O médico e a tempestade

15 maio 2017

Num entardecer de março de 1948, meu pai, Antônio Queiroga, que morava em Pombal, na casa de sua irmã Marly, sentado na calçada, conversava com o irmão Avelino. Conversa vai, conversa vem, o relâmpago começou a cortar os céus. Marly, então, disse: – “Vem muita chuva. É melhor entrar”.

Meu pai e Avelino foram dormir no primeiro quarto. Armaram as redes e perceberam que a chuva começou a cair forte. Relâmpagos, seguidos de muitos trovões. Num dado momento, um relâmpago clareou, demoradamente, todo o céu. Antônio e Avelino esperaram o trovão, na certeza de que ele seria enorme. Passaram alguns minutos e nada do trovão. Foi quando abruptamente uma sequência de estrondos apocalípticos quebrou o silêncio da noite, sacudindo, com uma força equivalente à de um terremoto, toda a cidade de Pombal.

Em seguida, um silêncio sepulcral, que foi quebrado pelos gritos de alguém desesperado, vindos da porta de entrada da casa de Marly, chamando: – “Dr. Avelino! Dr. Avelino! Nos socorra pelo amor de Deus! Avelino, levantou-se e atendendo o chamado médico, com seu irmão Antônio, foi até a casa de Chico Galego, socorrer a sogra do mesmo. Lá chegando constatou o óbito da aludida senhora, vitimada de um infarto fulminante no momento do terrível trovão.

Dali seguiu para a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, onde o sacristão Carlos estava desmaiado, pois no instante do imenso relâmpago sofreu uma descarga elétrica enorme. Por sorte o mesmo sobreviveu. Já saíam da igreja quando tiveram que ir ao Circo Nerino. O trapezista sofrera também uma descarga elétrica e veio a desmaiar. Graças a Deus não morreu.

Entre relâmpagos e trovões o sertão viveu uma noite de horror!

Onaldo Queiroga
onaldorqueiroga@gmail.com

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