PÁSCOA 2017

19 abr 2017

Toda madrugada, logo que acordo, sem sair do meu quarto de dormir, eu subo à montanha, como fazia JESUS.

É a minha subida cotidiana ao monte Tabor, o monte da revelação e da transfiguração.

É lá o momento da minha oração mais intensa e da minha intimidade mais profunda com DEUS.

É um encontro silencioso com DEUS, porque as palavras se tornam inúteis, inadequadas. É oração de pura contemplação. Simplesmente mergulho no infinito de DEUS, fico contemplando o AMOR eterno, total e absoluto de DEUS pela humanidade toda. Me deixo absorver por aquele AMOR divino que me diz, e diz para cada ser humano, feito à sua imagem e semelhança:

“Eu amo você mais do que seu pai, mais do que sua mãe!”

“Eu amo você mais do que você ama a si mesmo!!”

“EU AMO VOCÊ MAIS DO QUE EU AMO A MIM MESMO!!!”

Como Pedro tenho vontade de dizer: «Senhor eu quero passar toda a eternidade aqui, só ouvindo esta palavra do senhor: “EU AMO VOCÊ MAIS DO QUE EU AMO A MIM MESMO!!!”».

Nem percebo o tempo passar. Meia hora, uma hora, ou duas…

Tenho a impressão que estou dando apenas uma brechadinha pelo buraco da fechadura da porta do Paraíso para me extasiar, só por um instante, com a visão do Céu!

Experimento a verdade da carta aos Hebreus 11,1: “A fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a antecipação de realidades que não se vêem!”.

Eu preciso saborear a antecipação do Céu para agüentar as dificuldades, os problemas, os sofrimentos, as provações, minhas e dos outros, ao longo do dia, neste desterro forçado, neste exílio, felizmente só temporário, gemendo e chorando neste vale de lágrimas…

Aqui no Tabor de cada dia, e só aqui, encontro o sentido e a explicação de tudo isso.

Aqui experimento como é bom morar no coração de DEUS, da SS TRINDADE, e DEUS, a SS TRINDADE, no meu coração. Tenho uma sensação de unidade e de unificação em DEUS. Uma fusão em DEUS ou uma efusão de DEUS? Não sei. Só sei que a oração é o “ponto de fusão” do EU com DEUS!

Nessa experiência cotidiana me reporto a JESUS, que, em sua oração, cedo da madrugada, na montanha, ficava a sós com o Pai, mas carregava em seu coração a humanidade toda, principalmente a humanidade sofredora.

Por um lado eu sinto que estou sozinho com DEUS e curto pessoalmente essa intimidade…

Mas também, por outro lado, percebo que não posso ir a DEUS, sem levar toda a humanidade comigo! São todos e todas filhos e filhas de DEUS!

Por isso aqui no monte acontece uma grande celebração com toda a humanidade e com toda a criação: é uma liturgia cósmica, onde manifestamos juntos nossos sentimentos para com nosso DEUS: amor, adoração, louvor, agradecimento, oferta de nossa vida, pedido de perdão…

É aqui que eu unifico, harmonizo e recomponho a fragmentação e o despedaçamento do dia anterior, preparando-me para descer para a planície onde, mais tarde, encontrarei meus companheiros/as de humanidade na cotidianidade do caminho, meus irmãos e minhas irmãs aos quais poderei dizer: “Hoje bem cedo falei de você a DEUS, agora falo de DEUS a você!”

No meu próximo encontrarei o mesmo DEUS que encontrei no monte Tabor.

E ao meu próximo oferecerei o mesmo Amor de DEUS que me transfigurou em um ministro da sua misericórdia…

E assim, na companhia da Mãe de JESUS, dos Santos e Santas, dos Anjos de DEUS, começo MAIS um dia, que é MENOS um dia, para ir morar definitivamente no monte, na casa do Senhor!

A Semana Santa já chegou à Sexta-feira Santa. Acabei de celebrar a Liturgia da Paixão e Morte de Jesus. A palavra “paixão” me lembra seja um grande sofrimento como um amor gigantesco.

Jesus, antes da sua Paixão e Morte, havia levado três dos seus Apóstolos ao monte Tabor para prepará-los e torná-los fortes, para que pudessem suportar o escândalo da cruz…

A luz do Círio Pascal ilumine nossas dúvidas, nosso caminho, nossas tristezas com a luz da RESSURREIÇÃO!

A todos uma SANTA PÁSCOA!

Padre Walter Collinni

Comentários