O silêncio da madrugada

1 jun 2013

O silêncio da madrugada
Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 01/06/2013

O sol já iniciava os primeiros momentos para mostrar os raios de um novo dia, quando o destino unido ao silêncio da madrugada joga o jovem Valdemarques na terra seca, às margens da estrada que liga as cidades de São João do Rio do Peixe e Marizópolis, prostrando-o sem vida, e para sempre um ausente que iniciava os passos vitoriosos no meio da sociedade regional.

Foi, na verdade, uma madrugada cruel, desumana e que não ouviu sequer aos apelos da vida alegre da juventude que se prepara para as caminhadas felizes do dia a dia. Um jovem de apenas 32 anos de idade, nascido e criado na Fazenda Baixio do Gila, município de São João do Rio do Peixe, que morre sem deixar inimigo nenhum, como afirmam pensadores das gerações mais experientes do mundo atuante.

Falo assim, com forte emoção, pois Valdemarques fez parte, por muitos anos, dos movimentos organizados da Comunidade São Francisco, exatamente onde se realizam as grandiosas festividades em homenagem ao heroico Luiz Gonzaga. Ele fazia parte dessa história do Parque Cultural “O Rei do Baião”. Foi atleta, durante muitos anos, do famoso time de futebol Nova União de Cacimba Nova, campeão da Copa Difusora em 1998, uma competição histórica do Nordeste brasileiro.

Agricultor por amor próprio. Todos os sábados colocava a sua banca de frutas e verduras na feira livre da cidade de São João, era um dos mais procurados, exatamente pelo tratamento especial que dedicava aos seus fregueses.

O dia 30 de maio de 2013 transmitiu ao mundo essa notícia mais triste, patrocinada pela moto que viajava muito cedo para desleitar as vacas da fazenda, ao lado do pai Valdemar Marques. Ali, sozinho naquela estrada, sem ajuda e sem carinho, deixou a nossa comunidade regional para sempre, sem ouvir ao menos os gritos de pranto da sua estimada mãe, dona Chiquinha.

O Grupo União São Francisco e o “Caldeirão Político” prestarão especial homenagem ao saudoso Valdemarques, no dia 24 de agosto próximo, por ocasião das festividades do “Rei do Baião”, pois era ele um dos colaboradores do movimento e da organização esportiva regional.

A sua imagem ficará para sempre exposta no Parque de Luiz Gonzaga, ao lado de grandes figuras que escreveram a história da comunidade, até aqui, e com certeza continuarão implantando a luta pela preservação de muitas páginas que chegarão como fonte de resgate de memórias de grandiosidade regionais.

Nomes que pisaram àquelas terras abençoadas por Deus, visitadas por milhares de pobres e ricos, pretos e brancos, raças diversas, admiradores do “rei”, trabalhadores voluntários, certamente serão para sempre lembrados, respeitados, venerados, porque a história não pode morrer. A história é feita de coragem e Valdemarques era um desses corajosos, trazidos à terra pelo Deus Poderoso e por ele levado para trabalhar ao seu lado, como prêmio pelo bem feito entre nós.

Lá nos céus, Valdemarques, diga ao criador que nós sentimos a sua falta, mas suportamos o duro golpe porque o chamamento veio de quem pode tudo e de quem tira de um lugar promissor para levar aos braços do redentor, a fim de receber agradecimentos, amor paterno e os diplomas sagrados da beleza universal.

Valdemarques nasceu um dia. E os dias lhe conheceram. Os bravos contaram os dias. E os dias foram chegando. A magia diária caminhou rapidamente. Até que o dia chegou, silencioso, negro pela madrugada para consumir a sua vida. Dia sem luzes, sem amor e sem solidariedade. Dia que nunca sairá da nossa memória. Oh! Dia sem alma, levou o grande Valdemarques para passar o resto dos dias ausente de todos nós. Pelo menos enquanto o dia não levar a todos.

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