Rio de Janeiro: 448 anos. Que beleza!

2 mar 2013

RIO DE JANEIRO: 448 ANOS. QUE BELEZA!

Autor: Mauro Wainstock

Sou carioca, nasci assim. Como eu, só há 6,3 milhões no mundo. Destino ou
acaso, um caso de amor profundo.

Com mate e biscoito Globo, o tempo todo. Na onda, o doce balançar, da
espuma gelada do chopp e da clara espuma do mar. Sou da gema. É fácil fazer
poema. Difícil é não apreciar a beleza natural, que se diverte com o
patrimônio cultural. Deslumbra e inspira. Os encantos são mil: naquele
abraço do Gil ou de braços abertos no cartão postal. Sempre alto astral, na
agitação do Rio 40 graus.

A alma canta, vejo o Rio de Janeiro, estou morrendo de saudade… No som,
transformaram a garota do Tom/Vinícius em sucesso mundial. Um dom. Criaram
o corpo dourado, eternizaram o sol de Ipanema. Lugar da elegância, do
estilo, do charme. Muito bacana!

Lembrei da princesinha Copacabana, que se tornou universal pelo mar e única
no réveillon. Lá morei e namorei, tomando água-de-coco no calçadão. Depois,
casei e mudei. Para a Lagoa. Ah… uma pintura! Diariamente vale a pena
admirar, melhor até caminhar.

E recordar o imortal Machado, da Academia; o abusado Garrincha, a alegria
do povo, que entortava os “Joãos”. E falando em alegria, povo e João,
aquele nota 10, que tinha Trinta como apelido, e que nem carioca era,
reinventou o novo, transformou o lixo em luxo. E era ovacionado na
passarela.

Tanto na avenida como na torcida: emoções fortes, polêmicas maiores. No
Maraca, vibração com o meu Mengão, vitorioso também no Engenhão. Time do
coração, sem comparação. Quero cantar para o mundo inteiro a alegria de ser
rubro negro… e orgulho de ser carioca!

Ser carioca é andar com sandália em qualquer lugar. É sair à noite de
bermuda. É contrariar o vento nas ruas tranquilas da Urca, meditar na
Floresta da Tijuca, admirar a vista do Arpoador, andar de bike na chuva,
curtir o silêncio do Jardim Botânico, esquecer da vida nas areias do
Leblon. É encontrar o riso em cada esquina, o churrasco em cada domingo, a
pelada em cada rua. É ser acolhedor e sonhador. Otimista e intimista. É
viver a tradição e ferver na ebulição.

Rio de Janeiro: a capital sorridente. No Catete, o legado de cada
presidente. Naquele tempo, nenhum carioca. Dois Fernandos assumiram no
Planalto. O primeiro, Collor de Melo, deixou o Palácio ausente. O outro,
mais recente, Henrique Cardoso, foi eleito novamente.

Histórias também não faltam na noite da Lapa, nostalgia de um passado não
tão distante; hoje cada vez mais pulsante. Em Santa Tereza, os
inesquecíveis bondes levavam o ilustre passageiro, de belo tipo faceiro,
salvo pelo Rum Creosotado. Transportes comportados, nos anos dourados.
Memórias do Colégio Militar e do Instituto de Educação, época do pedido da
mão. Nos bares da vida, o garçom fazia o favor de trazer depressa, uma boa
média que não fosse requentada… quanta nostalgia!

Hoje, há o Alto Leblon e o Baixo Gávea. Do alto da janela, o arco-íris
contrasta com a favela. Se Paes é a atual esperança, temos que ter muita
paz e confiança. E eternamente agradecer ao português Estácio,
merecidamente homenageado com nome de bairro, estação do metrô e nas
escolas: de samba e de formação.

Seria injusto selecionar um local para destacar. O Rio de Janeiro continua
lindo… Uma cidade maravilhosa para viver e visitar, para os mais
exigentes agradar. Foi aqui onde escolhi morar. Foi aqui que conheci minha
alma gêmea e meus gêmeos nasceram. É aqui que o passado agradece, o
presente acontece e o futuro promete.
Para comentar: mauro.wainstock@gmail.com

Autor: Mauro Wainstock, jornalista / cronista / editor de livros

Perfil profissional:
http://www.mwcomunicacaoempresarial.com.br/Mauro_Wainstock.html

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