UM OLHAR SOBRE “DO ATO AO DESTINO, CONTROVÉRSIAS EM MEDICINA” (Ensaios e crônicas)

19 out 2015

Do ato ao destino, controvérsias em Medicina (Ensaios e crônicas) é a produção mais recente de Dr. Marcos Aurélio Smith de Filgueiras, ilustre médico humanista, neurologista, expert em Epilepsia,que vem realizando estudos em Medicina há mais de 30 anos, incansáveis, nas diversos campos, tendo Deus por meta de suas ações pessoais e profissionais, razão pela qual é bem sucedido no campo profissional médico.

Vejo nesta brilhante figura humana um iluminado, escolhido por Deus para exercer com amor, competência e ética a carreira que abraçou em prol da humanidade. Como sua paciente, testemunho o que aqui registro. Sua obra, considero-a um tratado didático-filosófico-médico-literárío, logo, transdisciplinar.

Ele a abre com a citação: “O livro é um ato de fé na razão e na coragem ante a adversidade”. E diz: “escrevo para representar o destino: uma imagem sobre humanismo na medicina, imagem do cérebro na epilepsia, imagem do uso excessivo de medicamentos.

Trata-se de uma obra bem escrita, bem fundamentada cientificamente, além de permeada com o tempero indispensável de humanismo, o que faz a diferença. Neste monumento médico, lança a mão de adágios, frases de efeito, citações…dos imortais, como Charles Reade, Mahatma Gandhi, Miguel de Cervantes(na figura de Dom Quixote com quem ele se identifica na luta pelo quase impossível) entre outros, no combate às injustiças sociais.

Dr. Marcos Aurélio Smith arquitetou esta obra com 76 capítulos, distribuídos em seis partes. Apresenta as controvérsias em Medicina; oferece um leque de temas humanísticos, aconselhando os médicos jovens a segui-los com vistas à eficácia no desenvolvimento da prática médica, principalmente, a partir das consultas que devem ser melhoradas, pois muitas vezes, o paciente necessita apenas ser ouvido, não medicamentado. Tratando-se de um médico humanista, deveria ser todo ouvido, embora se saiba que , na atual conjunta sócio-econômica, é difícil, mas não impossível. É muito oportuna a abordagem feita por ele sobre a Filosofia e a Medicina.

Na primeira parte – OS MITOS DA EPILEPSIA (capítulos 1 a 8), ele afirma com veemência, que Epilepsia não é uma doença, e sim, um distúrbio cerebral; comenta sobre todas as controvérsias que há em torno desta, tece critica humanística com embasamento científico aos preconceitos existentes, bem como à indústria farmacológica, com preocupação voltada para a excessiva medicação prescrita por médicos aos pacientes, e os graves riscos à saúde destes, podendo levá-los a óbito.

Na segunda parte – MEDICAMENTOS, SEUS EXCESSOS E RISCOS (capítulos 9 a 22), apresenta uma Solicitação e proposta à Comissão de Ensino do Conselho Federal de Medicina com o objetivo de que seja atualizada a grade curricular do curso e se corrijam as falhas que dificultam o bom desempenho do aluno quando no exercício da profissão.

Na terceira parte – CONTROVÉRSIAS EM MEDICINA (capítulos 23 a 40), trata dos falsos diagnósticos, do uso excessivo de diuréticos que respondem pela maioria de AVCs nos idosos; de protetor gástrico; do equívoco da labirintite; da verdade sobre a Osteoporose , desaconselhando o uso excessivo de cálcio e sugerindo atividades físicas, entre as quais, a caminhada e uma alimentação saudável à base de frutas e verduras. Outro tema tratado aqui é o Colesterol, para o qual ele dedica três capítulos (32 a 34) dado a sua importância para o bom funcionamento do organismo humano. Já no capítulo 36, o autor o direciona ao estudo das controvérsias do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), considerado por ele como uma doença fictícia. Invencionice da indústria farmacológica, que tem grande interesse em propagar bastante esta pseudo-enfermidade para a obtenção de lucros exorbitantes. Ainda nesta parte, Dr. Marcos Aurélio Smith dedica três capítulos ao estudo de Alzheimer. Na concepção deste extraordinário médico, virou modismo transformar a Demência em Alzheimer porque a incidência desta tem aumentado, pois o número de idosos está aumentando no Brasil e no mundo. E o médico não deve encher o idoso de muitos remédios ou substituí-lo automaticamente.

Na quarta parte- MEDICINA SÓCIO-HUMANISTA (capítulos 41 a 62), o autor conclama os colegas de profissão a exercerem uma medicina humanitária, voltada para o homem, suas queixas, suas dores, sua angústia existencial. Muitas vezes nem necessita ser medicado, mas de um conselho, uma orientação, um olhar diferente. Claro, é mais prático prescrever o medicamento e liberar o paciente porque ainda há muitos (pacientes) para serem atendidos.

É um horror! Muitos pacientes não voltam mais àquele médico e não o recomendam a quem o procura pela maneira como ele trata o próximo. ,

O autor aconselha, portanto, aos jovens médicos: “Quem quiser construir uma boa clientela, [….] exerça uma Medicina Humanitária. Quem quiser destruir-se, uma alerta aos mais experientes, faça o contrário”.

Conforme se fez referência, Dr. Marcos Smith preocupa-se bastante com o ensino defasado dos cursos de Medicina no Brasil, que apresenta uma grade curricular lacunosa, que não atende às necessidades da sociedade atual, não prepara bem os futuros profissionais, enquanto a indústria de medicamentos está aí entregando novas drogas e “conscientizando” os novos médicos a prescreverem tal e qual remédio, uma nova linha. Sua maior preocupação está nos idosos, alvo desta indústria.

O autor deste (que eu chamo) “tratado” dedica o capítulo 44, de título exótico –MEDICINA BASEADA EM QUE MESMO? – aos aspectos filosóficos, ontológicos, espirituais, quando aborda a Medicina em vários aspectos que dizem respeito à alma, ao espírito, à fe´, ao poder da mente, ao imaginário, todos condições indispensáveis a uma vida plena, feliz, porque movida pelo entusiasmo, razão e emoção . Neste pensar, a Medicina apresenta-se Baseada em: Evidência, Previdência, Eminência, Veemência, Eloquência, Elegância ( no Belo), Deficiência, Onipotência, Experiência e Prevalência, uma feliz lexicografia comandada pelo sufixo formador de substantivo abstrato, que busca a exequibilidade com vistas a promover a felicidade do ser humano, que nasceu para amar e ser amado, para ser feliz, embora, às vezes, por caminhos tortuosos porque não busca a Deus, razão ímpar da ascensão espiritual o homem. Finaliza o capítulo com a Medicina Baseada na Providência, “quando a decisão é deixada nas mãos de Deus, do Todo Poderoso. E aqui, eu lembro duas frases bíblicas de efeito, pronunciadas pelo Filho de Deus: “ Não temai, Sou Eu”; “ “Confiai, Eu venci o Mundo”, pois Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

Defensor de uma vida voltada também para a espiritualidade,o iluminado médico sugere no capítulo 47, sugere:

[…] seria até melhor que tudo o que acontecesse na nossa vida, viesse acompanhado de fé, otimismo e esperança.

Justifico: se tivermos fé, confiança, esperança, se formos otimistas, há um grande risco de tudo dar certo. Mas para atingirmos a nossa meta que é a melhora, até mesmo a cura, nós humanos temos que assumir a postura de São Tomé, “ver para crer”. Precisamos sentir palpar a fé e só há um jeito, materializá-la. O processo de materialização depende da impressão que um determinado tratamento exerce na nossa mente. Aquele comprimido de cor mais aberrante, digamos vermelho, nos impressiona mais que o branco. O medicamento que amarga ou que é ácido, ou azedo influencia mais a nossa mente do que o sem gosto, sem odor, doce. A injeção tem muito mais poder do que o comprimido. O que dói é melhor do que o que não dói.

Na quinta parte – FILOSOFIA E MEDICINA (capítulos 63-74). Aqui, Dr. Marcos Aurélio Smith chama a atenção para a violência contra a natureza, posto que a destruição da fauna nos oceanos, por culpa da deseducação do homem, pode causar, no futuro, grande catástrofe para a humanidade. Aborda temas filosóficos, como Determinismo e Indeterminismo, livre arbítrio entre outros, bem como conflitos de interesse em Medicina.

Na sexta e última parte- CONHEÇA SEU CÉREBRO E MELHORE SUA VIDA (capítulos 75-76), trata dos distúrbios do sono e como evitá-los. Sugere, para concluir, que se deve sair da rotina, ativar bastante o cérebro com atividades físicas a exemplo da prática neuróbica, caminhadas, natação entre outros, pois a atividade física estimula a produção do Brain, que é uma neurotrofina ligada à neuroproteção cerebral e neurogênese, ou seja, geração de novos neurônios.

E assim, Dr. Marcos Smith conclui seu extenso estudo com a mensagem: Pare de reclamar da vida, saia da rotina e da vida sedentária, pratique neuróbica e caminhada.

Concluo minha singela leitura com as palavras de Dr. Wilberto Trigueiro, prefaciador desta obra:

[….] de uma leitura fácil e narração por vezes técnica, porém atraente, este compêndio certamente prenderá o leitor, médico ou não, pela diversidade de assuntos muito bem escolhidos, com riqueza de informações e sugestões para a atual e futuras gerações de médicos, bem como para outros profissionais da área de saúde”.

Esta obra deve, portanto, ser indicada como livro de cabeceira, aos jovens profissionais da área da saúde, em especial, os médicos, para que adentrem na arte de clinicar humanisticamente, vendo em cada paciente um filho seu.

João Pessoa, 11 de agosto de 2015

Marinalva Freire da Silva

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