O PERU DE NATAL

2 mar 2015

PeruRecheado

Natal é tempo de encontro, de partilha, de união, de amor e de confraternização. As famílias, todas, independentemente de classe social, fazem questão de passar essa data juntos. Faz parte dessa tradição a ceia de natal. Para os que têm uma condição mais favorável, é também sinônimo de mesa farta, uma linda árvore e muitos presentes a serem trocados.

Devemos destacar que a vida é muito generosa conosco, humanos, uma vez que temos chance de termos duas famílias, de igual importância: a natural, formada pelos pais, tios, avós, primos, sobrinhos, entre outros mais; e a segunda, formada pelos amigos verdadeiros, companheiros de longas datas, com os quais podemos contar sempre.

Em sendo assim, quando nossa primeira família não pode estar conosco no natal, para festejarmos juntos o nascimento do Menino Jesus, orando em agradecimento por tudo que ele nos tem proporcionado, nos reunimos com a segunda família, os amigos, e nos confraternizamos com a mesma alegria e com o mesmo espírito do natal, numa linda ceia, organizada com carinho e cuidado.

Como é do conhecimento de todos, nessa ceia há todos os tipos de guloseimas: arroz de forno, à grega, saladas de todos os tipos, farofa, tortas salgadas e doces, lombo, salpicão, queijos variados, rabanada, sobremesas variadas, chocolates, entre outros. Contudo, o prato mais famoso da noite é o peru, que na nossa família tem um fornecedor certo há anos.

Este ano, o peru veio pelas mãos do nosso fornecedor, mais chique do que nunca: numa peça de baixela de inox da melhor qualidade, com uma luxuosa tampa, que só nos permitia ver algumas pontas das folhas verdes sobre as quais estava o peru. Quem recebeu a preciosa encomenda foi nosso jovem advogado, de sangue puro e olhos azuis, e sua irmã, pois estavam bem próximos à porta.

Como já nos alertou um velho ditado, que curiosidade matou um gato, não é que o jovem advogado levantou a tampa, e admirado observava o peru. Sua irmã vendo o trejeito da cabeça e a expressão do irmão, aproximou-se e também mirou atentamente a ave. Uma terceira pessoa, uma velha amiga, sem ser notada, coloca a cabeça entre os dois, e depois de alguns minutos solta: “ Oxe, esse peru tá parecendo mais é um sapo!”. Os três riem, recolocam a tampa e saem ao encontro dos demais.

Na hora da ceia, porém alguém fala: “esse peru tá faltando um quarto!”. A confusão foi instalada. Era um fala daqui, fala dali. O fornecedor levantou-se e falou, com a nota da compra na mão:

_ olha aqui, custou-me sessenta reais. Um peru completo e grande!

O dono da casa, então gritou:

_ já vi muito bicho aleijado; jumento, vaga, carneiro, cachorro, bode, mas Peru de Natal foi o primeiro.

O fornecedor, zangado, reclamava. E a velha amiga, calda, pensava:

_ Bem que meu pai me ensinava que em boca fechada não entra mosca!

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