Sonho de jovem

22 mar 2013

SONHO DE JOVEM

Escreveu: Francisco Alves Cardoso

Uma paixão pela cultura
O mundo me fez assim
Sempre pensei no que é bom
Nunca alimentei o ruim
No começo agricultor
Limpando terra e capim

Agricultor sofre muito
Mas Deus lhe dá a bênção
Porque cultiva com fé
O milho, arroz e feijão
E nem reclama da vida
Pois tem resignação

Sempre sonhei com bons tempos
Acreditando em Jesus
Sabia dos sofrimentos
Carregando a minha cruz
Mas confiava que tinha
No fim do túnel uma luz

Queria ser homem forte
Queria ser cantador
Gostava de ver na feira
O bom improvisador
Cantando versos nos sábados
Na feira para o agricultor

Lutei pra comprar um som
Mas não tinha um fiador
Meu pai era um homem pobre
Não dispunha do valor
Depois perdi o encanto
E não fui mais cantador

O teatro entrou na alma
Encheu o meu coração
Aí nasce um mundo novo
Uma nova vocação
Inegavelmente, essa
Foi a segunda paixão

Mesmo sendo advogado
Continuei a encenar
Por esse Nordeste afora
Nos palcos a me deleitar
Fazer o que gosta é bom
É viver e trabalhar

Incentivando a cultura
Uma nova era chegou
O tempo dos festivais
Valorizando o autor
Sousa vibrava nas festas
Do garoto sonhador

O FERCASA era a voz viva
O protesto do cantor
O povo fazia festa
Do mais pobre ao doutor
O Festival da Canção
Um grito libertador

Unindo todo o sertão
Nessa gleba bem rural
O Parque “O Rei do Baião”
Mora com o natural
Fazendo o lado do bem
Combatendo o lado mal

Bela área sertaneja
Do solo paraibano
Em São João do Rio do Peixe
Nasce um reino soberano
Terras de Cacimba Nova
Com o nome gonzagueano

A Fazenda São Francisco
Foi o nome batizado
Mil novecentos e oitenta e oito
O projeto iniciado
Ganhando notoriedade
Pelos fãs é reverenciado

Com a morte do Gonzaga
Um sonho apareceu
Homenagear o rei
Que o Nordeste enalteceu
Cantou a história nossa
Enquanto entre nós viveu

Um trabalho planejado
Ganhou apoio e ação
A coordenação do Parque
Batizou de Gonzagão
E o pé de serra escreveu
Passos do “Rei do Baião”

Hoje tudo é diferente
O artista canta a vitória
A cada ano em agosto
Fica gravada em memória
O festival de Luiz
É uma página da história

FESMUZA é o festival
De músicas gonzagueanas
Cantado por sanfoneiros
De vozes tão soberanas
O Nordeste testemunha
Nas terras paraibanas

FESMUZA – festa do povo
Já se tornou tradição
Os artistas nordestinos
Revivem o “Rei do Baião”
Ganham prêmios e comendas
E a vibrante integração

A festa conta também
Com outra grande atração
Concurso de Poesia
Chamado CONPOZAGÃO
Ano passado os poetas
Viveram a mais pura emoção

O ano dois mil e doze
Inspirou sabedoria
E dezenove estados
inscreveram belas poesias
O centenário do rei
Festa, trabalho e alegria

O Parque nos seus recantos
Induz forte sensação
Tem a Gruta das Saudades
De pedra é a construção
Chamada “Helena Gonzaga”
Que linda recordação

O Cristo em grande estátua
Abençoando os artistas
Abre os braços na entrada
Agradecendo aos turistas
Na sua sabedoria
Indicando internas pistas

É na Sala de Reboco
Que todos querem entrar
São Severino dos Ramos
Padroeiro do lugar
E o busto do Gonzagão
É atração popular

Homenagem a Januário
Na Casa do Sanfoneiro
A Galeria Azulão
Que foi o marco primeiro
E na Quadra Antonio Alcindo
A festa do forrozeiro

O Salão dos Colunistas
Do site do “Caldeirão”
Tem a Casa dos Amigos
De Luiz “Rei do Baião”
E a Casa do Pensador
De toda a Instituição

A Sala dos Escritores
Que tem participação
No Parque Luiz Gonzaga
Amigos do “Caldeirão”
E a estátua lendária
Do Padre Cícero Romão

A arte está lá no Parque
Com poetas e cordelistas
No casarão da fazenda
A Sala dos Jornalistas
E no dormitório repousam
Os participantes artistas

Tem a Casa dos Lendários
Ronaldo – o governador
Professora Vilany
E Gualberto, o Monsenhor
Homenagens inesquecíveis
A cada um benfeitor

Uma mistura gostosa
Da arte e do festival
O FERCASA veio de Sousa
Com a música regional
E o TAS – a história viva
De uma era teatral

No ano dois mil e treze
A festa é nacional
Oliveira de Panelas
Vem abrir o festival
Artistas de toda parte
Nesse encontro magistral

Em agosto, 24
Tem a Missa do Vaqueiro
Inédito acontecimento
No sertão é pioneiro
Lembra Raimundo Jacó
Cabra macho e verdadeiro

Uma atração emotiva
Chama-se a Sanfozagada
“Paulo Afonso” é a música
Bahia homenageada
Todos os sanfoneiros tocam
Esse baião na entrada

A equipe de apoio
De trabalho e construção
Dessa festa de arromba
Merece honrosa menção
Pois sem ela ninguém faz
A festa do Gonzagão

Vinte e quatro de agosto
A chegada do baião
Nesse seu novo reinado
Aqui no alto Sertão
Abraçar seus seguidores
E pedir mais coesão

São João do Rio do Peixe
Aguarda sua chegada
Para uma festa diferente
Ritmo de Sanfonzagada
Consulte o seu calendário
Coloque o pé na estrada

Seis quilômetros distanciam
Esse Parque da cidade
Segurança rigorosa
Comida de qualidade
Organização perfeita
Pra sua tranquilidade

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