O falso moralista

13 fev 2017

alfredo bonessi
Por Alfredo Bonessi

O Chefe da Clã dos Kennedy chega da Europa e a muito custo se torna embaixador dos EUA na Inglaterra. A Segunda Guerra Mundial está em pleno vapor e as forças Alemãs levam vantagens sobre as inglesas. Jonhn Kennedy – o futuro presidente americano – é amigo de Hitler. Os Kennedys trocam relações com o comando nazista – são simpáticos a eles. O patriarca dos Kennedys, publicamente, manifesta a sua opinião de que a Inglaterra não vencerá a Alemanha – esse fato gera um protesto pelos ingleses junto aos EUA – o velho Kennedy e todos os seus são obrigados a deixarem a Inglaterra e a retornarem para os EUA.

Enquanto o mundo luta na Europa os rapazes da família Kennedy tomam banho de piscina, ao lado de moças ricas dos EUA. Um namoro com uma dessas moças ricas fica por conta de Jonhn Kennedy – mulherengo – namorador e muito doente da coluna, de constituição frágil por causa disso. Mas o namoro não dá certo – Jonhn não é sério o suficiente para ter um namoro sério.

Uma das irmãs de Kennedy, na flor da idade, morre de doença fatal. O irmão mais velho de Kennedy, comandando um bombardeio, explode com ele em pleno Pacifico e desaparece.

A Jonh, Kennedy, como tenente da marinha, é dado o comando de uma fragata, com doze homens. As 23 hs de uma noite fria e chuvosa, de mar agitado, um navio enorme, inimigo, bate contra essa fragata e a põe ao fundo. Kennedy, a nado, salva os doze homens. Com um desses homens feridos, sem poder se mexer, Kennedy o leva mar a fora por 3 horas, nadando sem parar. Depois mais duas horas de nado conduzindo esse ferido, e por fim mais três horas a deriva, quando chegam a uma ilha, onde pedem socorro e um barco salva todos e os levam a terra firme.

Finda a guerra, o Velho Kennedy pede ajuda da máfia para promover as campanhas do filho, desde o senado até a presidência dos EUA – se elege. De senador mais votado agora ele é o presidente da republica e está casado com Jackie.

Edgar Hoover, chefe do FBI e homossexual enrustido, espalha por toda a casa branca microfones e gravadores – bisbilhota tudo – sabe de tudo. Ele é o porta voz da máfia junto aos kennedys – ele está nas mãos da máfia que possui fotos comprometedoras dele durante uma festa patrocinada por ela.

Jonh Kennedy faz da casa branca um bordel – um puteiro. Hoover alerta Kennedy sobre isso. O mulherio ficam na piscina com Kennedy e a farra é grande. Jackie descobre e ameaça se separar – quer vir a publico denunciar – entre em cena Hoover e o velho Kennedy que em longas conversas a convence a ficar quieta: tudo em nome da democracia e para o bem dos EUA. O casamento acaba ali – agora tudo é de fachada entre ela e Jonh Kennedy.

Entra em cena Marilyn Monroe – em principio ela é amante do Kennedy presidente; depois de Bob e depois dos dois. Ela começa a exigir e a chantagear os dois homens. Entra em ação Hoover e a Mafia. San Giancana dá um fim nela. Em uma noite os homens Giancana estão dentro do quarto dela, a sujeitam e vão enfiando em seu anus potentes barbitúricos. No primeiro ela se debate muito; no segundo também; no terceiro já está mais calma; fica calma; no quarto está adormecendo; no quinto já está dopada e em sono profundo para nunca mais acordar. Vinte minutos depois está morta.

Há ainda a morte misteriosa de uma secretaria de Bob cujo carro cai em uma ponte e ele escapa milagrosamente – a moça morre.

O primeiro governo de Kennedy fica assim, até que surgem os tais mísseis de Cuba. Ele, que é amigo pessoal de Nikita Kruchef, aproveita a situação para passar por herói mais uma vez perante o mundo, faz de conta que expulsa os navios do amigo de volta para a Rússia.

Em uma das dezenas fracassadas tentativas para matar Fidel, comanda pessoalmente o ataque a Cuba e fracassa – é um escândalo mundial.

De casamento desgastado e para ludibriar a sociedade americana, que ele é bom moço, programa uma viagem com Jackie a França. De Gaulle que não é bobo, trata o casal com indiferença – é mais um escândalo mundial.

Bob é indicado pelo irmão para secretario da justiça dos EUA – Hoover, intervém – isso não é bom – isso é preocupante !

O velho Kennedy é chamado a intervir – não adianta. Bob é o secretario de justiça e, apesar de ser amigo da máfia começa a dar duro nela. Os mafiosos se agitam – reclamam – Hoover apela, reúne a família. Pede a Bob que não faça isso, mas não adianta.

A cidade de Dallas, no Texas, odeia Kennedy. Ele deseja visitar Dallas. Hoover o aconselha a não ir. Ele insiste. Mas de carro fechado e blindado assegura Hoover ! – ele não ! – quero um carro aberto em que eu possa acenar para a multidão e quero Jackie ao meu lado.

Lee Osvald

Foi um fuzileiro americano e que possuía um fuzil em sua casa. Migrou para Cuba e Fidel o enviou para a Russia. Na Russia os agentes russos não sabiam quais as verdadeiras intenções de Osvald. Puseram ele em uma casa repleta de microfones e ao lado dele uma mulher bonita e espiã para vigiar seus passos 24 horas. Ficaram dois anos juntos e a mulher não agüentou mais Osvald. Chegou para os seus chefes e afirmou que Osvald era um desleixado porcalhão, porque passava os dias e as noites arrotando e peidando pela casa toda. Os agentes da escuta nunca pegaram nada de Osvald e mandaram ele de volta para os EUA, onde foi trabalhar em uma livraria de livros usados, e na companhia da dita Russa.

Sabendo em dia anterior que a comitiva de Kennedy iria passar pela avenida, de fronte da livraria, pegou uma carona com um vizinho e pôs no banco de trás do carro um volume – perguntado por ele o que era, respondeu que era um violino que levava para consertar.

Na livraria subiu até um andar de cima e esperou a comitiva. Quando o carro de Kennedy surgiu e entrou em mira, fez fogo. Deixou a arma e saiu porta afora, com a mão na frente da cintura, empunhando um revolver.

A policia é chamada e aquele capitão que matara Bonnie e Clyede em anos anteriores, se aproxima do local. Ouve testemunhas. Olhe para a janela aberta no andar de cima da biblioteca. Corre para lá. Examina o local e encontra um fuzil encostado junto a janela aberta – e pelo chão inúmeras cápsulas deflagradas. Põe em chamada todos os funcionários da biblioteca – todos estão lá, menos um: Osvald. Imediatamente avisa todas as centrais de policia e dá as características de Osvald. Uma força tarefa vai até a casa de Osvald – a mulher dele diz que ele possui um rifle que fica na garagem. Todos correm para lá – a caixa está fazia. O policial pergunta: como é o rifle. A esposa mostra uma foto de Osvald com o rifle. A policia retorna até onde está o capitão na biblioteca. A foto confirma a mesma arma.

Osvald anda as pressas com a mão na arma. Um carro de policia avista Osvald em atitude suspeita. O policial para o carro e tenta interpelar Osvald, sem saber que ele atirou em Kennedy. Osvald reage e atira no policial e o mata. Alguém viu. Osvald dispara, entra em uma padaria, chega na porta em atitude suspeita e depois dispara. O pessoal chega na porta e o acompanha de vista – ele entra no cinema.

Policiais se aproximam do colega morto. Uma testemunha diz que o homem que fez aquilo entrara na padaria. Chegando na padaria o pessoal orienta a policia que o homem entrou no cinema. A policia cerca o cinema e invade a casa – Osvald é preso, não porque atirou em Kennedy, mas porque atirou e matou um policial.

Na delegacia as coisas se encaixam – Osvald nega tudo. Diz que não possui arma nenhuma. É mostrada a foto dele com a arma. Ele se cala. Quando Kennedy é dado como morto para o mundo todo e que Osvald é o autor da morte, ele vibra e comemora, dá pulos com punho fechado e levantado. Nikita Kruchef – o amigo Russo de Kennedy, diz que não tem nada a ver com aquilo e Fidel também.

Jack Rubi, um mafioso e dono de um pequeno café, já pela manhã uma funcionaria dele pede 25 dólares para pagar um boleto bancário. Ele diz que não tem e sai para buscar esse dinheiro. Ao passar por uma banca de revista lê os jornais do dia e fica sabendo do feito de Osvald e que o mesmo está em uma delegacia perto dali e que vai ser transferido para uma outra delegacia. Se desloca para lá e não consegue entrar – está curioso e que ver Osvald sendo conduzido em cana. Vai até a garagem da delegacia – não há ninguém por perto – ele fica ali em pé, como não quer nada.

O carro que irá levar Osvald se aproxima da garagem, mas não consegue entrar porque é alto demais e então estaciona fora da garagem, na rua. Osvald vem vindo conduzido a braços pelos policiais. Quando se aproxima de Jackie Rubi, esse saca a arma e atira na barriga de Osvald, que dá um grito de dor e é levado para o mesmo hospital onde está o corpo de Kennedy passando por autópsia. Os médicos examinam Osvald e o deixam morrer de dor, alegando que não podem fazer nada por ele.

O mundo fica em polvorosa. O caixão de Kennedy é embarcado em um avião da Força aérea. Alguém se lembra que os EUA está sem presidente. Chegam para Jonhson e dizem: o Sr é o presidente ! – ele: eu ? – não ! – terá que prestar juramento agora ! – mas tragam Jackie também, pede ele. E ali mesmo, próximo ao caixão de Kennedy, e com Jackie, com a roupa manchada de sangue, Jonhson presta o juramento de presidente dos EUA.

Dias depois, após um cerimonial que envolveu todas as personalidades do mundo, Kennedy é sepultado como herói americano. Em um simples cemitério da periferia de Dallas, o corpo de Osvald é enterrado como indigente – presentes apenas o coveiro e a sua mulher.

O fim de tudo

Dois anos depois Jackie Rubi, o vingador de Kennedy morre na prisão de câncer no estômago – ninguém chorou por isso.

Anos depois Bob Kennedy é assassinado quando visitava uma lavanderia em um hotel. O velho Kennedy, com esse choque derradeiro, perde a voz e fica em uma cadeira de rodas, morrendo logo a seguir.

São 23 hs – San Giancana frita lingüiças na cozinha. Um desconhecido bate a porta. Ele abre, conversam. O estranho dá vários tiros na cara de San Giancana, que fica caído na cozinha, em meio a uma enorme poça de sangue.

Hoover, que cuidava da vida de todo mundo, não pode mais cuidar da sua, morrendo também.

Jackie Kennedy, como senhora Onassis, morre de câncer mais tarde.

Resta um senador dos Kennedys, que sofre também um sério derrame e fica incapacitante.

Temos ainda, como herdeiro das tradições dos Kennedy, Jonh Kennedy – filho do ex-presidente. Ele não é político mas gosta de pilotar. Há uma festa de família a uma hora de carro de onde ele está. Ele prefere pegar o avião. É de tarde e o tempo fecha, chuva, granizo, tempestade. Ele se perde no mar e morre em acidente.

O que restou de tudo isso, é um nome que todo mundo sabe.

Comentários