O LONGEVO SEVERINO ESPALHA

2 jul 2013

CLEMILDO BRUNET

“Com os idosos está à sabedoria, e na longevidade o entendimento” Jó 12:12

Na revista Superinteressante encontramos o seguinte relato: A marca tida como limite da longevidade humana é de 120 anos. “Ao longo da História, há registros de gente com 120 anos, mas esse é apenas um número mágico, sem comprovação científica”, explicou à SUPER a professora de Genética Marília Cardoso Smith, da Universidade Federal de São Paulo (2). Na verdade a ciência tem conseguido aumentar a idade média, mas não a idade máxima.

SEVERINO ESPALHA

Poucos o conhecem por nome de batismo – SEVERINO PEREIRA – no entanto, muitos ao ouvir falar “Severino Espalha” ficam logo sabendo de quem se trata. Não é meu contemporâneo, entretanto, nossos primeiros contatos foram feitos por ele, via telefone no Programa “Saudade Não Tem Idade” na Radio Opção 104 FM, pois como ouvinte sempre nos prestigiava com sua audiência solicitando músicas que eram de seu gosto. Em determinado dia fui até a sua residência e fiz-lhe uma visita. Percebi que tínhamos algo em comum – ouvir música e música de qualidade. Desde então, tornamo-nos amigos.
ESPALHA: ORIGEM…
Segundo o Professor Francisco Vieira no artigo A FAMÍLIA “ESPALHA” E SEUS MENESTRÉIS… A origem do apelido “Espalha” remonta ao Século XX. É que Zé Espalha pai de Severino era um homem de mesa farta e tinha por costume ser cortês com as pessoas oferecendo café diariamente em sua residência e para isso espalhava assentos. “A prática tornou-se uma constante de forma que os frequentadores diziam em tom de brincadeira: vamos ao café que Zé já “espalhou” os bancos”. Daí, “a denominação “Espalha” foi dada a todos os seus descendentes e familiares se difundindo por toda região” disse Vieira. Por sinal, cotidianamente esse gesto de oferecer café aos amigos tem sido uma constante na vida do nosso homenageado.

Severino Espalha não chegou a conhecer sua mãe, pois esta faleceu quando o mesmo ainda era criança de colo, sendo criado pela sua irmã mais velha Dôra. Não teve praticamente a oportunidade de estudar e só sabe assinar o nome. Foi uma infância difícil; aos 07 anos de idade seu pai a quem ele tinha por costume de acompanhá-lo nas pescarias, veio a falecer. Devido sua precária condição de vida começou logo cedo a trabalhar para sua subsistência.

ENCONTRO COM ANTÔNIO SILVINO (CANGACEIRO)

Aos 10 anos de idade certo dia, indo à cidade levando seu estilingue, (pois matava pombos para se alimentar) de repente deu de cara com o famoso Cangaceiro Antônio Silvino no Hotel de Chico Claro, vindo o cangaceiro a lhe pedir para carregar sua mala até o local onde um cidadão de nome. José do Egito alugava cavalos como meio de transporte da época. Antônio Silvino lhe pagou a quantia de dez mil réis, dinheiro este que rendeu a Severino Espalha, uma jumenta para colocar água, roupas e ainda lhe sobrou algum trocado. Aos 16 anos de idade foi trabalhar na estrada de Ferro com os cabouqueiros “carregadores de aço” sob o comando de China seu irmão.

Severino Pereira ou Severino Espalha como é mais conhecido nasceu em Pombal-PB no dia 02.07.1922 completando 91 anos de idade, uma dádiva divina para com poucos da sua geração. Pelo seu calibre de “Bon vivant” muitos duvidam que ele tenha alcançado essa longevidade e atribuem falhas no registro civil.

De família muito humilde entre pescadores, pedreiros, agricultores e, também de excelentes músicos e seresteiros como Bideca (bandolim), Doutor Espalha, China e Chico de Dôra (Violão), João Espalha (Gaita), Chico Espalha (corneta e tarol) Dedé Espalha, Ressaca e Tião (Percussão), Leonardo e Cicinho (Cavaquinho) dentre outros.

Criou-se na Rua da Cruz onde ganhou o apelido de “taioca” devido ao seu cabelo de cor da formiga de mesmo nome. Foi pedreiro, agricultor, pescador, dono de cassino e comerciante nos anos 60, proprietário da conhecida mercearia ideal, hoje no local GPS bicicletas na Rua Domingos de Medeiros. Casou-se uma única vez com Ozana Lopes Pereira (in memória) também natural da região (Sítio André hoje município de Paulista) e tia da atual prefeita de São Domingos, Odaísa Queiroga.

                 VALDIR E SEU PAI SEVERINO

Em 1968 rumou para Brasília com a esperança de uma vida melhor para os cinco filhos dessa união: Valdir Mendonça, formado em Letras, técnico educacional pelo Ministério da Agricultura, aposentou-se ano passado, Maria Gecezilda Pereira  (formada em ciências contábeis e funcionária pública federal da CONAB), João Bosco Pereira (Técnico em Telefonia e Informática), Rita Lopes Pereira, dona de casa e a caçula Maria Eliana Pereira, formada em ciências sociais e  funcionária pública da Eletronorte.

Em Brasília trabalhou de pedreiro, vigilante e gerente de lanchonete na galeria de lojas do famoso Hotel Nacional de Brasília, por mais de uma década entre os anos 70 e 80, quando regressou de vez a Pombal, por não adaptar-se ao estilo vida da capital federal. Infelizmente a família não o acompanhou nesse retorno por motivos óbvios de crescimento profissional e o sonho de conquista tão almejado por todos aqueles que migram para os grandes centros urbanos.

Durante os anos de residência em Brasília, viajava com muita frequência à Pombal, para rever amigos, familiares e pagar promessa a Nossa Senhora do Rosário, ocasião da festa tradicional.

Dessa árvore genealógica, são inúmeros netos e bisnetos e pelo andar da carruagem pode advir num futuro bem próximo algum tataraneto.

SEVERINO ESPALHA

Aposentou-se pela previdência social há muitos anos e continua residindo na antiga Rua da Cruz. hoje Rua Domingos de Medeiros onde preserva suas raízes nesse convívio social ao longo do tempo. Por esta data especial nossos parabéns, desejando muita saúde, paz, harmonia e os votos de que o criador do universo lhe conceda mais longevidade.

Amigos e familiares.

 

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