OS CRUÉIS CARROCEIROS

31 jul 2018

(Escrito: Francisco Alves Cardoso)

            Depois de uma série de pedidos, resolvi apresentar este trabalho pela segunda vez, por sentir a necessidade de alertar as autoridades locais quanto a esse grave problema.

            As minhas primeiras palavras são no sentido de que esta composição literária não seja considerada apenas uma crônica, e sim um trabalho que abre as cortinas para uma campanha muito séria e de muita coragem.

            Digo de muita coragem, pois sei que a classe reclamada não vai me perdoar. Mas sempre tive firmeza para enfrentar a verdade, seja de que forma ela seja apresentada.

            Eu sei que não vou ficar sozinho nesse esforço para falar com franqueza e agir com coragem. Todas as pessoas de bom coração ficarão solidárias comigo nessa campanha que de há muito venho empreendendo.

            Começo o meu trabalho alando de Luiz Gonzaga, o famoso compositor da música popular brasileira, orgulho de todo nordestino. Luiz Gonzaga diz numa de suas músicas: “Eu não posso ver ninguém sofrer”. E eu digo com ele: “Eu não posso ver ninguém sofrer, e muito menos os animais, porque eles não falam, não discutem e não sabem de nada”.

            Pois é sobre os animais que pretendo falar, e lançar neste dia a segunda etapa da campanha em sua defesa, especialmente dos burros, jumentos e cavalos.

            O nosso conhecido Padre Antonio Vieira, escreveu um livro que se tornou famoso no Brasil inteiro, pelo seu título: “O JUMENTO, NOSSO IRMÃO” Aquele sacerdote mostra a utilidade do jumento, e enfim prova que esse animal é nosso irmão.

            Eu não quero provar que os burros, os cavalos e os jumentos são nossos irmãos. Quero pedir apenas clemência por todos eles. Porque na família deles não há ninguém com inteligência para encaminhar uma petição ao juiz, ao prefeito, ou recorrer a outras autoridades, no sentido de que um freio sela colocado na mão dos malvados, dos cruéis, dos homens sem coração. Os burros, jumentos e cavalos sofrem calados. Não choram. Não falam. Não pedem nada. Apenas gemem, quando a dor é demais.

            Refiro-me, senhores, à crueldade dos carroceiros, que são marcados pela desumanidade. E aqui em Sousa, a malvadeza contra os animais é um verdadeiro absurdo, sem que haja providências por parte das autoridades policiais, a quem cabe coibir tamanha crueldade. E ninguém me diga que não, pois um cidadão que hoje é deputado estadual, quando foi delegado de policia proibiu esse tipo de malvadeza contra os brutos. Quem não se lembra do Coronel Luiz de Barros? Durante a sua gestão à frente da Delegacia de Polícia de Sousa fez com que esses desumanos parassem um pouco a sanha violenta contra os animais.

            A todo instante encontramos nas ruas de nossa cidade carroças puxadas por burros, jumentos e cavalos. Em cima das carroças uma carga das mais pesadas, várias pessoas sobre a carga e uma chibata assassina a bater no animal, às vezes tirando o sangue do pobre indefeso.

            A crueldade dos carroceiros é tão grande, que mesmo o pobre animal correndo à toda, com a enorme carga, eles continuam chicoteando. E aqui vai uma ressalva: poucos são os que usam chibatas. A grande maioria usa varas grossas, cacetes, e outros usam até ferro para açoitar os animais.

            Paciência gente, assim também é demais. É preciso ter piedade, e saber que os animais são feitos de carne e osso. Eles não reclamam de sua malvadeza porque não sabem falar. Se eles tivessem inteligência como os homens, certamente responderiam a vocês com a mesma moeda, ou como muitos fazem usando a faca-peixeira ou revólver, contanto que fossem respeitados os seus direitos.

            É triste se encontrar esses carroceiros pelas ruas usando todo tipo de escárnio contra os animais. Quem por ventura não tem dó de uma judiaria dessa? Será que o coração desses homens é de ferro ou pertencem ao diabo?

            Quero reativar a campanha, e por sinal uma campanha bem aberta, no sentido de proibir esse tipo de abuso e judiaria contra os irracionais. E para isso convido os clubes de serviços, as entidades culturais, as autoridades civis, eclesiásticas e militares, para juntos iniciarmos o combate contra esses cruéis carroceiros.

            Chamo a atenção dos senhores Delegados de Polícia da região para abraçarem essa campanha. A essa altura creio ser inútil fazer apelo, pois esses carroceiros são verdadeiramente desumanos. Eles andam encarapitados nas carroças, cheios de ódio, de ignorância e desrespeito. Para eles, a maior vaidade é massacrar os animais. Seria bom que eles também recebessem um pouco de castigo para saber se é bom ou não maltratar essas criaturas indefesas.

           

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