Sombria existência

27 out 2015

Quem visitar os sobreviventes das periferias desse imenso mundo, sentirá a força da miséria. Um povo nascido sem direito algum, até de não escolher o seu destino.

Em taperas, palafitas, barracos e desertos cruéis subsistem. Alguns dividindo quatro paredes de plena ausência de privacidade, de promiscuidade e de abandono. Esgoto e lixo fazem parte do chão que pisam, por isso, equivocadamente, “a sadia sociedade dos aquinhoados” trata-os como se fossem detrito daquele mesmo ambiente.

No calor e no frio, pelas calçadas inóspitas, os lençóis são as estrelas ou as folhas desprezadas dos jornais. São zumbis que resistem nas ruas dos desenganos. Talvez nem enxerguem mais no amanhecer luz que mostre veredas para um mundo menos lancinante. Passam dias e noites a zanzar por ruas de barro movediço, numa lamentável e sombria existência.

É duro aceitar tão insana realidade, pois o homem infelizmente continua entorpecido para a solidariedade e algemado ao egocentrismo. Vivenciamos o culto ao luxo excessivo de poucos, enquanto uma imensa legião de miseráveis sucumbe a um sistema de vida ferrugento e apocalíptico. É preciso romper o portão que separa essas realidades, a da luxúria e a da miséria. Ultrapassado esse portão o homem poderá compreender que essas duas realidades convivem tão perto uma da outra, apesar da inaceitável distância fática que ele mesmo insiste em manter.

É preciso entender que o material serve apenas para equilibrar a caminhada pela vida, a fim de que espiritualmente o homem possa se aperfeiçoar e através do amor atingir comunhão plena com Deus. Por isso, preleciona Emmanuel: “Não estamos na obra do mundo para aniquilar o que é imperfeito, mas para completar o que se encontra inacabado”.

Miseráveis e abastados nascem e deixam esse mundo. É possível que miseráveis carreguem mais fé do que os afortunados, mas o importante é que aniquilemos o egocentrismo, estendamos as mãos uns aos outros, façamos da terra um único mundo, pois só assim alcançaremos a felicidade proposta por Deus.

Onaldo Queiroga
onaldoqueiroga@oi.com.br

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