O homem do “Xô Inveja”

12 jun 2013

edimar-pai

Como não me lembrar daquele sujeito de voz grave chegando a primeira vez na Tem de Tudo Variedades, na Avenida Presidente João Pessoa, local onde eu trabalhava, oferecendo os seus produtos artesanais, da maneira ímpar que só ele tinha.

Sendo o gerente do setor de compras e responsável pelo bem andar daquela empresa, eu era o encarregado de receber todos os vendedores e fornecedores da loja. Foi quando Edimar (o pai) se apresentou como vendedor de artigos de sua autoria, e mencionava assim:

– Ei garoto, seu patrão me mandou aqui mostrar umas mercadorias, disse que esse negócio de compra era com você.

Eu meio que sem muito interesse, tentei já “brochar” a venda.

– Quem disse que ele deixou?

Foi logo falando:

– Rapaz, só você não vai ter esse produto aqui na sua prateleira. Eu vendo isso feito água aonde passo.

Não teve jeito, o danado conseguiu me convencer e aprovar uma compra de um monte de “Xô Inveja”, uma espécie de vasinho feito com copo descartável com uma haste de madeira do tipo palito de picolé e uma flor de e.v.a., no meio da flor tinha uma colagem de sementes de girassol, dentes de alho e uma pedrinha no centro.

E não é que ele tinha razão! O Xô Inveja” era um produto bem vendável, e pelo menos duas vezes ao mês ele frequentava a loja para conferir se ainda tinha estoque de sua mercadoria.

Depois ele foi inovando e fabricando mais produtos artesanais, como Xô Invejas mais sofisticados, chaveiros personalizados para motociclistas etc.

Passei a ter uma espécie de convivência com Edimar, já que ele era pai de outro Edimar, companheiro de conversas noite adentro na Praça da Catedral e em diversos outros lugares.

Como me esquecer das festas de final de ano, como Natal e Ano Novo, quando saíamos todos juntos para uma churrascaria, e a figura carismática de Edimar (o pai), com aquele seu jeito folclórico de pedir o churrasco para o garçom, de maneira quase moleque, com seu jeito engraçado de falar. Figura folclórica que nos deixou na madrugada da última segunda-feira, aos 62 anos de idade.

Foi-se uma das figuras mais irreverentes que conheci. Pessoa essa que vai fazer uma falta danada quando nos reunirmos nos próximos finais de ano.

Fica aqui registrada a minha humilde homenagem a José Edimar Soares Gomes, o “homem do Xô Inveja”.

Álisson Oliveira
ahalisson@gmail.com

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