O crime de Barbosa

13 maio 2013

O crime de Barbosa
Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 13/05/2013

No dia 16 de julho próximo o Brasil relembrará a mais triste cena do nosso futebol, quando a nossa Seleção Brasileira perdeu a Copa do Mundo de 1950, em plena terra brasileira, na inauguração do Maracanã.

Ali aconteceu o encontro de dois monstros sagrados do futebol mundial, Barbosa – o grande goleiro brasileiro e Obdulio Varela – capitão da Seleção Uruguaia.

Muitos lances aconteceram antes do jogo, segundo narrações da história. Um dos maiores e mais emocionais foi patrocinado por um jornal brasileiro, que divulgou na véspera do jogo uma manchete com a seguinte frase: “BRASIL – CAMPEÃO DO MUNDO”. O capitão uruguaio tomou conhecimento e foi à rua, comprou vários exemplares, levou para a concentração e autorizou os seus jogadores a mijarem em cima do jornal, como forma de encorajar os patriotas, através do ódio.

O Brasil jogava pelo empate, e segundo relatos de grandes figuras da imprensa da época, teria sido uma montagem para que o Brasil ganhasse a Copa, em homenagem especial ao país reconhecido como pacífico pelos demais que participaram da II Guerra Mundial.

Os grandes relatos dizem ainda que Obdulio Varela não estava em condições de jogar, por conta de uma contusão, mas entrou em campo para capitanear a “Celeste Olímpica” e tentar a vitória de qualquer maneira. O Brasil ganhou o primeiro tempo por um a zero. No segundo tempo a história foi invertida. O próprio Obdulio disse logo depois do jogo que ao tocar as mãos de atletas brasileiros, era um gelo puro. Os brasileiros estavam encurralados pela fúria do capitão uruguaio. Os mesmos relatos afirmam que ele gritava com toda a força dentro do Maracanã, chamando os uruguaios para a luta, sem medo de nada. Gritava frases como essas: “Vocês não são homens, não? Tá com medo? Mostra que é macho”!

A Seleção Uruguaia empatou e veio o gol de Alcides Gighia, que ainda hoje tem uma placa no Maracanã, e todos afirmam que foi um frango do goleiro Barbosa, que também estaria gelado diante da seleção vizinha.

Certa vez assisti uma entrevista de Barbosa, pela televisão, afirmando que foi a maior condenação que um brasileiro sofreu na vida. Quem matava uma pessoa cumpria trinta anos de pena, mas ele foi condenado até o fim da vida. Ninguém queria nada com ele. Morreu abandonado por todos. Somente a diretoria do Vasco da Gama lhe mandava uma ajuda mensal para não passar fome. Chegou a catar piolas de cigarro no Maracanã, no dia de jogos, para manter o vício do fumo.

Barbosa, na verdade, um dos maiores goleiros do Brasil, mas por conta do suposto frango, visto por duzentas mil pessoas, morreu com poucas vozes ao redor em sete de abril do ano 2000, na cidade de Santos (SP).

Somente uma pergunta ao povão: Vale a pena odiar tanto?

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