PARA NÃO ESQUECER

2 maio 2015

Eduardo Germán María Hughes Galeano, conhecido como Eduardo Galeano, nasceu em Montevidéu (Uruguai), no dia 03 de setembro de 1940, em uma família católica de de classe média de ascendência europeia (italiana, española, galesa e alemã). Seu pai foi Eduardo Hughes Roosen e sua mãe, Licia Esther Galeano Muñoz, de quem recebeu o sobrenome para seu nome artístico. Em sua juventude trabalhou como operário de fábrica, desenhista, pintor, mensageiro, mecanógrafo e caixa de banco, entre outros ofícios. Aos 14 anos vendeu sua primeira charge política ao semanário El Sol, do Partido Socialista, Na infância, Galeano tinha o sonho de se tornar um jogador de futebol; esse desejo é retratado em algumas de suas obras, como O futebol de sol a sombra (1995). Era muito conhecida sua paixão pelo futebol e, em especial pelo Clube Nacional de Football, paixão que compartilhava com Mario Benedetti.

Na adolescência, Galeano trabalhou bastante em empregos nada usuais, como pintor de letreiros, mensageiro, datilógrafo e caixa de banco. Aos 14, vendeu sua primeira charge política para o jornal El Sol, do Partido Socialista, no dia 13 de abril de 2015. Galeano iniciou sua carreira jornalística no início de 1960 como editor de Marcha, um semanário influente que teve como colaboradores Mario Vargas Llosa, Mario Benedetti, Manuel Maldonado e os irmãos Denis e Roberto Fernández Retamar. Foi editor do diário Época durante dois anos.

Contraiu matrimônio três vezes: a primeira, com Silvia Brando, com quem teve uma filha, Verónica Hughes Brando; logo, com Graciela Berro Rovira, com quem teve dois filhos: Florencia e Claudio Hughes Berro; finalmente, com Helena Villagra.

Durante seus estudos como bolsista em Paris, soube que Juan Domingo Perón havia dito: «Si ese muchacho anda por acá, me gustaría verlo». Galeano aproveitou uma as viagens para chamar ao telefone que lhe haviam dado, ainda quando não terminava de acreditar que fosse verdade. E o era, e foi recebido muito bem. Teve Tuvo uma longa conversa com o ex-presidente argentino no exílio, durante a qual lhe perguntou por que não dava notícias com mais freqüência, ao que Perón respondeu: “El prestigio de Dios está en que se hace ver muy poco”.

No golpe de Estado em 27 de junho de 1973, Galeano foi preso e obrigado a abandonar Uruguai. Seu livro Las venas abiertas de América Latina foi censurado pelas ditaduras militares de Uruguai, Argentina e Chile. Foi viver em Argentina, oportunidade em que fundou a revista cultural Crisis.

Em 1976, casou-se pela terceira vez. Voou a Espanha, onde escreveu sua famosa trilogia: Memoria del fuego (um passeio pela história da América Latina), em 1984. No início de 1985, retornou a Montevidéu. Em outubro desse ano, junto a Mario Benedetti, Hugo Alfaro e outros jornalistas e escritores que haviam pertencido ao semanário Marcha, fundou o semanário Brecha, do qual continuou sendo integrante de seu Conselho Editorial até sua morte.

Entre 1987 e 1989, integrou a “Comissão Nacional Pro Referendum”, constituída para revogar a Lei de Validez da Pretensão Punitiva do Estado, promulgada em dezembro de 1986 para impedir o julgamento dos crimes cometidos durante a ditadura militar em seu país (1973-1985).

Em 2010, O Semanario Brecha instituiu o Prêmio Memoria del Fuego, que está previsto que Galeano entregue anualmente a um criador que a seus valores artísticos some o compromisso social e com os direitos humanos. O primeiro galardoado foi o cantautor espanhol Joan Manuel Serrat, que recebeu o 16 de dezembro de 2010, no Teatro Solís de Montevidéu, a estatueta desenhada pelo escultor Octavio Podestá. O segundo galardoado com o prêmio foi Manuel Martínez Carril, renomado crítico cinematográfico e diretor histórico da Cinemateca Uruguaia, o maior arquivo fílmico de Uruguai e uma instituição independente e autogestionada emblemática por sua resistência cultural que, em 2012 cumpriu 60 anos de existência.

Em 2004, Galeano apoiou a vitória da aliança Frente Amplo e de Tabaré Vázquez. Escreve um artigo no qual menciona que o povo votou utilizando o sentido comum. Em 2005, Galeano, junto a intelectuais de esquerda, como Tariq Ali e Adolfo Pérez Esquivel se unem ao comitê consultivo da recente cadeia de televisão latino-americana TeleSUR. No México escreve para o periódico La Jornada.

Em janeiro de 2006, uniu-se a figuras internacionais, como Gabriel García Márquez, Mario Benedetti, Ernesto Sabato, Thiago de Mello, Carlos Monsiváis, Pablo Armando Fernández, Jorge Enrique Adoum, Luis Rafael Sánchez, Mayra Montero, Ana Lydia Vega e Pablo Milanés, na demanda de soberania para Puerto Rico. Além disso, firmaram na proclamação da independência do país.

Em fevereiro de 2007, Galeano teve êxito numa cirurgia para o tratamento do câncer de pulmão. Em novembro de 2008, disse sobre a vitória de Barack Obama:

La Casa Blanca será la casa de Obama pronto, pero esa Casa Blanca fue construida por esclavos negros. Y me gustaría y espero que él nunca lo olvide».

Em abril de 2009, o presidente venezuelano Hugo Chávez entregou um exemplar de Las venas abiertas de América Latina ao presidente estadounidense Obama durante a quinta Cumbre das Américas, celebrada no Puerto España, Trinidad y Tobago. O fato provocou que se convertera em poucas horas em um êxito de vendas na internet.

Em maio de 2009, em uma entrevista declarou:
Não só os Estados Unidos, mas também alguns países europeus semearam ditaduras por todo o mundo. E se sentem como se fossem capazes de ensinar o que é democracia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Galeano
ACESSO EM 21-04-2015

Obras:

É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História. Sua obra mais conhecida é, indubitavelmente, As Veias Abertas da América Latina. Nela, ele analisa a História da América Latina como um todo desde o período colonial até a contemporaneidade, argumentando contra o que considera como exploração econômica e política do povo latino-americano primeiro pela Europa e depois pelos Estados Unidos. O livro tornou-se um clássico entre os membros da esquerda latino-americana. Em Brasília, após mais de 40 anos do lançamento de sua mais famosa obra, durante a 2ª Bienal do Livro e da Leitura, Eduardo Galeano admitiu ter mudado de ideia sobre o que escrevera. Disse ele: “‘Veias Abertas’ pretendia ser um livro de economia política, mas eu não tinha o treinamento e o preparo necessário”. Ele acrescentou que “eu não seria capaz de reler esse livro; cairia dormindo. Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é extremamente árida, e meu físico já não a tolera.”

Memória do Fogo é uma trilogia da História das Américas. Os personagens são figuras históricas: generais, artistas, revolucionários, operários, conquistadores e conquistados, que são retratados em pequenos episódios que refletem o período colonial do continente. Começa com os mitos dos povos pré-colombianos e termina no início da década de 1980. Na obra, Galeano destaca não apenas a opressão colonial, mas também atos individuais e coletivos de resistência. A obra foi aclamada pela crítica literária e Galeano foi comparado a John Dos Passos e Gabriel García Márquez. Ronald Wright, do suplemento literário do The Times, escreveu que “os grandes escritores dissolveram gêneros antigos e encontraram novos. Esta trilogia de um dos mais ousados e talentosos da América Latina é impossível de classificar”.

O Livro dos Abraços é uma coleção de histórias curtas e muitas vezes líricas, apresentando as visões de Galeano em relação a temas diversos como emoções, arte, política e valores. A obra também oferece uma crítica mordaz à sociedade capitalista moderna, com o autor defendendo aquilo que acredita ser uma mentalidade ideal à sociedade. Para Jay Parini, do suplemento literário do The New York Times, é talvez a obra mais ousada do autor.

Como ávido fã de futebol, Galeano escreveu O futebol ao sol e à sombra, que revisa a trajetória histórica do jogo. O autor o compara com uma performance teatral e com a guerra; critica sua aliança profana com corporações globais ao mesmo tempo em que ataca intelectuais de esquerda que rejeitam o jogo e seu apelo às massas por motivos ideológicos. Nessa obra, Galeano narra a final da Copa de 1950, Rio de Janeiro, que entrou para a história do futebol como Maracanazo, a virada do Uruguai por 2 a 1 na Seleção Brasileira em pleno Maracanã.

Em seu livro mais recente, Espelhos, o autor tem o intuito de recontar episódios que a história oficial camuflou. Galeano se define como um escritor que remexe no lixão da história mundial.

Apesar da clara inspiração e relevância histórica de suas obras, Galeano nega o caráter meramente histórico destas, comentando que é “um autor obcecado com a lembrança, com a lembrança do passado da América e, sobretudo, da América Latina, uma terra intimamente condenada à amnésia”.

Além de livros, Galeano também escreve artigos para publicações estadunidenses de esquerda como The Progressive, New Internationalist, Monthly Review e The Nation.

Visão política

Uma das citações mais memoráveis de Galeano é “as pessoas estavam na cadeia para que os presos pudessem ser livres”, referindo-se ao regime militar (1973-1985) de seu país. Para celebrar a vitória de Tabaré Vázquez e da Frente Ampla nas eleições de 2004, – a primeira eleição de um governo de esquerda na história uruguaia -, Galeano escreveu um artigo intitulado “Onde as pessoas votaram contra o medo”, no qual afirma que a população de seu país finalmente usou o “bom senso” para parar de ser “traída” pelos partidos Colorado e Nacional.

Em 2006, Galeano se juntou a outras artistas renomados, como Gabriel García Márquez, Mario Benedetti, Ernesto Sábato, Thiago de Mello e Pablo Milanés na assinatura da Proclamação de Independência de Porto Rico do Congresso Latino- Americano e Caribenho.

Em uma entrevista ao jornal Zero Hora, disse o seguinte sobre a vitória de Barack Obama nas eleições de 2008: “Agora, ele entra na Casa Branca, que será a sua casa. Tomara que não esqueça que a Casa Branca foi construída por escravos negros. Chegou a hora dos Estados Unidos se libertarem da sua pesada herança racista”.

Em vídeo recente, de 2013, compartilha algumas de suas experiências pessoais para falar sobre a importância da solidariedade, de aprender a viver sem medo e da virtude de saber ganhar e perder. “Para se levantar, é preciso saber cair”.

Honras

Em 2005, Eduardo Galeano aceitou o convite para integrar o comitê consultivo da Telesur, uma emissora de televisão pan-latino-americana com sede em Caracas, na Venezuela. Em julho de 2008, Galeano foi agraciado com o primeiro título de Cidadão Ilustre do Mercosul.

Livros

O Livro dos Abraços (1989)
Nós Dizemos Não (1989)
América Latina para entenderte mejor (1990)
Palabras: antología personal (1990)
An Uncertain Grace com Fred Ritchin (1990)
Ser como ellos y otros artículos (1992)
Amares (1993)
Las palabras andantes (1993)
úselo y tírelo (1994)
O futebol ao sol e à sombra (1995)
Ser como eles (1997)
Mulheres (1997)
Patas arriba: la escuela del mundo al revés (1998)
Bocas del Tiempo (2004)
Espelhos – uma quase história universal (2008)
Espelhos. Uma história quase universal (2008)
Os Filhos dos Dias (2012)

Eduardo Galeano morre aos 74 anos vítima de câncer, deixando ainda mais pobre sua querida América Latina, sim, mais pobre de homens com dignidade,ética cristã.

Referências

Escritor uruguaio Eduardo Galeano morre aos 74 anos
• Eduardo Galeano muda de ideia sobre ‘As Veias Abertas da América Latina’ Folha de S. Paulo, 26/05/2014.
• Folha de S. Paulo – Morre aos 74 anos o escritor uruguaio Eduardo Galeano (13 de abril de 2015).FONTE:fonte
• Fonte de pesquisa:
WIKIPEDIA.
INTERNET.

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