Plebiscito do povo na rua

1 jul 2013

Plebiscito do povo na rua

O plebiscito é uma simples e rápida forma, originada nas antigas praças de Roma e de Atenas, do povo dizer “sim” ou “não” sobre uma questão apresentada, de presumido interesse da comunidade ou da sociedade.  É, ainda com menores possibilidades de manipulação, uma vontade popular sem filtros, cujos resultados são mais difíceis de serem controlados como acontece nas assembleias, câmaras e senado. No entanto, lembremo-nos da consulta ao povo brasileiro, perguntando-lhe se ele desejaria que fosse proibida a fabricação de armas. O povo, maior vitima da violência e do crime sob a mira do revolver, votou favorável à vontade da riquíssima indústria armamentista…

Em 1961, quando Jânio Quadros renunciou, já havia intenções de golpe; o seu Vice João Goulart, tido como de esquerda e nacionalista, aceitou inocentemente, em contratempo, representar o país, na China comunista… Nessas circunstâncias, assumiu provisoriamente o Deputado Ranieri Mazzili, enquanto os ministros militares se manifestaram contra a posse de João Goulart (Jango), querendo inclusive impedi-lo de regressar ao Brasil. Levantou-se uma campanha constitucionalista, apoiada pelo General Henrique Teixeira Lott, ex-candidato à presidência e concorrente de Jânio.  Enfim, Jango retorna e assume, exigindo-se dele, sob pressão, ceder parciais poderes presidenciais, em troca do parlamentarismo. Ao se firmar no poder, Jango ousou reconquistar os poderes de Presidente, através do Plebiscito de 1963 (Parlamentarismo ou presidencialismo?), reassumindo assim os poderes para que fora eleito.

Aqui, agora, a força das manifestações do povo na rua faz a Presidente Dilma propor um plebiscito para que o próprio povo, com rapidez e fundamentado nas suas insatisfações, aprove,  sem tardança, soluções que vinham sendo engavetadas, mas  necessárias para a Reforma Política do Brasil. De repente, alguns parlamentares e juristas citaram impedimentos constitucionais de se entregarem diretamente ao povo responsabilidades que deveriam ser do Congresso, onde deputados e senadores representariam as causas populares… Mas, como os políticos, beneficiados pela atual estrutura política, cortarão seus benefícios? Certo dia, escutei de um cidadão da insular e caribenha Martinica: “Em cima da árvore alta, ninguém corta o galho em que está sentado”…  Contudo, o Senado, temendo maior revolta popular, aprova, de pronto, nova denominação à corrupção: ”Corrupção passa a ser crime hediondo”. Essa hediondez, segundo o dicionário, considerará políticos, ministros, secretários de Estado ou de Prefeitura, governantes, servidores públicos ou qualquer cidadão que forem corruptos como “depravados, viciosos, sórdidos, horrendos, sinistros, pavorosos, imundos, repulsivos, que cheiram mal ou fedorentos”…

Damião Ramos Cavalcanti
http://www.drc.recantodasletras.com.br

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