O Carnaval nas Empresas

13 fev 2013

Mais um carnaval que vem, e que vai. Fico pensando como seria bom se as nossas empresas, as empresas dos nossos fornecedores, e até dos nossos clientes, seguissem o admirável exemplo das escolas de samba.

Vocês já viram em uma escola de samba alguém reclamando do horário de trabalho ou cobrando horas extras por ter passado noites e noites acordado preparando carros alegóricos e fantasias? Alguém fazendo greve por melhores salários ou por melhores condições de trabalho, embora muitos trabalhem em barracões em que a temperatura chega a mais 40°C? Já viram um trabalhador que está preparando um carro alegórico reclamando que esse serviço não é de sua responsabilidade e sim de outro? Se tiver de soldar ele solda. Se tiver de cortar, ele corta. Se tiver de colar, ele cola. E até se tiver de costurar, ele costura. Afinal, não interessa sua especialidade, ele fará o que for necessário e não somente àquilo para o que foi contratado e muito menos ficará esperando que alguém lhe diga o que tem de fazer.

Tudo é suportado com a finalidade de colocar sua escola na passarela, o mais bonito possível. E, no dia e na hora prevista. Dando um grande exemplo de disciplina e pontualidade.

Não conheço nenhum caso que algum integrante de escola de samba tenha ingressado na justiça para receber os seus direitos trabalhistas. Nunca ouvi falar que não deu tempo de terminar os trabalhos de alegoria, ou que uma escola precisa de mais um ou dois dias, ou de uma semana, para finalizar os trabalhos. Ninguém consegue mudar a data do carnaval. Impossível mudar o calendário. O trabalho tem de ser feito e assim acontece.

Tudo é minuciosamente planejado. Não se gasta além do previsto e nem tampouco há desperdício de material, tudo é aproveitado. O que um departamento não está utilizando, é cordialmente cedido ao outro que está precisando. Afinal lá, todos são conscientes dos objetivos da escola e que estes também são seus objetivos.

Tudo pronto é chegado o grande dia, o dia do desfile da escola. Estas têm um prazo para desfilar e para cada minuto a mais ou a menos perdem pontos. Vemos todos os integrantes desfilando com garra, buscando energias do fundo do seu pulmão para entoar o samba enredo da sua escola por mais de uma hora, fazendo evoluções e todos sempre com um sorriso franco e aberto no rosto. No desfile não existe uma ala melhor que a outra uma que inveje ou desdenhe outra por considerá-la mais ou menos importante. Por isso que no desfile de uma escola não existem departamentos, e sim, blocos que, conforme “o Aurélio” significa uma coisa só. No final do desfile, inúmeros são os casos de pessoas com bolhas nos pés, algumas até sangram, mas ninguém vai atrás de um atestado e pede afastamento. Pelo contrário, alguns retornam ao início da avenida, trocam  de  fantasia  e  desfilam novamente, dessa vez, em uma outra escola.

Perguntemos: e por que tudo isso sai da melhor forma e no tempo certo? Por uma simples e única razão: amor. Amor à escola, amor por aquilo que se está fazendo e, no final, pelo gosto da realização, de ver seu empenho consagrado.

E nós, que devemos fazer? Apenas assistir na televisão e ficarmos admirados? Não! Antes de qualquer coisa devemos copiar este modelo eficaz de trabalho. Em seguida devemos trabalhar com mais amor, dedicação e comprometimento, e, caso não estejamos satisfeitos, ter a coragem e o caráter suficientes para mudar de escola, se for o caso, e
não ficar reclamando e resmungando para os outros colegas de trabalho como  é muito comum vermos acontecer.

Se conseguíssemos colocar em prática, como profissionais, pelo menos, alguns dos exemplos que as escolas de samba nos dão, nossas empresas não seriam as mesmas. Sigamos esse exemplo.

Um bom carnaval pra todos!

Paulo Sóstenes Moreira Rangel

 


paulosostenes@uol.com.br

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