PARTIDO POLÍTICO

1 ago 2018

Por Severino Coelho Viana

Os partidos políticos brasileiros, atualmente, não são organismos de defesa social, perderam a sua finalidade de representatividade, desprezaram seus filiados e esqueceram o povo, este o grande artífice dos pilares de sustentação do regime democrático.

Basicamente, o Estado surgiu para servir, constituindo-se uma sociedade politicamente organizada. O partido político nasceu para servir de instrumento reivindicatório na defesa dos problemas sociais perante o poder político. A nosso sentir, parece-nos que os entes desviaram das suas finalidades primordiais e não respeitam mais os limites da representação conferida pelo cidadão para a convivência do bem-estar social.

A palavra POVO só serve de enfeite para a feitura de um discurso literário, sem levar a cabo o sentido exponencial dentro do sistema democrático. O povo é isso, o povo é aquilo, o povo precisa disso, o povo está carente disso, o povo está sem saúde, o povo não tem uma boa educação, o povo está faminto e vou trabalhar pelo povo. No discurso do demagogo o povo não é NADA!

O partido político tem caráter nacional traçado pelo seu programa e doutrina, atua em nível nacional, estadual e municipal, desde que tenha órgãos de direção válidos. Parece que o programa partidário não passa de um rascunho colocado no balde de lixo. Nada se põe em prática, não passa de argumentos fantasiosos no sentido de ludibriar a massa popular.

Um partido político é um grupo organizado, legalmente formado, que busca influenciar ou ocupar o poder político. Cada partido político possui o seu pensamento próprio com relação à maneira como o país deve ser governado no âmbito da democracia representativa, seguindo rigorosamente à sua linha de atuação conforme o seu programa governamental que visa acima de tudo o bem coletivo.

A principal importância dos partidos políticos registrados no TSE reside justamente em registrar os candidatos às eleições para concorrerem aos mandatos eletivos por ser uma obrigação constitucional. Essa é uma das principais funções dos partidos ou a única observada pela agremiação. No Brasil, não é permitido o lançamento de candidaturas avulsas. Apesar de muitas personalidades políticas brasileiras serem mais lembradas no imaginário social do que seus partidos, um cidadão não pode registrar sua candidatura a um cargo eletivo por conta própria, ou seja, sem o apoio de um partido.

Agora, sim, as mazelas partidárias são postas eficazmente em prática do dia-a-dia:

01 – A agremiação política recebe o fundo-partidário para fazer política com dinheiro público e legislar contra o povo.

02 – Oligarquia familiar dentro do comando partidário nos três níveis: federal, estadual e municipal.

03 – Permanente fisiologismo que busca os cargos de livre nomeação para preenchimento por pessoas da família e sua corja de apaniguados.

04 – Coligação espúria com o fim de compra e venda do tempo disponível no rádio e na televisão nos programas eleitorais.

05 – indicação para cargos de confiança de pessoas ligadas ao partido no sentido de ser ente de manobra para o desvio do dinheiro público.

06 – Inexistência de fidelidade partidária por falta de princípios ideológicos, legislando sempre no sentido de deixar um cano de escape para o pula-pula partidário.

07 – Não segue a doutrina da agremiação, mas o conselho ditado pelo caudilho revestido de líder.

08 – Ditadura partidária dos órgãos de direção, com intervenção da cúpula no órgão inferior, a fim de preservar o interesse pessoal e escanteando os antigos aliados e entregando o comando a novos aliados.

09 – Os congressistas legislam em causa própria e chegam a tolher direitos fundamentais da cidadania.

10 – O partido político compreende que o voto não passa de uma mercadoria barata, aproveitando a miséria e o sofrimento do povo.

 

A lição de nossa época demonstra que não raro os partidos, considerados instrumentos fundamentais da democracia, se corromperam, enterraram os princípios éticos em covas rasas, as bandeiras de conquista do eleitor não passa de simples engodo politiqueiro. Justamente, já que é uma questão pública e notória, com a corrupção partidária, o corpo eleitoral, que é o povo politicamente organizado, sai bastante ferido e jogado no tapete dos excluídos.

No seio partidário forma-se logo mais uma vontade infiel e contraditória do sentimento da massa sufragante. Atraiçoada por uma liderança portadora dessa vontade nova, estranha ao povo, alheia aos reclamos sociais. Joga a massa na maior tragédia política, vislumbrando o colossal logro de que caíram vítimas. Restam tão só as vítimas indefesas e a democracia sucumbida e subtraída nos seus ideais humanitários.

Com um perverso Estado partidário enganador do estado de consciência, todo o sistema representativo tradicional entra em crise. O eleitor, o deputado, o parlamento e massa desiludida, agonizada e decepcionada com a maldita sigla partidária.

Infelizmente, o nosso velho e querido Brasil, pelo tamanho de sua extensão territorial, dificilmente podemos implantar uma democracia direta como acontecia na Ágora, no Estado-nação da Grécia antiga.

Fica a lição: todo o poder emana do povo.

 

 

 

João Pessoa – PB, 1º de agosto de 2018.

 

SEVERINO COELHO VIANA

scoelho@globo.com

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