O CAFAJEGUE

30 jul 2018

Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 14/10/2011

 

         Com sucesso total em todos os palcos do sertão paraibano, a peça teatral intitulada “O Cafajegue” voltará agora como livro, que será publicado dentre em breve.

         Na década de 1970 resolvi escrever a história de um Coronel político com as suas peripécias, arrojos, possuído de ódio, desejo de vingança e a mania de poder absoluto.

         Para ele, oposição não existe e deve ser tratada com desprezo, ameaça e assédio para corrompê-la. Já a situação deve viver naturalmente sob os seus pés, obedecendo a todas as ordens certas ou erradas. O legítimo Coronel político não respeita justiça nem polícia, porque para ele somente a força se sobrepõe a todos que residem na área da sua atuação política.

         Na verdade, existiram muitos coronéis com esse tipo de comando. E ainda existem essas figuras por toda parte, agora com poderes menores, porque a legislação brasileira da atualidade está mais eficaz, severa e pesquisadora, a fim de evitar a maneira de atuar desses chefes políticos, principalmente a Justiça Eleitoral.

         As disputas entre coronéis e os movimentos populares aconteceram, com especialidade, na década de 1960, quando os Sindicatos de Trabalhadores Rurais e as Ligas Camponesas atuaram com bravura em toda parte, tentando evitar o poderio desse tipo de liderança política, com destaque para os latifundiários.

         A história do “Cafajegue” passa por todos os momentos do Coronelismo enfrentando as organizações sindicais, a Igreja, a Justiça e a força jovem, que já aparecia na vanguarda, procurando expulsar, em definitivo, essas lideranças ultrapassadas que não aceitam a liberdade das forças livres.

         Agora, a fantástica história reaparece no livro intitulado “O Judas e o Cafajegue”, de minha autoria, somando dois textos teatrais diferenciados nos acontecimentos, mas verdadeiramente polêmicos. “O Cafajegue” narra a luta nos campos, principalmente entre os movimentos organizados e a força do poder econômico. Já a outra peça, intitulada “Judas de Branco”, narra a violência de um médico de família abastada que se apaixonou por uma cliente pobre, fez dois filhos com ela e depois teve que transformá-la numa louca, com medicamentos, para o fato não chegar ao conhecimento da família da esposa, pertencente a um poderoso grupo político.

         Os dois textos já estão revisados e prontos para os trabalhos de diagramação, unidos em “O Judas e o Cafajegue”, com os tons que a polêmica exige nos papéis principais, os dois artistas que vão emplacar o Coronel “Cafajegue” e “Marina”, encenando a prepotência dos poderosos e a humildade da jovem iludida, massacrada, violentada, e por fim enlouquecida pela discriminação dos ricos contra os pobres.

         O livro vai mostrar, na verdade, que o preconceito representa as grandes ameaças dos povos ontem, hoje e amanhã.

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