O Parque Cultural O Rei do Baião

3 mar 2017

(*) por José Romero Araújo.

Louvados sejam os representantes do gênero humano que valorizam sua cultura, sendo conscientes que a preservação das tradições tangencia-se com a própria idéia de identidade intercalada com o espaço vivido, aonde foram formados os elos de reconhecimento que nos transmitem o sentido da regionalidade que de forma efetiva conduz para o processo coletivo de construção social que catalisa a originalidade das manifestações humanas que são reconhecíveis plenamente em razão de estarem em consonância com o conjunto de idéias, comportamentos, símbolos e práticas sociais que caracterizam um povo.

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O legado Gonzagueano desperta fascínio em considerável parcela do povo nordestino apto a manter acesa a chama da identificação regional, tendo em vista que nenhum artista antes do grande sanfoneiro do riacho da Brígida havia conseguido sintetizar através da musicalidade a essência da própria nordestinidade.

A consciência de que a Paraíba deveria render tributo ao eterno Rei do Baião exponencializou-se magistralmente através de renomado advogado, radialista e articulista cultural de nome Francisco Alves Cardoso, responsável pela estruturação de importante Parque Cultural, criado em 20 de agosto de 2007, dedicado a Luiz Gonzaga e tudo que envolve sua figura mítica atrelada de forma indissociável ao contexto cultural nordestino.

Distando cinco quilômetros da zona urbana do município de São João do Rio do Peixe, o Parque Cultural O Rei do Baião está localizado na comunidade rural São Francisco, seguindo, enquanto próprio sentido filosófico, passos de seu congênere histórico estruturado por Gonzagão em Exú (Estado de Pernambuco).

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Visando assinalar a importância de Luiz Gonzaga no cenário cultural que começava a se consolidar no sertão paraibano, o idealizador do Parque Cultural O Rei do Baião instituiu o primeiro Festival de Músicas Gonzagueanas no ano de 2008.

Tanto a primeira versão como a segunda efetivaram-se nas dependências do CLIMA, na cidade de São João do Rio do Peixe, mas a partir de 2010 houve a transferência do importante evento para ser realizado no palco da Fazenda São Francisco, a qual abriga toda estrutura do Parque Cultural Rei do Baião.

Sanfoneiros famosos em toda região começaram a despertar atenção para a fabulosa manifestação cultural que acontece anualmente na zona rural do município paraibano de São João do Rio do Peixe, a qual ocorre invariavelmente em agosto, pois foi a dois desse mês no ano de 1989 que Luiz Gonzaga encantou-se para alegrar o Paraíso Celestial.

Ano após ano aumenta o número de participantes concorrendo com sua arte a fim de manter vivos a memória e o legado do mais fantástico agente cultural nordestino de todos os tempos, cuja luta em prol da consolidação dos autênticos valores culturais de sua terra e de sua gente transformou-o em referência fabulosa para a concepção de Nordeste enquanto região.

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Grandes artistas como Chico de Tereza, Estrela do Norte e o garoto-prodígio Cícero Paulo, entre outros e outras, tornaram-se referência no que diz respeito à história da realização do Festival de Músicas Gonzaguenas, pois venceram com brilhantismo o importante evento em louvor á arte imortal do dileto filho das terras de Exú. Nos anos de 2012 e 2013, Cícero Paulo venceu consecutivamente o Festival de Músicas Gonzagueanas.

Em 2012 foi agregado ao festival de Músicas Gonzagueanas o Concurso de Poesia em Homenagem ao Gonzagão e seus seguidores. No ano de 2016 houve a quinta versão do já famoso CONPOZAGÃO.

A partir de 2015 houve a integração de duas novas categorias de concursos, atreladas ao carro-chefe do já conceituado evento cultural paraibano. Foram lançados os prêmios Lembrança do Ídolo e A Carta.

Em 2017 haverá a décima versão do Festival, a qual certamente exibirá conotações históricas enfáticas, pois a dedicação que o idealizador vem fomentando ao seu projeto ousado e abnegado de perpetuação e de divulgação da arte gonzagueana garante-lhe lugar privilegiado diante do respeito que deve ser devotado àqueles que realmente fazem para que o povo nordestino orgulhe-se de ser uma raça forte e original em sua produção cultural mais autêntica.

(*) José Romero Araújo. Geógrafo (UFPB). Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia (DGE) da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (FAFIC) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA – UERN – 2002). Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP) e membro da Associação Mossoroense de Escritores (ASCRIM).

FONTE: http://defato.com/blog/cesar-santos/2016/11/06/o-parque-cultural-o-rei-do-baiao/

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