O que dizer num lançamento de livro

21 dez 2017

Por João de Sousa Costa*

O que dizer num lançamento de livro em que você mesmo fez a apresentação?

Para este discurso eu preparei 50 laudas, por isso serei breve, vou ler apenas uma, peço paciência.

“Tem gente que dá gosto sermos contemporâneos dela e é uma alegria sabermos que vivemos no mesmo mundo e ao mesmo tempo de gente assim”.

Eu conheci uma pessoa assim na infância e também na adolescência e ainda conheço hoje, pois chegamos a este século XXI, na condição, para usar termo novo e recorrente, na condição de resilente. Refiro-me a Clemildo Brunet de Sá.

É preciso que Pombal veja em você, Clemildo, além do homem de comunicação, precursor e referência para várias gerações como, por exemplo, um singular caso de resiliência; sua capacitada de lidar com os problemas, que você enfrentou, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, algum tipo de evento traumático.

Todos somos forçados a passar pela porta do surto psicológico, emocional ou físico, mas você, como o resiliente que é, soube encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades, e aqui está você entre familiares e amigos, admiradores, planando no universo que sempre conspirou mais vezes contra que a favor dos homens.

Clemildo, todos sabem, é homem de comunicação, que chegou a condição de pioneiro da radiodifusão desta terra que também é a minha terra. Pombal encontra você, agora, na condição de escritor que se firma como referencial da cultura nossa.

Clemildo, como você, aqui neste ambiente também tem outros pombalenses que burilam palavras e nesta noite, devido a uma conspiração do universo, estamos numa universidade, um templo do conhecimento científico.

O que dizer numa noite de lançamento de livro. Milhões de palavras são ditas, desses milhões de palavras buriladas, poucas são escritas; das escritas, poucas são publicadas, das publicadas poucas viram livros; dos poucos livros publicados, poucos são lidos, dos lidos, poucos ainda são compreendidos, porque o escritor é responsável por aquilo que escreve, não pode ser responsabilizado pelo os que os outros entendem. Eis o mistério do livro.

“Memoriais & Legados”, combina os relatos de Clemildo Brunet, ele que é apenas um ramo da família Brunet, com o legado do próprio clã que se materializa através dos seus feitos e escritos.

Especialmente quando se trata de resgate da memória de um tempo. Este livro ao tratar da trajetória no tempo da família Brunet, do seu patriarca e do seu legado, um certo e notável, Napoleão, tornado timoneiro de uma nau que lançou âncoras nesta Arraial; tal qual um Teodósio de Oliveira; trata de outros personagens conhecidos e referenciados, e é isso que conta num livro de memórias, porque é um feixe de luz, lançado sobre o passado e pessoas que marcaram a vida desta comuna, como os médicos Atêncio Wanderley, Avelino Elias de Queiroga, que enveredaram pela política, em enredos e disputas no mesmo palco com outros pombalenses icônicos a exemplo de Paulo Perreira ou o velho Chico Pereira e muitos outros que dominaram a segunda metade do século XX, e mais outros que até esta data do século XXI influenciam a vida desta denominada vila por Teodósio de Oliveira Ledo de “Povoação do Piancó, ou Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó.

Amigos, estamos numa universidade, portanto em solo sagrado, e justamente por ser uma universidade e solo sagrado, é que observamos as tentativas para profana-la, pois vivemos um tempo sombrio, estranho, de maus presságios. Observem que os tempos bíblicos se repetem, basta olhar para o leito do Rio Piancó, mitigando água por sete anos de estiagem. Daí a importância de um livro como fonte.

Amigos, um livro é luz e se se trata de resgate de memória; e se ele lista legados, é como um farol. E, meus caros, na escuridão a melhor luz, não é a que está distante ou perto ou aquela a iluminar com mais força ou de intensidade fugaz; a melhor luz é aquela que seguramos; pois é esta luz que clareia e dá som ao redor, assim é este livro narrado e escrito por um homem que viveu o seu tempo, que para muitos é apenas um cidadão, de bem e do bem, mas para uns poucos como eu, é uma lenda.

E lembrem-se, o escritor também vive dos livros que vende.

Pombal, 16 de dezembro do ano da Graça de 2017.

João Costa

*João Costa é Radialista, Jornalista e Diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br e membro da bancada do Correio Debate da Rádio Correio da Paraíba em João Pessoa. Apresentador do livro Memoriais & Legados do Radialista e Escritor pombalense Clemildo Brunet de Sá.

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