RETALHOS DA SOLIDÃO

10 maio 2018

Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 07/03/2012

 

O ser humano pensa todos os momentos da vida, buscando ensinamentos sobre essa complicada história chamada vida. A gente nasce, cresce, envelhece, morre e não encontra a resposta desde o primeiro dia da existência.

A verdade é que, a criatura humana é feita de ilusões, interrogações, dúvidas, clamores, sofrimentos, alegrias, desesperos, caminhos tortuosos, insatisfações, vitórias e derrotas. É preciso ter muita sapiência para escolher o melhor, mas nem sempre consegue manter a escolha feliz até o fim.

E o que é a vida realmente? Podemos dizer que é um retalho da realidade. Cada pessoa fala o que é, como quer ser, como se sente. Geralmente é uma mistura de alegria e solidão.

A solidão não é sofrimento, é o momento de repensar tudo que já foi feito. A pessoa só é solitária se quiser, pois existem os momentos mais felizes quando fica isolada, desde que saiba usar os métodos da felicidade.

Existem vários companheiros até melhores do que o ser humano. Para mim, escrever é uma companhia inigualável, nos momentos diante da minha velha máquina de escrever, desabafo com força e felicidade, crio os momentos felizes que me fazem o bem.

Deitar-se pensando sempre no bem representa momentos de lucidez incomparável. Tudo isso porque gosto de ser chamado comigo mesmo, o verdadeiro filho da solidão.

Vejo a lua nas alturas, sozinha, não chora, não geme, não busca companhia, porque sabe que é bem melhor viver isolada, apenas com as companhias criadas por ela.

A leitura é uma dádiva de Deus, pois conversa mais do que determinadas pessoas que não têm conhecimentos das causas profundas do ser que mora na casa de Deus. E todos nós moramos com o Senhor dos Senhores, pois tudo que existe na terra é fruto da sua divindade.

As artes me fazem um bem integral da vida. Olho os artistas através da televisão, internet, sinto prazer deles, imito-os dentro de mim, gozo os movimentos de grande entretenimento.

A cultura é a minha mãe espiritual, assumindo o lugar da minha mãe biológica, e me transforma no mundo da grandeza e do reencontro com o bem, na defesa contra o mal.

Sou um estudante desde os meus oito anos de idade, me faço interno na Universidade do Bem, dirigida pelo Deus que me conforta, me alegra e me trata com estima.

A rede velha tão acostumada comigo, me aconselha quando ponho o corpo cansado por sobre ela, e aí nasce o sono da tranquilidade, deixando todos os problemas voarem no tempo e no espaço, acordando no outro dia com a alma nos braços de Deus e o corpo com novas forças para o trabalho obrigatório.

O amor é feito por nós. Eu amo a vida, o trabalho, minha casa, os bons amigos. E não odeio a ninguém, porque o ódio é coisa própria do líder das negras profundezas do mal. Vivo bem, vivo forte, perdoando, amando e agradecendo a Deus todos os momentos existenciais.

A solidão é uma mãe de fé, que evita os maus contatos. Ela só me libera quando tenho que viajar, e a viagem só vale a pena quando é feita para o trabalho, pois o bom lazer a gente faz aonde estiver. Não adianta felicidade forçada, porque termina mal. Os filhos da solidão preferem o deus da solidão, pois ele é um conselheiro de dentro para fora e não de fora para dentro.

Não posso reclamar da solidão, para não ser injusto. Os grandes escritores são solitários para os ajustes melhores nas páginas programadas. A lua é uma eterna solitária, as imagens das igrejas católicas permanecem nos altares milhares de anos e o tempo não acaba. As águas são mais solitárias do que todos. O fogo não tem companhia, mata e em seguida morre.

Os belos roçados de agricultores são solitários na maior parte do tempo, pois terminando o trabalho da limpa e colheita da produção, não tem mais ninguém por perto. O amor é eternamente solitário, pois nasce sozinho, no ego da pessoa, se cria sozinho e depois vai lutar contra a indiferença de alguém, sempre na solidão, pois ninguém sabe a cor, o tamanho, a face, o jeito de viver.

O ódio é um solitário horroroso, pensando a todo instante em fazer o mal, agindo sozinho no seu planejamento sujo e escabroso.

A noite é a maior das solitárias, e nunca morreu. As chuvas nascem numa solidão das alturas, caem sobre a terra, desaparecem e demoram ao retorno. Certamente não conversam com ninguém. Fazem o bem e fazem o mal.

O pensamento é o mais solitário de todas as invenções, ninguém vê, não conversa, não ri, não aparece de público. A morte é uma solitária que não diz onde mora, somente na imaginação fértil do povo que treme de medo dela.

Ser filho da solidão não faz mal. O que faz mal é ofender o semelhante. Quem faz o mal paga sem assinar uma nota promissória e sem ficar diante dos tribunais terrenos. Paga diante de um tribunal invisível, onde o julgador também não aparece. Paga diante da solidão, que o condena sem ouvir testemunhas e sem as sentenças determinadas por seres humanos.

Comentários