Senador considera viável a candidatura de ACM Neto para governo do Estado

13 jul 2013

Embalado pelo sopro de esperança para o reerguimento do DEM com a eleição de ACM Neto como prefeito em Salvador, o presidente nacional da sigla, senador José Agripino Maia (RN), afirmou que, caso o prefeito opte por se candidatar ao governo estadual em 2014, terá integral apoio do partido. Maia, no entanto, reiterou que a decisão cabe ao correligionário, a quem tratou como “um dos melhores quadros” do Democrata.

O dirigente, todavia não descartou outras hipóteses, inclusive a de alianças com outras legendas, porém somente se o prefeito da capital “julgar conveniente”. “Nós temos uma história para colocar à disposição do povo da Bahia, independentemente de Neto ser ou não ser candidato”, avaliou o senador potiguar. Apesar de reconhecer que o chefe do Executivo soteropolitano pretende exercer até o fim o mandato, Maia sugere que Neto “tem consciência de que a oportunidade se apresenta para ele e ele teria grandes chances de se eleger governador, mas isso tem consequências”.

O tom de Maia sinaliza que a condição do prefeito como principal liderança do partido na Bahia será determinante para os rumos da sigla no estado em 2014. Segundo levantamentos que circulam nos bastidores, o nome do prefeito de Salvador e do ex-governador Paulo Souto, ambos do DEM, são os melhores colocados nas intenções de voto na eleição do próximo ano – ainda que falte bem mais de um ano para a eleição, as pesquisas servem de referência para partidos e possíveis candidatos.

Para o prefeito ACM Neto, a chance de candidatura no próximo ano não é sequer considerada. “Eu não serei candidato a governador em nenhuma hipótese. Está completamente descartada. Porque quando eu me elegi prefeito de Salvador havia uma grande esperança e há uma grande esperança depositada no nosso trabalho. Eu não posso frustrar essa esperança da população, que me foi depositada com o voto de confiança de ser prefeito da cidade”, garantiu o democrata.

A razão principal, segundo o próprio prefeito, é a dificuldade de implantar medidas marcantes durante o período em que seria obrigado a se distanciar do Palácio Thomé de Souza para ser candidato. “Todas as grandes intervenções, os grandes projetos deste governo, eles vão ter impacto e vão se tornar reais e concretos entre 2015 e 2016. Eu quero colher esses frutos. Eu quero deixar um legado para a cidade. Até abril do ano que vem, eu não vou deixar legado nenhum”, sugere ACM Neto.

“Eu não fui eleito para ser prefeito de um ano e três meses. Eu fui eleito para ser prefeito de quatro anos. E ficarei até o último dia do meu mandato”, reiterou o prefeito. Ele, no entanto, ressalta as dificuldades que enfrenta. “O começo é para organizar a administração e melhorar as finanças. Esse é o momento

“O Brasil é o país das grandes reformas não realizadas”

Depois da pressão das ruas, a reforma política passou a ser pauta do Congresso Nacional. Segundo a deputada estadual Luiza Maia (PT), esse projeto já existe no Congresso e agora tende a sair do papel. “Defendo que a consulta popular é fundamental, mas a Reforma só sai com a pressão da sociedade. É preciso uma reforma profunda, tirar certos vícios, mas sentimos a má vontade do Congresso. O financiamento privado, por exemplo, é inadmissível. Por isso que falam que o Brasil é o país das grandes reformas não realizadas e a reforma política é a mãe de todas”, disse a petista.

Questionada sobre a colaboração do PT para o adiantamento desse processo de reforma, a deputada falou que o partido trabalha para que isso ocorra. “A base é ampla e Dilma e Lula nunca impuseram as coisas, por isso, alguns projetos vão para a gaveta”, explicou.

A necessidade de fiscalização também foi abordada por Luiza Maia como fundamental para o sucesso da reforma política e de itens como o financiamento público. “A sociedade tem que fiscalizar para evitar isso. Nós defendemos o financiamento público, o fim da reeleição, pois a eleição no parlamento é um serviço que você presta e não uma carreira, e defendo dois mandatos”.

A deputada falou ainda sobre a indicação do nome de Rui Costa (PT), chefe da Casa Civil do governo Wagner, estar mais em evidência do que o de Luiz Caetano (PT), ex-prefeito de Camaçari e marido de Luiza Maia. A petista afirmou que o nome de Caetano já está na competição e que o governador ainda não decidiu nada. “O PT é democrático. O que o partido decidir não vejo problema. Acho ele [Caetano] preparado, o que ele faz em Camaçari o capacita para assumir o governo. Mas temos que ouvir também os aliados. É uma demonstração que a base tem bons nomes, mas vai formar uma chapa e tudo numa boa”.

Sobre a possibilidade de Caetano não sair candidato ao governo, Luiza Maia disse que acredita que ele sairá para deputado federal e ela tentará mais um mandato com estadual. A deputada foi enfática também ao falar sobre a situação da BR-324, em que a Via Bahia não pratica melhorias nas vias, nem coloca guard-rail para proteger os motoristas de colisões no lado oposto da via.

Por Fernando Duarte
Tribuna da Bahia

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