O lado Literário de Marinalva Freire da Silva

18 set 2015

Luiz Fernandes da Silva
Escritor. Poeta.

Há muitos anos acompanho a carreira da professora poetisa, escritora e pesquisadora Marinalva Freire da Silva, um nome que tem se destacado nas Letras paraibanas. Marinalva iniciou sua carreira com o lançamento do livro Ditames do coração (poesias), lançado em Madrid, Espanha, em 1988 e em João Pessoa, em 1991, logo que regressou do doutorado na Espanha. Em seguida, começou a colaborar com a Imprensa local com artigos sobre a Educadora Daura Santiago Rangel, o historiador Adauto Ramos, e Augusto dos Anjos, todos bem recebidos pela crítica. Anos após, traduziu o livro Eu de Augusto dos Anjos para o espanhol, o qual recebeu o beneplácito do público e da crítica literária brasileira.

Daí, a importância de seus trabalhos. Cada livro seu é uma grande festa e, dia a dia, ela tem crescido com suas obras.

Ressalto ainda outros livros de seus sábios pensamentos, entre os quais, cito o interessante trabalho, a meu ver, histórico- Semântica Toponímica dos Municípios Paraibanos (2007), em parceria com Eneida Dornellas e Rinaldo Brandão, dois professores da Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. No aspecto histórico, ela mostra os fatos e acontecimentos do passado da nossa Paraíba; no aspecto linguístico, apresenta a origem dos nomes das cidades, resgatando a cultura indígena.

Organizou várias obras, para prestigiar alguns colegas professores e incentivar seus alunos a escreverem, publicando seus escritos: O Despertar da cultura (2008); Na trilha da Transdisciplinaridade (2012); Um olhar sobre a Pedagogia Moderna (2012) entre outros. Surpreendeu-me com a publicação de O Universo Poético de Luiz Fernandes, quando reuniu todos os livros de minha autoria e alguns poemas soltos, e, juntamente com seu monitor e grande companheiro de estudos, Rafael Francisco Braz, organizaram uma antologia, em 2010, cujo lançamento foi feito no Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba com grande plateia.

As obras desta figura singular percorrem vários estados brasileiros, pois ela faz parte de um grupo de 20 corajosos professores de vários estados, que apoiaram a Embaixada da Espanha no Brasil para a implantação dói ensino do idioma cervantino. Pertence a várias academias literárias no Brasil e no exterior. Sempre é alvo de homenagens justas, fora da Paraíba, a exemplo, de Aracaju, Teresina, Rio de Janeiro entre outros.

Marinalva sempre repete que “a simplicidade é a maior palavra em matéria de sabedoria. As homenagens recebidas são injeções de ânimo para prosseguir. Não posso esquecer que ela recebeu o Diploma de Delegada dos Direitos da Pessoa Humana, concedido pela Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba. Ela é uma espécie de missionária da paz, da educação e da cultura. É uma pessoa inquieta, e incansável. Sempre diz que descansará na eternidade que é muito longa. Não abandona a sala de aula, pois se preocupa muito com a juventude, razão maior de sua labuta. Sempre tem tempo para os que a buscam, ajuda sem distinção de cor nem de classe social. Preocupa-se muito com os garotos e moradores de rua, sempre tem uma palavra para eles, mesmo sabendo ser quase em vão. Mas nada custa dar um sorriso e uma palavra de consolo aos excluídos.

Como podemos ver, esta paraibana é dotada de extraordinário talento. Uma prova disto está no seu livro já esgotado Uma releitura do Eu de Augusto dos Anjos nos 100 Anos de Ausência. Este livro foi muito comentado e elogiado pela crítica tanto na Paraíba como em outros estados brasileiros, pois á linguagem de Augusto dos Anjos não é fácil nem agradável aos ouvidos. Mas esta escritora utiliza uma linguagem doce, na obra a ponto de levar os jovens a gostar de ler nosso poeta maior. Certa vez em conversa com o imortal Ascendino Leite, ele que prefaciou a obra “Augusto dos Anjos: Vida e poesia”, de Marinalva, me disse que não apreciava muito a linguagem do poeta, mas gostava de ler o que a ela escrevia sobre o vate o paraibano. O mesmo pensamento tinha o cônego Marcos Trindade do UNIPÊ, que externou isso à autora.

Marinalva não tem a vaidade de buscar palavras difíceis e bonitas, prefere usar uma linguagem pedagógica para o alcance dos jovens e/ou estudantes. Não se preocupa em escrever para um público de seu nível intelectual, mas para a juventude, principalmente.

A crítica literária Neide Medeiros, em Assim se faz literatura (2013), obra que organizou em parceria com Marinalva, prefaciando a obra, escreve:

Fiel ao pensamento barthesiano, a professora Marinalva Freire da Silva selecionou diversos textos ligados à literatura para compor a coletânea Assim se faz literatura… São textos que caminham do literário para o lingüístico, do antropológico para o social, seguindo sempre uma ordem coerente no que concerne ao debruçar-se sobre o texto literário ou científico.

Escreveu também as plaquetas sobre a vida de seus patronos Nas academias literárias às quais pertence: Amelinha Theorga Ayres, a paisagista do mar. Representante da Pintura contemporânea na Paraíba; Juarez da Gama Batista: o ensaísta-contista que faz a diferença e Humberto Campos Veras: o maranhense de garra, além da plaqueta em homenagem ao imortal Joacil de Brito Pereira: Joacil de Brito Pereira: uma figura singularíssima.

O que caracteriza nos seus livros é a inteligência criadora e uma energia expressiva que avança na sua escalada literária, além de uma inspiração elevada, linguagem corretíssima que marca sua trajetória cultural. Sem dúvida alguma, Marinalva Freire mostra leveza e segurança em cada página dos seus livros, um punhado de palavras novas num linguajar rico e os melhores momentos dos seus pensamentos.

Empolga-me sempre ver e ouvir que seus livros vêm recebendo cada vez mais elogios aos seus trabalhos e às suas constantes palestras.

É multi e transdisciplinar. Escreve artigos sobre os grandes representantes da literatura brasileira (Machado de Assis, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Augusto Anjos, Humberto de Campos, Lya Luft,..) , espanhóis ( Camilo José Cela, Miguel de Cervantes, Federico García Lorca, Ramón Jiménez., Pío Baroja, Rosalía de Castro,,,), latino-americanos (Gabriel García Márquez, Isabel Allende, Octavio paz, Juan Ruffo…) entre outros cânones da literatura, como Umberto Eco.

Pessoa muito confundida devido à sua excessiva simplicidade, passa sua vida entre os familiares e seu pequeno escritório onde produz tantas maravilhas literárias.

Sempre se faz presente nos eventos para prestigiar escritores. No dia 26 de maio deste ano, foi está sendo homenageada com a Medalha de Honra ao Mérito Cultural pela Academia de Letras e Artes de Paranapuã – ALAP, no Rio de Janeiro, da qual faz parte. Esta filha é um orgulho para a Paraíba.

Marinalva, uma grande discípula de Dona Daura Santiago Rangel, aprendeu com aquela importante mestra colocar um pingo de amor em tudo o que faz, e faz com muito esmero, muito amor, muita garra. Aposentada da UFPB e da UEPB, ainda dá aula, na qualidade de professora convidada, na Faculdade de Goiana-PE à noite, para onde viaja três vezes por semana, é realmente incansável. É muito amada pelos alunos, que os trata como seus filhos do coração. Professora de várias gerações, é sempre lembrada e amada pelos seus ex-alunos e amigos. Ela os acompanha ao longo de suas trajetórias tanto se alegra como sofre com e por eles.

Vejam quão carismática é nossa querida Mestra Marinalva, que exerce um poder de influência sobre alunos e ex-alunos, sendo considerada uma “fada-madrinha’. Vejamos um belíssima crônica que lhe foi dedicada por um dos ex-alunos da UEPB, por quem ela tem grande admiração, acarinho e gratidão, Magno Holanda:

Tributo a Marinalva Freire

… sabe, amigos leitores de mim, algumas vezes na vida temos experiências fantásticas, reveladoras de Deus. Parece que algumas vezes olhando para pessoas, gestos ou acontecimentos vemos ali a presença do Espírito de Deus. Quero aqui relatar que tive num certo momento de minha vida um desses encontros com Deus, onde pude contemplá-lo em carne e osso e, principalmente, em gestos de amor – humanitários, que nos fazem acreditar cada vez mais na força do bem e do amor.

Percorrendo os corredores da Universidade Estadual da Paraíba [UEPB], ainda no antigo prédio, percebi ali um vulto misterioso, simpático – mãos santas que passaram por mim, naquele instante com muita luz – E não me disse nada com as palavras…

Pude em momentos diversos ter acesso àquela pessoa que me ensinara, sem palavras, a ser uma pessoa melhor e mais humanitária – era Deus me educando e dizendo para mim que no mundo há pessoas que iluminam o céu como as estrelas.

…era a professora Marinalva Freire, Mestre [no sentido mais original da palavra], iluminadora e amiga dos alunos. Talvez não tenha o reconhecimento merecido por parte daqueles que são mestres ou doutores apenas em diploma, mas tolos na própria vida. Certamente tem o reconhecimento de si mesma e o orgulho das ações que ajudaram a tantos alunos, necessitados de um colo materno e educador, coisa que tanto se fala no meio acadêmico, mas pouco se pratica. “Daí a honra a quem tem honra”.

Agradeço a Deus por conhecê-la e por sua amizade.

(in Blogg 08-02-2015)

Na realidade, se trata de uma mulher culta e enigmática. Amante dos livros e conhecedora profunda do poeta Augusto dois Anjos e de nossa cultura. Sua bagagem cultural ocupa lugar elevado no panorama das nossas letras.

Querida prima, vou aqui transcrever um dos vários poemas que lhe dediquei e se encontra em minha antologia poética:

VOCÊ

Leio no mistério dos teus
Olhos o sonho se rebelando
No abater do mundo.
A mão traçando
O destino da tua glória,
O riso infantil enfeitando mundos,
Recordações esverdeadas,
Pensamentos vagos
No olhar da aurora
Da tua simplicidade
Escorrendo pelo olhar
Tua segurança
Caminhando pelo cotidiano
E os teus gestos tropeçando
No teu rosto.
Tua experiência voando
Com os teus olhos atentos a tudo
Para trazer
Um pouco da tua cultura.
(Luiz Fernandes da Silva)

Em síntese, esta a descrição apresento sobre Marinalva, no livro “Perfil Biobliográfico- um exemplo admirável”, que estou escrevendo juntamente com Rafael Francisco Braz, um dos alunos-modelo desta insigne mestra e, em breve estaremos entregando ao público para conhecer esta figura singular como pessoa e missionária da educação e da cultura.

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