Sonhar um sonho

21 jul 2017

relogio

Sonhar um sonho

Ensinaram-me, desde criança, a história de José do Egito interpretando o sonho do Faraó, avisando-lhe tempos de vacas gordas, tempos de vacas magras. E assim aprendi que sonhos acontecem e fazem acontecer como anúncio do bem ou como alerta do mal; desses, alguns são sugestivos ou tão assombrosos que nos fazem pensar o dia inteiro. Muito mais considerado do que o horóscopo, o sonho vem de dentro da gente, mesmo assim dizendo-nos coisas estranhas, todavia ditas pelo nosso inconsciente, o que para Freud seria a manifestação de um intenso e reprimido desejo.

Temos vivido nacionalmente circunstâncias indesejáveis, as mesmas repetidas ou criativas formas de corrução, de modo descarado; tanto é assim que recentemente se comentam, como nada acontecesse, e divulgam as imagens, os números e os corrutos indo e vindo, em fila, para compra de votos ou de políticos para uma votação no Congresso; tudo isso quase sob o indiferente silêncio dos que deveriam criticar e provocar a opinião pública. Mas isso não nos desestimula a sonhar.

Martin Luther King, esplendorosamente, só nos revelou um: “I have a dream” ou “Eu tenho um sonho”; e com essas palavras deu o recado de um sonho coletivo contra a discriminação racial. Mataram-no porque confessou a força desse desejo. Há quem empregue o sonho em coisas menores, como apenas na de acertar no jogo do bicho, porém, eu e tanta gente sonhamos que haverá um Brasil melhor: Sonho que só se tem acordado e não pertence à abordagem psicanalítica, tampouco simbólica, mas substancialmente política. E o que falta? Saber votar, agir, antes que esse sonho se acabe. A esperança de que esse premonitório desejo se cumpra nos livra de pesadelos, promete um país mais justo, de maiores igualdades e seriamente democrático. Somos capazes de sonhar um sonho…

Damião Ramos Cavalcanti
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