QUEM FOI DIRSON MACIEL DE BARROS?

29 set 2015

A memória configura-se como um fenômeno de múltiplas faces e dimensões que se transforma em diferentes momentos históricos. (In DANTAS, Francisco. Coivara da memória)

Dirson Maciel de Barros Nasceu em Pontas de Pedra, em 18 de abril de 1941, filho do casal João Francisco de Barros e Maria Maciel Monteiro. Casou-se a primeira vez no dia13 de novembro de 1967 com Clorildes Santana de Barros, nascida em Cruz das Almas, no dia 25 de abril de 1942; a segunda vez, conviveu em união estável com Zenaide dos Santos, por um período de 18 anos (de julho de 1984 a dezembro de 2002; a terceira vez em dezembro de 2003 passou a conviver em união estável com uma ex-aluna Lidynaide Araujo de Abreu, nascida em Timbaúba , no dia 07 de julho de 1969, até os seus últimos anos de sua vida, desfrutando de uma linda história de amor, recheada de carinho, compreensão, lealdade, cumplicidade, companheirismo..

É oportuno ressaltar que nosso homenageado conseguiu viver em seus últimos anos o que havia buscado em toda a sua vida (após dois casamentos desfeitos): um verdadeiro amor.

Dirson Maciel de Barros teve uma infância difícil, e começou a trabalhar aos onze anos de idade, ainda criança, fazendo covos para pescar lagosta, na escola do SESI daquela praia, cursou até a segunda série primária e na escola da Colônia de Pescadores.

Cursou a terceira série, ao mesmo tempo em que pescava camarão com mangote de arrasto, nas praias de Pontas de Pedra, Catuama e Tabatinga, com dezesseis anos foi pescar em Pitimbú, depois Jacumã, ambos na Paraíba; depois foi pescar em Piedade-Jaboatão, onde teve a experiência de ir até Alagoas Cortar cana-brava às margens dos Rios Lages, Canhoto e Mundaú, nas cidades de São José da Lage, União dos Palmares, Murici e Satuba.

Com vinte e um anos incompletos, ingressou no exército onde se submeteu ao curso de cabo, sendo reformado, dois anos e meio depois, como 2º sargento, pois foi acometido de tuberculose pulmonar de terceiro grau, quase o levando à morte.

Recuperado, matriculou-se no Instituto Bíblico de Feira de Santana, no Estado da Bahia, onde estudou um ano e meio; em seguida, foi estudar em Salvador, mas apenas três meses, tendo em vista que se casou e foi morar em Sergipe, na cidade de Umbaúba, sendo ali consagrado Pastor da Igreja Batista.

Apesar de haver concluído apenas a terceira série primária e estudado no Instituto Bíblico de Feira de Santana, durante três semestres, foi levado por algumas circunstâncias a ensinar Português em todas as séries do antigo ginásio, atualmente, ensino de primeiro grau. Depois, seguiu rumo para Mossoró no Rio Grande do Norte onde fez o Vestibular para letras e foi aprovado, fato que o fez voltar a Salvador para completar seus estudos de nível médio. Após cursar o primeiro ano de letras, mudou-se para Recife, em dezembro de 1972, com vistas a estudar teologia, curso iniciado em março de 1973. Não conseguindo a transferência do curso de letras, prestou o vestibular para o curso de Ciências Jurídicas e Sociais, na Faculdade de Direito de Olinda, também no primeiro semestre de 1973, havendo ingressado, também, naquele ano na Universidade Católica de Pernambuco, onde cursou também Licenciatura Plena em Filosofia. E, em 1977, concluiu os três cursos superiores.

Após lecionar Filosofia e Fundamentos das Ciências Sociais na Faculdade de Belém do São Francisco, no período de 1978 a 1983, foi contemplado com a oportunidade de fazer uma pós-graduação latu senso – Especialização em Geografia na Universidade Federal de Pernambuco.

“o saber perfeito leva irresistivelmente à realização segura, à construção, ao ato” (RUI BARBOSA). Por isso, Dirson procurava educar antes de instruir.

Entretanto, para educar faz-se mister que as crianças e os jovens sintam uma mão forte para guiá-los, porque, “por mais que eles mostrem traços de independência e rebeldia, a verdade é que desejam sentir que são “protegidos”. Assim, os pais, embora sempre atuando como amigos compreensivos, não podem abdicar de sua posição de “pais”, isto é, de educadores, protetores, guias, disciplinadores. Os filhos, por sua própria insegurança, necessitam de regras. Mas as regras devem ser impostas quando os pais acreditam nelas e nelas vêem um significado. Além disso, ao impô-las, os pais necessitam de uniformidade e firmeza em sua ação. (TELES apud SILVA, 2014)

Concluído o curso, regressou para Umbaúba, Sergipe, onde lutou tenazmente pela educação dos jovens daquele município. Ali, abandonou o pastorado e veio morar em Goiana.

A Câmara Municipal de Umbaúba, concedeu-lhe duas justas homenagens pelos relevantes serviços prestados àquele município sergipano batizando a Biblioteca Pública Municipal e a Banda Marcial com seu nome.Assim, – Biblioteca Pública Municipal “Prof. Dirson Maciel de Barros” e “Banda Marcial Dirson Maciel”.

Aqui, achamos oportuno repetir com o Prof. Itapuan Bôtto Targino, imortal da Academia Paraibana de Letras(grande educador paraibano que deu novo olhar à antiga Escola Técnica Federal da Paraíba): “[…] toda manifestação de louvor deveria ser praticada em vida, a fim de que o enaltecido pudesse recebê-la em momento de vitalidade, no gozo de sua plena consciência”.( in Assim eu disse…, 2005, p.13).

Chegando a Goiana, Dirson Maciel de Barros foi convidado pelo então Prefeito Harlan Gadelha, para organizar a Autarquia Municipal do Ensino Superior de Goiana, que existia como Autarquia só de nome, assim a Faculdade era um corpo sem cabeça, tendo por isto enfrentado muitas dificuldades em seu reconhecimento.

Daí, acompanhado pelo Dr. João Suassuna de saudosíssima memória, organizaram a Autarquia, que teve como seu primeiro Presidente Dr. João Monteiro e, como segundo, Dr. João Suassuna, em maio de 1986, estando a Faculdade acéfala, pelo final do mandado do então Diretor e a não eleição do sucessor, foi o Prof. Dirson, nomeado Diretor pro tempore daquela Instituição e professor, em primeiro de junho de 1986. No dia 20 de agosto daquele ano, foi eleito Diretor da Faculdade, para um mandato de quatro anos 1986-1990),

Em agosto de 1987, conseguiu o reconhecimento dos cursos da Faculdade, que hoje leva seu nome, com a ajuda do Dr. João Suassuna.

Nesse mesmo ano, participou do VIII Encontro Nacional de Geografia Agrária e de um Curso de curta duração em Prática de Ensino em Geografia ambos na Universidade Federal de Sergipe-UFS, em São Cristóvão/SE e, em 1991, participou do I Encontro Nacional da Escola Particular. Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, CONFENEN.

Exerceu as funções de Assessor Jurídico da Autarquia do Ensino Superior de Arcoverde, Arcoverde – PE (1992-1996) e Presidente da Autarquia Municipal de Ensino Superior de Goiana, mantenedora da Faculdade de Formação de Professores de Goiana, no período de 1993 a 1997, oportunidade em que participou do Curso de curta duração “O Desafio dos Sucessores na Empresa Familiar, pela Fundação Dom Cabral, FDC, Belo Horizonte/MG

Participou do Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação pela União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação, UNDIME (1994), bem como do Curso de curta duração em ‘O Processo Administrativo Fiscal’ ministrado pela Associação dos Advogados de Empresas de Pernambuco, AAEPE.

Dirson Maciel de Barros era um incansável, estudante nato, participou em 1995 do Curso de Curta Duração em Administração Acadêmica Universitária pela Consultoria de Assuntos Educacionais, CONSAE.

Depois ainda fez o curso de pós-graduação lato sensu Especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Católica de Pernambuco de março de 1997 a março de 1999 e em Direito pela Escola Superior da Magistratura, do Tribunal de Justiça da Paraíba – Preparação para a Carreira da Magistratura de agosto de 1997 a julho de 1998.

Participou, ainda, de outros cursos de curta duração como é o caso do Curso de curta duração em Lei de Responsabilidade Fiscal. E o de Atos de Pessoal, ambos pela Escola de Contas de Estado de Pernambuco, ECPBG.

Publicou dois livros:

-Questão de Tempo. Recife :Comunicarte Editora, 2000, v.01.

-O Tempo em Questão.Recife: Comunigraf Editora,2003,v.01.

Separado há muitos anos, e já solteiro, no final de 2003 conheceu e apaixonou-se por Lidynaide Abreu, aluna da faculdade e logo, passaram a ter vida matrimonial, Dirson viveu nos últimos anos de sua vida uma linda história de amor, recheada de carinho, compreensão, lealdade, cumplicidade, companheirismo e tudo o mais que tinham direito. Ele conseguiu viver em seus últimos anos o que havia buscado em toda a sua vida (com dois casamentos já desfeitos). Um amor verdadeiro.

Não satisfeito com sua vida acadêmica no ano de 2005, participa do IV- Congresso Internacional de Educação no Centro de Formação e Pesquisa, SAPIENS e neste momento já com idéia fixa no mestrado começa sua sondagem e preparação quando resolve fazer sua Extensão Universitária pagando a Cadeira de Tópicos Especiais em Filosofia na Universidade Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa- PB

Em 2006, já vislumbrando o título de Mestre participa de mais uma Extensão Universitária em Nivelamento para o Mestrado Interinstitucional. Ocorrido na Faculdade de Belo Jardim. Um convênio firmado entre a ASSIESPE e a Universidade Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa. Quando participa também do I encontro Sobre Avaliação do Ensino Superior. Oferecido pela Associação das Instituições do Ensino Superior do Estado de PE, ASSIESPE. No final deste ano, Dirson proclama a todos os colegas de trabalho na Faculdade de Goiana, aos parentes e amigos que, no ano seguinte, seria aluno do Mestrado. E realmente, ele se inscreveu para a área de Filosofia na UFPB, em Linguística pelo Minter e em Ciências das Religiões pela Universidade Católica de Pernambuco, onde logo que saiu o resultado de sua aprovação, comemorou felicíssimo pois era um desejo que há muito lhe instigava fazer uma tese de mestrado, mostrando, sob o titulo Uma Possibilidade de Equilíbrio entre o Criacionismo Bíblico e o Evolucionismo através do Transformismo do Pe. Pierre Teilhard de Chardin.

Finalmente, concluiu seu Mestrado em Ciências da Religião, pela Universidade Católica de Pernambuco com a brilhante defesa de sua dissertação, em 18 de fevereiro de 2009. Mais um sonho realizado. E o simples pescador de Pontas de Pedra mostra ao mundo que o crescimento é possível.

Em “Conversas com quem gosta de ensinar”, Rubem Alves (1983, p. 13) assevera:

Os educadores são como árvores. Possuem uma face, um nome uma “estória” a ser contada. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos, sendo que cada aluno é uma “entidade ” sui generis, portador de um nome, também de uma “estória”, sofrendo tristezas e alimentando esperanças. E a educação é algo para acontecer neste espaço invisível e denso que se estabelece a dois. Espaço artesanal. Daí, […] questionar: -Educadores, onde estarão? Em que covas terão se escondido?

Faleceu, no dia 10 de junho de 2009, vítima de ataque cardíaco, o nosso ex-professor Dirson Maciel de Barros, surpreendendo todos e empobrecendo a educação e a cultura goianense.
Quantas saudades, grande mestre, grande amigo, grande administrador e grande educador!

A O PROFESSOR DIRSON MACIEL DE BARROS

Mestre incansável
Passaste a vida educando
Toda esta gente que vejo passando.
Médicos, juristas, engenheiros,
Odontólogos, jornalistas, professores
Todos que passaram por ti
Beberam um pouco do teu saber.

Grande educador
Da juventude da Pernambucana
Deixaste muitas saudades,
Nunca serás esquecido,
Pois não morremos quando deixamos de viver,
Mas, sim, quando deixamos de amar.

Hoje dormes o sono eterno
no leito que é a sepultura
A terra consome tua matéria
Teu espírito voa em rútilas alturas.

Voando, voando em busca do infinito
Até alcançares a corte dos imortais
Recebe esta homenagem de Marinalva
Que teu espírito descanse em paz.

(João Pessoa, 30 de junho de 2015)

Dílson Maciel de Barros, cidadão renomado de Goiana, muito conhecido pelo seu caráter de homem íntegro e livre de sectarismo de qualquer espécie. Embora sendo Advogado, resolveu dedicar mais tempo ao seu lado de dedicavam grande admiração Educador, lecionando na FADIMAB, com amor e dedicação. Seus alunos lhe e afeição, pois não media esforços para levá-los pelos caminhos do bem, do progresso e da cultura. Não há um aluno sequer que já estudou com ele, que não lhe tenha uma palavra de carinho e agradecimento.

Foi Membro da Maçonaria e também da Academia de Artes e letras de Goiana, das quais não podia ser assíduo porque escolheu ser professor e, nos dais de aula, não podia frequentar as reuniões destas entidades. Escreveu poesias, sendo grande cultor do Soneto, nesta modalidade escreveu o livro Intitulado O tempo em questão, do qual tive a honra de prefaciar, após curtir seus poemas. Dirson ainda tinha muito a dar à educação. Mas foi chamado para uma tarefa maior. Deve estar encantando o infinito celestial com seus cânticos em forma de Soneto.

Como Diretor da Faculdade, sempre procurou valorizar os professores e alunos. Como Presidente da autarquia, sempre fez questão de estar às vistas de todos. Alunos e professores e comunidade, tinham acesso direto ao seu gabinete, sem invisibilidade (José Antonio da Silva).

PALAVRAS FINAIS

A recordação é um sentimento acre-doce pela ausência momentânea ou para sempre das pessoas a quem amamos, por quem temos estima, apreço, carinho.

É muito dolorosa a perda dos entes queridos. E a única maneira que encontramos para compartir a saudade “eterna” do inesquecível Professor Dirson Maciel de Barros que partiu sem um adeus, foi escrevermos esta plaquete para mantê-lo sempre vivo entre aqueles que se beneficiaram com o seu saber.

Sabemos que a angústia da partida, a dor inconsolável que dilacera a alma, tem como bálsamos que o ser humano não morre quando deixa de viver, mas quando deixa de amar. E o Professor Dirson sempre foi um amante da vida e das pessoas.

Assim, esta simples plaquete ornamentada de dor e saudade, servirá de lenitivo para as lágrimas, pois estas são um desabafo natural.

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Conversa com quem gosta de ensinar. 6 ed. São Paulo: Autores Associados, 1983.
BARBOSA, Rui. Oração aos moços. ed.Rio de Janeiro: Organizações Simões, 1949.
SILVA, Maria Dorotéa da. Um olhar sobre Coivara da memória. João Pessoa: Idéia, 2014.
SILVA, Marinalva Freire da. Recordar conforta a alma. João Pessoa: Ideia, 1998.
TARGINO, Itapuan Bôtto. Assim eu disse… João Pessoa: Ideia, 2005, p. 13VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes. 1991.

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