O homem e a transposição

12 abr 2017

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No ano de 2008 escrevi um texto intitulado “Água! Água?”. Falei sobre a água e a humanidade. Falei da sonhada transposição do São Francisco e as dificuldades do projeto sair do papel, além de ter questionado se o problema era realmente a falta de água.

Ponderei que passava o tempo, mudavam os homens, mas as ações perduravam. Seguiam os atos de destruição dos mananciais de água, a poluição tornando-a imprestável ao consumo humano, além de matar peixes e comprometer o mundo aquático.

A seca, sempre que mostra sua face desenha pranto e desespero. Desde do Século XIX que o nordestino sonha com a transposição do Velho Chico. Ela chegou, as águas banham as terras áridas da Paraíba, enchendo rios, açudes e barragens. Renova a fé do povo que tanto esperou por esse dia.

Mas, é importante registrar que a miséria da estiagem era transformada na maledicente indústria da seca, onde políticos se aproveitavam para construir currais eleitorais. Com a transposição, um ponto de semelhança entre o passado e o presente apresenta-se, é a inaceitável indústria do voto, como se o povo continuasse sendo massa de manobra. Assistimos nos últimos dias a cidade de Monteiro receber políticos e políticos, fazendo festas e anunciando serem detentores do grande feito.

Mas o importante é que água chegou. Agora, é saber como vai ser utilizada, pois na minha terra Pombal passa o Rio Piranhas que segue perene para Açu-RN e as águas não são até hoje corretamente aproveitadas. Ou o homem muda, ou nada mudará. Espero a água lave a corrupção, a indústria do voto, sepulte a seca e promova significativo desenvolvimento sustentável.

Se assim não for, a água não era o problema. Sou da esperança e da fé em dias melhores!

Onaldo Queiroga
onaldorqueiroga@gmail.com

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