TRAJETÓRIA DE DADÁ GADELHA

20 jul 2018

Dona Dadá é uma Planta Rara, que conseguiu dar Bons Frutos e belas Flores! (Firmino Alves, ex integrante do Xaxado)

Dalvanira Dantas de França (seu nome de nascimento) nasceu em Campina Grande, PB, no dia 27 de julho de 1928. Filha de Bernardino de França e Luzia Dantas, tem dois irmãos: Dinival Dantas de França (in memoriam) e Dinalva Dantas de França.

Conhecida na intimidade como Dadá Gadelha, é  uma mulher dotada de tantos méritos profissionais que, para serem enumerados, exigem atenção, paciência, tempo e, acima de tudo, ter a convivência no  dia a dia como abnegada professora de música de várias gerações, dos trabalhos de Pesquisas das Danças e Folguedos Populares, reaproveitando-os para arte.

Aos 22 anos, casou-se com Raimundo Gadelha Fontes, cuja cerimônia religiosa foi realizada na Igreja Nossa Senhora do Carmo e civil, no Cartório Nereu Santos, em Campina Grande, sua cidade natal. Dessa abençoada união, nasceram quatro filhos: Tércio Lunardo de França Gadelha Fontes,Thaíse de França Gadelha Fontes, V Raimundo Gadelha Fontes Filho e Tárcio de França Gadelha Fontes.

Dalvanira Gadelha fixou residência na cidade de João Pessoa, em 1973, pois acompanhou seu esposo, Raimundo Gadelha Fontes, emérito jurista, que assumiu o cargo de Procurador do Tribunal de Contas do Estado e, em seguida, a função de Professor no Curso de Direito da Universidade Federal da Paraíba.

Dadá, “o homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo”. Este não foi ocaso de Dr. Raimundo Gadelha, o grande e único amor de sua vida, seu esposo e pai de seus filhos. Ele cumpriu bem sua missão na Terra, como filho, esposo, pai, jurista e amigo, pessoa de coração enorme. Aparentemente duro, mas de um grande coração. Trata-se de uma pessoa justa.  Todos temos nosso tempo para cumprir a missão que nos foi confiada. Ele o fez e o fez com esmero. Partiu, deixando um vazio enorme nos parentes e amigos e, principalmente, na senhora cuja alma ficou dilacerada. Mas Deus sabe nos consolar e nos erguer para prosseguirmos na luta até o fim de nossa derrocada.

O amor entre o casal era admirável, uma bênção divina. Em 2000, ano que eles comemoravam bodas de ouro de matrimônio, Dr, Raimundo Gadelha escreveu-lhe uma linda carta, uma verdadeira prova de amor que se pode dar:

Dalvanira Gadelha é a mulher de que fala o  Evangelho, guerreira, lutadora, forte, não se deixa abater. Soube fazer limonada dos limões que a vida a presenteou. Com sua alegria, sabe, como a abelhinha, extrair da planta mais amarga uma gotinha de mel. Considero-a um ser imortal. Trata-se de uma pessoa muito afeita à amizade, porque “a amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pensar o que  se pensa, nem medir o que se diz”.(GEORGE ELIOT).

Sabemos que existem pessoas que espalham luz por onde passam; trazem paz, alegria e força no olhar. No céu recebeu nome de anjo, aqui chamamos de amigos” (INTERNET).

Prosseguindo em sua caminhada com vistas à melhoria da qualidade  de sua atuação profissional, algo inerente à sua personalidade, Dalvanira Gadelha sempre primou pela perfeição, e tudo que fazia, fazia-o com amor  e esmero. Nesse mesmo ano, participou de diversos cursos, entre os quais, o de Educação Artística, com carga horária de 160h, com a participação de renomados professores de Música, a exemplo de Pedro Santos, na cidade de Campina Grande, patrocinado pela Secretaria da Educação e Cultura e pelo Instituto Superior Musical da Paraíba; em 1974, curso sobre Desenvolvimento do sentido rítmico na Escola, realizado na Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sob a responsabilidade  do professor Helder Parente.

Eis o depoimento de uma ex-aluna

    Dona Dadá, a senhora merece todas as homenagens, por tudo que fez em prol da cultura deste Estado, do nosso país, enfim. A senhora é responsável pela educação de tantos jovens adolescentes que iniciaram uma vida tendo à frente seu dinamismo e garra diante dos obstáculos. A lição permanece até hoje…..eu sou grata por tudo que aprendi com a senhora. Deus lhe conceda toda paz deste mundo. Saúde, alegria, sucesso, sempre. Célia Farias (cantora.Campina Grande-PB).

Dadá Gadelha lecionou no Liceu Paraibano onde desenvolveu várias atividades artísticas, como a reativação do Coral deste educandário. Criou e dirigiu o  célebre “Xaxado  da  Paraíba” que fez muito sucesso na Paraíba, em outros estados brasileiros e no exterior.

.      Na década de setenta, independente das atividades exercidas em João Pessoa, a Professora Dalvanira exerceu atividades musicais em Campina Grande, sua cidade natal onde criou e coordenou o “Coral Villa Lobos” do Colégio Estadual da Prata; é autora da música do Hino do referido  colégio, sendo a letra da autoria da poetisa Vicentina Vital do Rego. Fez apresentações do “Coral Villa Lobos”  em “Festival de Arte” em Areia e nas Universidades de Brasília (CEUB E UnB).Coordenou O Coral do Colégio das Damas Cristãs e da Escola Normal Estadual da cidade serrana, sempre com brilhantismo  quando apresentava seus trabalhos musicais.

 Participação em diversos Cursos de Extensão:

-Regência : João Pessoa e Natal

-Arte na Educação,- João Pessoa – Recife  e Campina Grande (PB).

– Curso de Folclore  – UFPB.

-Curso de Folclore” Intercâmbio Cultural “Brasil e Paraguai”( Assunção)

-Prática de Canto Coral- Recife  e Brasília.

-Iniciação Musical (Método ORFF) Recife -PE

-Curso de Especialização em  “Direção Teatral” pelas Universidades Federais do Rio de Janeiro e da Paraíba.

Realizou, ainda, estudos particulares de piano sob a égide dos  magistrais Manoel Augusto (Recife), Edson Bandeira de Melo, Gerardo Parente e José Alberto Kaplan (João Pessoa).

Atividades docentes

Em 1976, a Coordenação de Artes da UFPB, subordinada à Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários passava por uma reestruturação a partir do segundo semestre do ano letivo. Foram contratados professores capacitados de diversas áreas nas atividades de Formação Artística, programa inédito no Brasil que visava à realização de cursos em nível de Especialização nas diversas modalidades de arte. Foram diversos professores capacitados e reconhecidos ligados à arte, inclusive a Professora Dalvanira Gadelha, frequentou e concluiu o Curso de Especialização em Direção Teatral (Pós Graduação Latu Sensu), pela Federação das Escolas Isoladas do Rio de Janeiro, FEFIERJ ( Resol. 200-UFPB 1976/1977).

Realizou Curso de Folclore- UFPB/FUNART, apoio da “Campanha de Defesa do Folclore”-João Pessoa-PB. 1976; de Regência, em João Pessoa e Natal(RN); Arte em Educação- João Pessoa, Recife e Brasília . Proferiu várias, palestras com debates, que se sucederam com frequência na  UFPB.(PRAC-DAC).

Exerceu a profissão de professora na Universidade Federal da Paraíba no período de 1976 a 1991. Nesse ínterim, foi lotada nos Departamentos de Artes e Comunicação e Música.  Contratada  pela Universidade Federal da Paraíba, ficou a professora Dalvanira prestando serviços no Núcleo de Pesquisas e Documentação da Cultura  Popular (NUPPO/UFPB), exercendo atividades culturais, pesquisas folclóricas com uma equipe de professores sobre a coordenação do professor de Folc-comunicação Oswaldo Meira Trigueiro. A professora Dalvanira Gadelha ficou à frente do “Grupo de Projeção Folclórica” da UFPB (XAXADO DA PARAÍBA).

Registramos na oportunidade, um belíssimo depoimento  de Dr. Oswaldo Meira Trigueiro sobre a atuação de nossa homenageada:

O Legado de Dalvanira Gadelha na Paraíba

Osvaldo Meira Trigueiro

Dizem que Maria Bonita foi a rainha do Xaxado do bando de Lampião. A professora Dalvanira Gadelha, Dona Dadá como é carinhosamente chamada pelos seus amigos e ex-alunos, com toda certeza, é a nossa eterna rainha do Grupo de Xaxado da Paraíba e de várias gerações de jovens estudantes secundaristas e universitários, que fizeram parte do grupo de danças dirigido por ela por longos anos no Liceu Paraibano e, depois, na Coordenação de Extensão da Universidade Federal da Paraíba.

O Grupo de Xaxado de Dona Dadá Gadelha brilhou não só nos palcos paraibanos, mas em quase todo o território brasileiro e no exterior divulgando as nossas tradições culturais. A professora Dalvanira Gadelha não só criou um grupo de danças que tinha como “carro chefe” o “Xaxado do Bando de Lampião”como também as coreografias, os figurinos e a teatralização de outras importantes manifestações culturais de nosso folclore que provocaram o surgimento de outras dezenas de grupos de danças, que até hoje continuam em atividade não só aqui, no Nordeste, como em outras regiões do país.

Dona Dadá não dirigiu apenas um grupo de dança, era uma líder, uma educadora que mantinha a disciplina na formação dos jovens participantes do grupo, foi rigorosa nos momentos certos e, ao mesmo, também uma “mãezona” quando necessário e ,assim, conquistava o carinho e respeito de seus alunos.

Acompanhei por diversas vezes o processo de seleção dos candidatos a uma vaga no grupo de Xaxado. Eram muitos para poucas vagas e a seleção tinha critérios bem claros: a disciplina, o respeito com os outros, a matrícula e frequência escolar e, evidentemente, algumas habilidades para dança e musicalidade.

Conheço a professora  Dalvanira Gadelha desde os anos 70, do século passado, quando realizamos juntos diversos eventos e sempre com o apoio de importantes colegas que atuavam no ensino, na pesquisa e na extensão na UFPB.  Gostaria muito de citar os nomes de todos que sempre acreditaram no trabalho desenvolvido por Dona Dadá, mas é uma lista bastante robusta e longa. No entanto, não posso deixar de elencar aqueles que desde o primeiro momento não só apoiaram como acreditaram e tiveram a coragem de introduzir, no âmbito da universidade, os estudos, as pesquisas e atividades de extensão no campo do folclore e da cultura popular.Pessoas como o Reitor Liynaldo Cavalcanti, o Pró-Reitor Iveraldo Lucena e a Coordenadora de Extensão Carmem Isabel Silva. Outros vieram e deram continuidade aos projetos iniciados por eles, inclusive apoiando o grupo de danças dirigido por Dona Dadá, e a criação do Núcleo de Pesquisas e Documentação da Cultura Popular/NUPPO, numa época em que poucos valorizavam o folclore e a cultura popular.

Quando aqui cheguei na UFPB, em meados dos anos de 1970, para trabalhar na Coordenação de Extensão na área de estudo e da pesquisa do nosso folclore e da cultura popular já encontrei Dona Dadá em plena atividade no grupo de danças com o entusiasmo de sempre, o desejo de ajudar os seus colegas e sempre foi assim, desprendida de vaidades e o desejo de compartilhar os conhecimentos com os demais colegas da universidade.

Professora Dalvanira Gadelha, a nossa Dona Dadá, espalhou pelo Brasil afora uma legião de cidadãos que atualmente exercem diferentes atividades profissionais, não importa qual seja, mas fazem questão de incluir no seu currículo a sua passagem pelo Grupo de Xaxado de Dona Dadá.

Portanto, professora Dalvanira Gadelha deixou a direção do grupo porque o tempo se encarrega dessas mudanças nas nossas vidas cotidianas, mas o seu legado nem o tempo tira, é imortal. Dona Dadá está na história da Paraíba como a eterna rainha do Xaxado e de um “bando” de jovens que passaram pelo grupo de danças criado por ela e atualmente estão espalhados em diferentes lugares e em diferentes atividades nas suas comunidades. Em Dona Dadá admiro a generosidade, o jeito fácil de fazer amizade, a alegria de viver e a disponibilidade de compartilhar os saberes com os outros.

Foi uma convivência de trabalho que se encerrou com as nossas aposentarias, mas mantemos um laço de amizade que perdura até os dias atuais.

Um grande abraço Dona Dadá.

Atividades culturais

Exerceu atividades culturais no “Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular” (NUPPO/UFPB) onde  realizou Pesquisas Folclóricas  (in loco) na periferia da grande João Pessoa e em algumas cidades do interior paraibano.

-Reelaborou trabalhos de Projeção Folclórica na UFPB com  universitários.

-Num intercâmbio cultural dos Companheiros das Américas, realizou aulas de música nas Escolas Americanas, em Connecticut (EUA) 1986 e 1987 (dois períodos).

-Coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura  Popular (NUPPO) UFPB.

-Coordenou coreografia e a música da apresentação do Xaxado na peça “AUTO DA COMPADECIDA” de Ariano Suassuna.

-Coordenou  música e coreografia do Grupo Xaxado na peça AUTO DA COBIÇA de Altimar de Alencar Pimentel.

A peça “AUTO DA COMPADECIDA” com a Direção geral do teatrólogo Fernando Teixeira, sendo a Música e a Coreografia da peça pela professora Dalvanira Gadelha. Nessa época,   foi apresentada em João Pessoa e em algumas cidades vizinhas. Fez uma turnê pelo sul do país: S. Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

O sucesso foi extraordinário, inclusive, o próprio Ariano na época se expressou: “Foi este o espetáculo mais belo já feito com o “Auto da Compadecida”, uma espécie de ballet de “guerra dançada” com tiros… Foi aquilo que eu vi no Grupo de Danças Folclóricas de Dalvanira Gadelha…  (Jornal de Pernambuco, sábado, 13 de Nov. de 1976).

Dona Dadá recebia sucessivas mensagens de carinho e gratidão por onde passava com seus dançarinos:“  Amada é você Dona. Dadá, muitas saudades, e mais uma vez quero agradecer por tantos ensinamentos de VIDA & ARTE. Muitas SAUDADES BEIJOSSSSSSSSSSS – 28/ junho de 2011 às 13:50”. (Arrnaldo J.G. Torres-Fotógrafo cultural artístico S. Paulo).

A peça “Auto da Compadecida” alcançou grande sucesso com os renomados atores paraibanos, como também a força do “Xaxado” que, não do agrado, absorveu o enredo conforme comentários e a crítica jornalística de Tânia Pacheco:   “Sem dúvida, o ponto alto do espetáculo  ficou por conta do Grupo Folclórico. Não sabemos até que ponto Fernando Teixeira e Dalvanira Gadelha construíram juntos a montagem. De qualquer forma, o vigor da encenação está baseado, fundeado, na garra com que dançarinos e instrumentistas se apresentam. É nas danças – pés batendo no assoalho do Cacilda Becker, marcando o compasso do Xaxado – que o espetáculo se fecha, se completa, domina o público e o faz vibrar. A dança de Severino Araújo e seus cangaceiros é de uma força raramente obtida e justifica plenamente,  os aplausos prolongados da plateia” Jornal “ O GLOBO, quarta- feira, 16/03/1976.

Composições  Musicais

 – HINO DO COLÉGIO ESTADUAL PRATA ­  Música de Dalvanira Gadelha e Letra : Vicentina Vital do Rego

– MINHA PRECE (Modinha) Música  e Letra de Dalvanira Gadelha
  – EMA COM 6 VARIAÇÕES (Piano)

Poema musicado ( Canção)

– AUSÊNCIA ( Valsa)

– POEMA DE AMOR (Letra e Música)

– SONHEI CONTIGO  (Letra e Música)

– HINO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS CLUBES DA  MAIORIDADE (ABCMI)   1° Lugar

  1. MÚSICA: DALVANIRA DE F. GADELHA FONTES  / LETRA: YOLANDA FERNANDES LEITE

Dadá Gadelha foi inspiração para poemas. Edmundo Novaes lhe dedica um belo acróstico:

 

DALVANIRA

Deus abençoe e  proteja

A vida dos meninos do Xaxado.

Lembrarei toda vida desta bela

Vitória conquistada em Berlim.

Auguro novos sucessos, o que

Não poderia ser de outra forma.

Irmãos Brasileiros em união

Repartindo alegria e beleza

Aos povos do mundo inteiro

(Edmundo Novaes. Médico da Delegação Brasileira na Ginastrada em Berlim- Alemanha)

 

 

Dadá Gadelha, “a memória é o perfume da alma”(George Saud).

A senhora atingiu a imortalidade a um ponto que jamais será esquecida,  porque, “somos nossa memória, somos esse quimérico museu de formas inconstantes, esse montão de espelhos rompidos.” (Jorge Luis Borges).

o que  verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós” (Clarice Lispector).

A senhora já escreveu o capítulo de sua vida para a perenidade, pois lembrar é quando, mesmo sem autorização, nosso pensamento representa um capítulo de nossa vida. E a senhora, com toda sua humildade, seu altruísmo, escreveu o capítulo de sua vida com o coração. E “o que a memória ama, fica eterno” (Rubem Alves).

Fernando Pessoa nos diz que “a ciência descreve as coisas como são, mas a arte, como as  coisas são sentidas”.

Dadá Gadelha exerceu com maestria e esmero a missão de arte-educadora. Sua grande preocupação era transmitir bem, pois “o saber perfeito leva irresistivelmente à realização segura, à construção, ao ato” (Rui Barbosa).

Aproveito a oportunidade para transcrever de Rubem Alves (1983,p.13) um excerto:

 

Os educadores são como árvores. Possuem uma face, um nome, uma “estória” a ser contada. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos, sendo que cada aluno é uma “entidade” sui generis, portador de um nome, também de uma “estória”, sofrendo tristezas e alimentando esperanças. E a educação é algo para acontecer neste espaço invisível e denso q       eu se estabelece a dois. Espaço artesanal. Daí, […] questionar:-Educadores, onde estarão?Em que covas terão se escondido?

 

Reporto-me ao Prof. Itapuan Bôtto Targino, imortal da Academia Paraibana de Letras (extraordinário educador paraibano que deu novo olhar à antiga Escola Técnica Federal da Paraíba), que ao me prestar uma bela homenagem em Assim eu disse…(2005, p.13), escreveu:“[…] toda manifestação de louvor deveria ser praticada em vida, a fim de que o enaltecido pudesse recebê-la em momento de vitalidade, no gozo de sua plena consciência”

Vygotsky (apud WERTSCH, 1994, p.184 in SILVA, 2013, p.62), assim se expressa sobre a memória: “A memória certamente pressupõe a atividade da atenção, percepção e compreensão. A percepção necessariamente abrange aquela mesma função da atenção, reconhecimento ou memória, e a compreensão […]”.          

Dona Dalvanira Gadelha recebeu, merecidamente, o título de Professora Emérita da Universidade Federal da Paraíba, em 2014 cuja solenidade ocorreu em 2015.

Vejamos o depoimento emocionante de Verônica Alencar:Médica radicada em Campinas, SP

Dalvanira é Amanhã, Dia 15.08.2015,  às 19 h receberá o título de Professora Emérita, prefiro assim a chamá-lo de Título de Professor Emérito, diga-se de passagem um título de mulher, um título de professora, um título merecido pelos inúmeros mestrados, doutorados e PHDs que ela ao longo da sua vida fez com que seus alunos fizessem, enquanto ela apenas nos ensinava a cantar, dançar e amar a cultura do nosso povo.

A Universidade Federal da Paraíba é que deve se sentir Honrada por  poder dar a esta mulher um título tão importante.

Na nossa festa de maio, Nairon (Zé Lezin) confessou que D. Dadá o tinha livrado da marginalidade, trazendo-o para a arte,quando o chamou e falou para ele fazer faculdade e pagou a inscrição do seu vestibular.

E todos nós tivemos algum livramento na nossa vida feito por ela, quando nos apresentou ao país, e ao mundo, quando jovens cangaceiros eclodimos em plena Alemanha dividida, vestidos de cangaço e empunhando armas em plena ditadura militar no Brasil. Só ela sabe a pressão que sofreu e os louros que colhemos depois de tão vitoriosa arte que levamos ao mundo.

A cultura popular levada por D. Dadá representada pelas nossas vozes no Coral, pelos nossos corpos nas danças folclóricas, pelas nossas performances em peças de teatro e pelas nossas consciências em longas viagens de ônibus e avião, convivendo diariamente, meses e eventualmente por anos seguidos aprendendo a ser homens e mulheres, felizes, e únicos pela experiência mais importante do mundo que é a AMIZADE.

Não estarei aí amanhã, mas me basta o que sou hoje para me sentir aí com a senhora e meus amigos queridos. Receberá o título de Professora Emérita, prefiro assim  chamá-lo de Título de Professor Emérito, diga-se de passagem um título de mulher, um título de professora, um título de cidadã.

Não estarei aí amanhã, mas me basta o que sou hoje para me sentir aí com a senhora e meus amigos queridos.

Querida Dona Dadá – Sinta-se a Nossa Mestra Emérita.Abraço,(Verônica Alencar.Médica radicada em Campinas, SP).

 

Dadá Gadelha, “nada do que vivemos tem sentido de não tocamos no coração das pessoas”  Com sua varinha mágica de bondade soube tocar suavemente o coração de toadas as pessoas que tiveram a felicidade de conviver a seu lado.

Portanto, a gratidão de todos os paraibanos, pois a senhora é uma figura ímpar. Parabéns pelos seus bem vividos 90 anos. Que Deus prolongue sua bela existência para a alegria dos familiares e amigos.

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