triste por um momento. Eu costumo escrever sobre várias coisas e as pessoas tendem a elogiar. Eu acho que não

mereço. Por que esse mérito? Mas é exatamente dessa educação diferente, desse aprendizado alternativo. Se existe mérito, é todo dele. Mas o que me faz sentir que não mereço tal honra, é porque quase ninguém tem esse tipo de educação.

Pois é, sinto-me uma privilegiada dos deuses, o que me leva a uma indagação: por que todos os estudantes não podem também ser privilegiados dos deuses?

E isso me deixa muito triste! Embora saiba a razão, não a acho justa. Infelizmente, e, também, felizmente, luto bastante desde criança, devido às minhas condições de saúde, e isso me ensinou muitas coisas. Eu aprendi que a gente deve ver o mundo por vários ângulos. Ecoa agora em minha cabeça “Lucy in the Sky with Diamonds”. Embora a composição Lennon-McCartney venha da época do psicodelia, a frase “a garota com olhos de caleidoscópio” é a coisa mais bonita dessa letra. Nunca existe só uma perspectiva. Engraçado como Beatles tem uma música ou frase para qualquer momento e circunstância de vida.

Lembro-me, então, de quando eu ia à aula. Sempre levava um livro para passar o tempo, pois nada daquelas aulas me interessavam – raros eram os temas e, quando, de fato, prestava atenção em alguma coisa, eu participava com felicidade e sede gigantescas. Um dia me veio uma ponderação… A sala de aula estava cheia, o professor estava dando sua aula, enquanto eu lia esse livro que nada tinha a ver com o assunto, todo mundo se matava para poder gerar, no fim do ano, o resultado que a escola e a sociedade, esperam de todos nós. A educação que tive não me permite que instituição alguma me diga que por não ter títulos eu não vou ser ninguém. Que minha vida não vai ser boa. Que o mercado só aceita gente com diploma, sendo que grande parte das multinacionais atualmente admitem que preferem funcionários que inovem, que sejam criativos, que tenham uma perspectiva de mundo mais condizente com a realidade. Quanto aos títulos? Não, eles não dão mais tanto valor como em décadas atrás. E isso se torna bem engraçado porque as pessoas ainda acham

que a “atuação” durante a escola é garantia de vida plena e próspera.

Guarde isso em sua cabeça: nem tudo é 100% bom, assim como nem tudo é 100% mau. Existe beleza no que horrendo,  assim como existem horrores no que é belo. O clichê, aquilo que todo mundo sabe: parte das pessoas mais bem-sucedidas no mundo inteiro só tem o ensino médio.

Acho muito interessante a história do Steve Jobs. Se tiver algum tempo, procure pelo vídeo onde ele foi convidado pela Stanford University (Universidade de Stanford, EUA) para fazer o discurso de encerramento de uma turma. É magnífico. Vivemos num mundo em que as pessoas se deslumbram com um médico ou um advogado, mas você já prestou bem atenção naquela música que o Zé Ramalho canta, chamada “Cidadão”? Se não, sugiro que a escute com carinho e desprovido(a) de conceitos religiosos. Falo isso, porque cita Cristo/Deus, mas o que conta aqui é a metáfora com qual a música trabalha.

Assistindo a um vídeo no youtube, deparei-me com a seguinte história, contada por Eduardo Marinho. Ele fala que foi a uma comunidade e perguntou se algum arquiteto havia feito projeto para a construção das casas naquele morro. O pessoal da comunidade riu da cara dele. Onde já se viu arquiteto ir a um morro para fazer projeto para uma “favela”? E aí ele pergunta aos moradores, que foram responsáveis por tais construções. “Por que os arquitetos precisam de pedreiros, mas os pedreiros não precisam dos arquitetos?” A pergunta pairou no ar. A gente vê tanta arrogância de pessoas que têm mil páginas no currículo e ainda assim precisa desesperadamente daqueles que não tem nem o que colocar naquela “incrível” folhinha, mas fazem qualquer trabalho bem feito e com o maior capricho. O carinha lá, com as mil páginas do currículo passaria sufoco se não fossem os iluminados pedreiros e os “paus-pra-toda-obra”.

Fui criada e educada para que, a partir de minha própria vontade, fosse atrás de adquirir o conhecimento sobre as coisas que julgo, de fato, importantes para mim como pessoa única e para mim, também, como ser humano. E se tem algo que me deixa extremamente triste é que a humanidade não é humana.

O Linus van Pelt diz numa tirinha que ama a humanidade, o que ele não consegue suportar são as pessoas. Infelizmente, tenho que concordar com ele. E é este o motivo de tanta intolerância e tanto descaso com o outro. É o que me faz tremer na base.Cadê a humanidade do ser humano?

NOTA 10.

Minha aprendizagem com a vida

Aprendi com a vida algumas coisas que são realmente necessárias para seguir com serenidade – e isso a escola não ensina. Divido com vocês:

Cultura.

O mundo  está cheio disso. Desde um grafitti do Basnky, passando por um funk carioca a um álbum dos Beatles. O que você usa e o que você vê. Tudo isto é cultura. O que você come e o que você bebe. O que você veste, o que você  escuta aonde frequenta. E relembrando  que só eu ou você não gostamos de alguma coisa, não significa que não seja boa.

História.

Sem frases de traseira de caminhão. É necessário, sim, olhar para trás a fim de  não repetir erros horrendos, escolher pelo que vale lutar, entender nossas origens e identidades. Olhar para trás com a certeza de que o caminho à sua frente será mais construtivo e agradável, para o mundo, é  imprescindível.

Conhecimento.

A Internet conectou. Pronto. Você tem o mundo na mão e pode aprender o que quiser, onde quiser. Também pode usar seu livrinho surrado, amarelinho. Não importa como, desde que você o busque.

Sabedoria.

Colocar-se no lugar de seu próximo e ver as coisas do ângulo dele, antes de julgá-lo pelo que você apenas imagina que seja a verdade. Lembre-se de que não há verdade absoluta, você pode ter sua verdade, mas não significa que as pessoas vão tomá-la para si. Elas não são obrigadas, assim como se o caso for o contrário, você também não o é.

E aí depois desses elementos, soma-se amor, tolerância, respeito e humildade

Amor.

Por ser necessário amar, nem que seja a si mesmo – o que já é uma das mais difíceis e ricas formas de amor.

Tolerância.

Pois se nós não com seguimos chegar a um denomina dor comum, podemos concordar em discordar.

Respeito.

Todos têm suas batalhas. Para alguns, são mais curtas. Para outros, tão longas quanto as vida. Mas um guerreiro de verdade, sempre respeita seu oponente.

Humildade.

Por ser necessário na derrota, congratular o vencedor. No erro, assumir e se dispor a fazer o certo. E, principalmente, quando em ascensão, não fazer das pessoas escada, e sim, estender as mãos para que elas nos alcancem.

Consideração oportuna

Tudo aqui escrito faz parte do meu ponto de vista sobre a educação. Da minha experiência dentro de instituições de “ensino” e de como um aprendizado alternativo me fez perceber que existe um grande abismo entre ter uma profissão e exercê-la. Entre ter tudo o que o dinheiro pode comprar, mas não ter humildade. Entre ter e ser. Como o poeta já falou, “ainda sou estudante da vida que eu quero dar”, e desejo que este estudo só cesse quando meu corpo não mais existir, pois a vida é busca e aprendizado constantes.

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