Vendedores Ambulantes /Pombal década de 1960. O Vendedor de Quebra Queixo.

25 jul 2017

Outros vendedores de quebra queixo tivemos, mas quero falar de um em particular. Ele não tinha nome: era apenas “O homem do Quebra Queixo”. Ou o velho do “Beiço Lascado”, por ser portador de lábio leporino ou fenda labial.

Esse tipo de vendedor foge as memórias dos contemporâneos que moravam nas ruas melhores situadas, face a ser um ambulante das periferias. Oferecia os seus produtos aos tão pobres quanto ele, razão pela qual fazia mais escambo do que venda: garrafa, alumínio e cobre eram as “moedas” correntes por onde ele passava.

Cruzava as ruas da cidade com uma tabuleta de quebra queixo na cabeça, e um saco de garrafas vazias nas costas, ao tempo que gritava:

-Ééééébra eiiiiixoooooo…. óóóóca ô arrafa êa arrafa e lito. Az “meicado” de um e “Ôz uzeiro” (troca por garrafa meia garrafa e litro. Faz mercado de um e de dois Cruzeiros)

A molecada corria atrás do vendedor de quebra queixo com suas garrafas nas mãos para trocar por um “meicado” de doce.

O que irritava o “Vei do Beiço Lascado” era dizer que seu doce era feito com talo de pé de mamão, o que era uma verdade.

O vendedor de quebra queixo fez parte da nossa infância, e entra no registro das minhas memórias como mais um Homem Invisível das ruas de Pombal.

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Jerdivan Nóbrega Araujo

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