Políticos mentem ou não são sinceros?

28 jul 2018
Na “Aula Espetáculo”, em 10 de janeiro de 2013, promovida pela Academia Paraibana de Letras e a Procuradoria Geral do Estado, ocasião em que Ariano Suassuna recebeu a Medalha José Américo de Almeida, da PGE, dentre os espontâneos pronunciamentos desse imortal da APL, Ariano confessou: “Eu gosto de mentir. Quem não gosta?” A resposta da plateia, tomada de surpresa, foi uma estrondosa gargalhada. Esclareceu ainda Ariano que, ao contrário do que se diz por aí, também preferiria “falar pelas costas” a “dizer na cara”, tão somente para se afirmar como “corajoso e sincero”: “Comigo é assim, agradando ou não agradando”. Ariano questiona: “Por que desagradar? Melhor é evitar aborrecimento, briga e inimizade, “falando mal pelas costas e pedindo segredo”.
  Tudo isso faz lembrar, crônicas anteriores, definindo que a mentira não é “não dizer a verdade”, mas, apenas não ser sincero. Aliás, pode-se dizer uma sentença informativa que não é verdadeira, porque ela não corresponde a um fato da realidade. Por exemplo, o leitor tendo informado que viajaria a Pilar, mas não viajou. Então, quem informar positivamente sobre a dita e não realizada viagem estará sendo sincero, não mentindo, contudo afirmando uma coisa não verdadeira. O que significa que mentir é não ser sincero ou não usar de sinceridade.
Nesse contexto lógico, Francisco Pereira da Nóbrega, no começo de uma das edições de “Vingança, Não!”, faz um paralelismo entre a virgem e o político. Escreveu ele que “quando a virgem afirma não, significa talvez; quando talvez, vale como se dissesse “sim”; e se diz “sim”, não é mais virgem… Por sua vez, se o político afirma “sim”, entenda-se “talvez”; quando promete “talvez”, será “não”; e se disser “não”, com certeza, não é político. Nas proximidades de eventuais campanhas eleitorais, essa lógica ajuda a discernir quem mente ao povo. Todos os políticos mentem ou não são sinceros? Os dois. Mas, sem generalização: alguns conseguem alcançar a sinceridade, a exemplo do Padre Ibiapina que não mentiu e foi santo e deputado…
Damião Ramos Cavalcanti

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