PRA DANÇAR E XAXAR NA PARAÍBA

1 out 2015

Biografia do genial compositor Rosil Cavalcanti de Sebastiana é lançada no ano do seu centenário de nascimento, em 2015

Radialista, humorista, percussionista, renomado compositor pernambucano, radicado na Paraíba, autor de obras clássicas da música popular brasileira de todos os tempos, na voz de Jackson do Pandeiro, Marinês e Luiz Gonzaga, e outros intérpretes nacionais, o compositor Rosil Cavalcanti tem, finalmente, a sua biografia publicada neste ano de 2015 do seu centenário de seu nascimento, 47 anos depois de sua morte, em 1968, aos 53 anos de idade, em Campina Grande, onde vive a maior parte de sua vida e se projeta no Brasil.

O livro Pra Dançar e Xaxar na Paraíba: Andanças de Rosil Cavalcanti, da dupla de autores Rômulo Nóbrega e José Batista Alves, prefácio de Agnello Amorim, 444 páginas, editado gráfica Marcone, vai ser lançado neste dia 1º de outubro, 20h00, quinta-feira, custa R$ 50,00, no clube do Sesi – antigo BNB Clube – no bairro do Catolé, em Campina Grande (PB), com a presença de jornalistas, autoridades, artistas, pesquisadores e admiradores em geral do imortal radialista e compositor. O ex-governador de Pernambuco Joaquim Francisco Cavalcanti, primo do biografado, autor do posfácio do livro, representa a família Cavalcanti no lançamento.

A obra inicia com a morte prematura do compositor, em 1968, no auge do sucesso, aos 53 anos de idade, comovendo Campina Grande e o Nordeste, prosseguindo, cronologicamente, o minucioso relato da vida e obra de Rosil de Assis Cavalcanti. Nascido em 20 de dezembro de 1915, no engenho Zabelê, no atual município de Macaparana (PE), desde a infância e juventude participa das moagens de cana, fabrico de rapadura, de açúcar, cachaça, ouve estórias do povo, as cantadeiras de novenas, emboladores de coco, violeiros, participa de sambas (forrós).

Em sua adolescência estuda nos melhores colégios recifenses, nos anos de 1930, destacando-se nas atividades artísticas e no jeito brincalhão e espirituoso. Anos depois ingressa no 22º Batalhão de Caçadores do Exército, em João Pessoa (PB), onde permanece durante nove meses. Rosil assume emprego público em Aracaju (SE), em 1937, no setor à agricultura, onde atua na vida esportiva (vôlei, atletismo) e na vida artística da cidade, participando de programa de variedades em dupla caipira parodiando um turco.

Desde 1941, exerce a atividade de classificador de algodão na Paraíba, onde realiza as primeiras investidas na Rádio Tabajara, de João Pessoa, cantado e improvisando emboladas. Em período de estágio em Fortaleza (CE), de classificador de algodão, Rosil Cavalcanti envolve-se com o meio artístico da cidade, atuando como percussionista do conjunto Os Vocalistas Tropicais.

De volta a João Pessoa, retoma o emprego e a atuar na Rádio Tabajara, onde o seu primeiro frevo-canção, Assunto Novo, é orquestrado pelo maestro da banda Jazz Tabajara, Severino Araújo. Entre músicos e cantores do time da famosa emissora paraibana desse tempo (1947), o percussionista Jackson do Pandeiro, com quem Rosil Cavalcanti estreou a dupla caipira-humorista Café com Leite, se consagrando no teatro de variedades da emissora.

É transferido para a cidade de Pombal (PB), em 1947, para dirigir o posto de fiscalização de produtos agropecuários local. Finda sendo contratado de uma grande indústria de óleo de oiticica (BOSA), onde participa ativamente da vida social e artística pombalense, animando festas no clube da empresa, atuando na difusora de alto-falantes Tupã, exibindo música, noticiário, e se envolvendo nas contendas políticas, o motivo da agressão sofrida, e a razão da mudança do casal Rosil-Nevinha para Campina Grande (1950).

Rosil Cavalcanti logo se integra ao meio radiofônico campinense, mantendo programas “quentes efervescentes, polêmicos”, isto durante dezoito anos até sua morte (1968), tanto na Rádio Cariri, Forró de Zé Lagoa; como na Rádio Caturité, Zum Zum da Cidade, Radar; principalmente na Rádio Borborema, a Escolinha do Nicolau, a segunda fase do Forró de Zé Lagoa. Devido a atuação corajosa nesses programas, Rosil sofreu desafetos de políticos, autoridade policial, até de vereadores, mas o seu personagem Capitão Zé Lagoa agradava enorme público regional ouvinte.

“Cômico e crítico [Rosil Cavalcanti], ora estava fazendo o povo rir, cantar, brincar, dançar, ora provocando polêmicas, denunciando situações erradas, dando suas opiniões, fazendo seus comentários como âncora, algo inusitado para a época”, consideram os autores do livro Pra Dançar e Xaxar na Paraíba.

O seu mais famoso programa, o Forró do Capitão Zé Lagoa, criado, animado, responsabilizado e apresentado por Rosil Cavalcanti, na Rádio Borborema, foi ao ar até um dia antes de sua morte (1968), com enorme audiência na Região Nordeste, repleto de personagens, misturando humorismo, notícias de utilidade pública, poemas, canções nordestinas, improvisos, dialogando com o ouvinte rural, em linguagem simples, misturando improvisos e piadas.

Rosil Cavalcanti cria o conjunto musical o Forró de Zé Lagoa, com variada formação de instrumentistas nos anos, participando do programa na Rádio Borborema, se apresentando em festas juninas, clubes e turnês pela Paraíba.

“O livro Pra Dançar e Xaxar na Paraíba tem como foco Rosil Cavalcanti, no entanto abrange personagens que estiveram ao seu lado compondo, tocando, cantando, caçando e até mesmo fazendo raiva, levando ele a explodir. Pessoas com valores inestimáveis e quase na totalidade no anonimato, a maioria artistas locais que agora levamos à tona ao lado do biografado, fazendo assim justo reconhecimento”, escreve Rômulo Nóbrega na Apresentação do livro.

O compositor de Jackson do Pandeiro, Marinês e Luiz Gonzaga

O convívio de Rosil Cavalcanti com o meio artístico nacional, através da poderosa Rádio Borborema (muitos astros da época se apresentavam no auditório da emissora) favorece a sua projeção como compositor, desde o ano de 1953, quando a acordeonista Dilú Melo vem em a Campina Grande, a quem ele entrega as músicas Meu Cariri e Sebastiana. A primeira gravada pela cantora Ademilde Fonseca, com a intromissão indevida de autoria da acordeonista, para a fúria do verdadeiro autor Rosil. A segunda obra seria lançada por Jackson do Pandeiro, logo se tornando sucesso nacional.

Daí em diante, Rosil Cavalcanti se consagra autor e coautor de muitos sucessos na voz de Jackson do Pandeiro e outros intérpretes famosos. Além de Sebastiana, Boi Brabo, Moxotó, Coco do Norte, Cabo Tenório, Coco Social, Quadro Negro, Na Base da Chinela, Forró do Zé Lagoa.

A cantora Marinês teria o seu destino artístico selado graças às obras de Rosil Cavalcanti, inspiradas no drama da seca – Meu Cariri, Aquarela Nordestina.

O compositor participa tardiamente da discografia de Luiz Gonzaga, na década de 1960, com vários grandes sucessos, Ô Veio Macho, Festa do Milho, Amigo Velho, e a toada clássica Tropeiros da Borborema, Aquarela Nordestina.

Muitos outros artistas de todo Brasil gravaram as músicas de Rosil, entre eles, Genival Lacerda, Zé Calixto, Gal Costa, Trio Nordestino, Teixeirinha, Elba Ramalho e outros intérpretes. (Xico Nóbrega).

Rica iconografia

O livro Pra Dançar e Xaxar na Paraíba, 444 páginas, é enriquecido com vasta iconografia do biografado, suas fotos desde a infância, juventude, a vida de casado, em programa de rádio no papel do famoso personagem Capitão Zé Lagoa, além de imagens de Rosil com colegas de trabalho, artistas, músicos, suas caçadas e pescarias, capas e selos de discos. Toda essa iconografia bem identificada e datada (XN)

Dona Nevinha

Rosil Cavalcanti tem grande amor de sua vida na paraibana Maria das Neves Coura (Nevinha), com quem se casa (1948), e convivem vinte anos, sem filhos, e com quem trocou vasta correspondência de namorados e noivos, boa parte compondo o livro Pra Dançar e Xaxar na Paraíba. (XN)

Curiosidades

A formação original da dupla Café com Leite, Jackson do Pandeiro e Zé Lacerda (irmão do cantor Genival Lacerda se dera em Campina Grande.

Rosil teve como hobby a vida inteira caçar e pescar, sobretudo na região do Cariri paraibano, donde extraiu motivação para compor obras como Meu Cariri e Aquarela Nordestina.

Generoso, temperamental, irascível quando contrariado, até mesmo por um animal ele, embora explosivo, logo se arrependia, não raro chorando.

O personagem Zé Lagoa, que deu nome ao seu famoso programa de rádio, existiu de fato, era o feitor de cachaça do engenho do pai de Rosil.

Para aumentar a suas parcas rendas, o salário do emprego público e o ganho com publicidade no rádio, Rosil chegou a possuir um fiteiro.

Houve uma composição de Rosil Cavalcanti – Hotel de Zeferino – nunca gravada, cujo disco foi quebrado em quadro do programa de televisão de Flávio Cavalcante, por se referir à mulher “pilantra e vigarista”.

A toada Tropeiros da Borborema é uma homenagem ao centenário de Campina Grande (PB), em 1964. O autor da letra é advogado, poeta, tribuno e homem público Raimundo Asfora, embora o seu nome não figure no selo do disco.

Os autores do livro

Os autores de Pra Dançar e Xaxar na Paraíba, um é paraibano de Campina Grande (Rômulo Nóbrega), o outro pernambucano do Recife (José Batista Alves). O primeiro ex-funcionário do Banco do Brasil, hoje empresário do ramo de cortinados. O segundo funcionário da Prefeitura recifense. Ambos casados, pais de famílias, pesquisadores e colecionadores natos da música popular brasileira de origem nordestina. Zé Batista é a maior autoridade brasileira em discografia de Luiz Gonzaga, Rei do Baião.

Os autores do livro Rômulo Nóbrega e José Batista Alves consultaram inúmeros arquivos públicos e privados, do Ceará ao Rio Grande do Sul, e entrevistaram dezenas de personagens que participaram de algum modo da vida de Rosil, a exemplo das cantoras Dilú Melo, Ademilde Fonseca, e muitos outros músicos e cantores.

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Locais – Personagens – Afins de Rosil em Campina: o prédio da Rádio Borborema, no Calçadão, o local da casa onde ele morou – enfrente ao antigo Posto Futurama – os Clubes que ele freqüentou: Caçadores, Ypiranga. O seu tumulo no Monte Santo. Ainda há personagens seus contemporâneos do programa e do conjunto Forró de Zé Lagoa: Ari Rodrigues, Duduta, Severino Medeiros, e outros. Enfim o cantor Biliu de Campina é o grande intérprete das obras de Rosil Cavalcanti gravadas por Jackson do Pandeiro.

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