Passarinhos na Prateleira

14 jun 2013

Passarinhos na Prateleira
Por Nilto Maciel*

Bruno Paulino eu não conhecia nem de nome. Agora conheço um pouquinho. Não sei se publicou mais tomos ou se escreve short stories, poemas, romances. Este é de crônicas. E o título ele o colheu da primeira. E onde ficam as Marinheiras? Talvez em Quixeramobim, sertão do Ceará, terra de antigos Maciéis e Araújos e de onde partiu aquele velho Antonio Conselheiro para incendiar o Brasil. Virá daquele tempo ou daquelas paragens o título do escrito e do impresso? Quiçá de uma canção de Fausto Nilo, também nascido naquela cidade.

Não sei se são feitas de memórias as páginas de Bruno Paulino. Se não são, serão de observações. E isso dá no mesmo, pois não se pode falar do que se vê ou se verá, porém do visto. E o que viu o cronista? Viu-se “péssimo atirador de baladeira”, para deixar “em paz os passarinhos” e, assim, se deixar em paz. Menino desajeitado, incapaz de matar o menor dos seres vivos. De igual modo agiram o compositor Fausto Nilo e todos os poetas de todos os tempos e todas as latitudes. Porque matar, seja passarinho, raposa ou gente é sina de maldade. Embora seu pai não fizesse isso (matar passarinho) por maldade. Pois Bruno sai em passeio pelo passado, por gentes e bichos, terras e águas (mesmo as poucas do sertão). Por sua Quixeramobim (“lugar quente, um verdadeiro miolo de vulcão”). Revisita seus pais, Patativa do Assaré, pessoas de sua cidade natal, o poeta Quintino Cunha e diversos viventes.

*Nilto Maciel é escritor, contista, romancista e pesquisador.

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