O sítio mal assombrado

12 nov 2013

Correm soltos por aí boatos dentre os habitantes de um pequeno sítio localizado na cidade de Cajazeiras, no sertão paraibano, sobre a existência de um casebre mal assombrado naquela localidade.

As assombrações começaram ainda na década de 1960, quando um agricultor e sua família foram barbaramente assassinados por causa de disputas de terra. Desde então, os moradores passaram a evitar o local, principalmente quando cai a noite.

Ruídos, gritos de desespero, choro de criança pequena e barulhos de panelas batendo eram ouvidos constantemente por quem passava próximo da residência. Algumas famílias resolveram que era hora de deixar aquele lugar, e muitas casas ao redor do casebre foram abandonadas literalmente.

O tempo passou e o mato tomou de conta do lugar, mas mesmo assim, os relatos de visões, de aparições e de barulhos só faziam aumentar. Ninguém era capaz de passar em frente à propriedade sem estar devidamente acompanhado, já que só de olhar para os restos da casa já dava o maior calafrio.

Um pobre roceiro conta que, quando retornava do campo, por volta de umas sete horas da noite, horário considerado improvável para aparições – mas quem disse que para assombração tem horário? – pois bem, esse cidadão relata que vinha voltando de sua humilde roça, quando notou que havia uma movimentação próxima da residência da chacina. Não sei porque, ao invés de sair na disparada, esse povo ainda se mete a besta de ir verificar o fato.

Pensando tratar-se de algum mau elemento rondando o sítio, o agricultor atravessou a cerca de arame, e com a enxada e a roçadeira na mão, foi tomar satisfações com o “meliante”.

O que se viu não tem descrição. Uma pessoa com roupa branca ensanguentada, andando de costas. Pra que o moço foi chamar a criatura que se deslocava até o cacimbão!

– Ei, você aí!

Quando a criatura voltou-se para o pobre desavisado, esse deu um pinote abandonando enxada, roçadeira, cabaça e saiu em desabalada carreira levando “nos peito” o arame farpado e tudo. Nem ao menos sequer soube como chegou em casa vivo. Só se sabe que ele mudou-se de lá com a família e que ninguém nesse mundo o faz voltar ali mais um dia. Era uma coisa horrível, uma aparição de um homem já maduro, todo coberto de sangue, faltando os dois olhos.

Muitos outros moradores afirmam que já avistaram o fantasma de mãe e filho pequeno rondando a casa da família assassinada. Coisa terrivelmente assustadora, porque a criança tem a barriga aberta dando-se para notar as tripas e o estômago de fora, enquanto a mãe não tem os seios, ao invés disso há um rombo nessa parte onde dá pra ver o coração batendo da criatura macabra.

Passado alguns anos, um turista que atravessava a região do sítio, precisou parar sua moto, pois começava a chover pesadamente, e sem que ele soubesse, adivinha aonde o pobre diabo foi se abrigar? Isso mesmo, na casa mal assombrada.

Como a chuva não dava trégua, ele resolveu que seria melhor tentar passar a noite naquele casebre. Os episódios que se sucederam durante a estadia do turista naquele lugar foram relatados da seguinte maneira: Desde o momento em que ele pisou no casebre, línguas de fogo, choro de criança e barulho de briga de casal foram ouvidos. O pobre coitado correu léguas dali e ligou a moto numa velocidade alucinante.

Provavelmente ele sobreviveu ao susto para contar a sua história, mas certamente, nunca mais esse cidadão põe os pés naquele lugarejo ou em outro casebre abandonado novamente.

Álisson Oliveira
E-mail: ahalisson@gmail.com

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