Vingt-un Rosado e a cultura local

19 maio 2018

José Romero Araújo Cardoso

O ano de 1936 em Mossoró registrou série de seminários, conferências e palestras organizados pela direção do Colégio Diocesano Santa Luzia, cujo ponto culminante foi a participação de Luís da Câmara Cascudo, agitando platéias e despertando interesses pelos estudos regionais e locais.

Entre os participantes dos eventos, encontrava-se Jerônimo Vingt-um Rosado Maia, então um jovem de 16 anos, caçula dos paraibanos Jerônimo Rosado e Isaura Rosado Maia, cuja empolgação despertou a atenção do sábio potiguar.

Câmara Cascudo lançou desafio, abraçado incontinenti, para que Vingt-un se tornasse guardião da memória local, feito considerado ponta-pé inicial para a estruturação futura da Batalha da Cultura.

Quatro anos mais tarde, com apenas vinte anos, patrocinado por Dona Isaura Rosado Maia, Vingt-un lançou primeiro livro, intitulado Mossoró, o qual trazia o selo da conceituada Pongetti Edições, localizada no Rio de Janeiro.

Mais tarde, ainda na década de quarenta do século XX, quando enfatizava graduação em Engenharia Agronômica na Escola Superior de Lavras, em Minas Gerais, foi convocado, no tempo da segunda grande guerra, a servir por lá mesmo ao Exército Brasileiro, tendo amargado pena de prisão por mau comportamento, pois deixava a unidade militar para namorar a futura esposa, Dona América Fernandes Rosado Maia, quando aproveitou para se aprofundar em leituras que revelaram muito sobre Mossoró, com destaque para a geologia e paleontologia.

Vingt-un Rosado descobriu que sua terra natal teve destaque em artigos publicados no exterior – Branner e Crandall – sobre a possibilidade da ocorrência de petróleo, motivando-o a ser intransigente defensor do potencial mossoroense em hidrocarbonetos.

Retornando a Mossoró, dedicou-se de corpo e alma, quando dos dois anos de gestão do irmão Dix-sept Rosado, frente à Prefeitura Municipal, em contribuir de forma significativa e incisiva para a efetivação do desafio lançado por Câmara Cascudo, em 1936, criando o Boletim Bibliográfico, embrião da Coleção Mossoroense, bem como a própria, assim como Bibliotecas e Museu.

A Batalha da Cultura foi então tomando formas concretas, definindo a importância de Mossoró no cenário cultural nacional. A Coleção Mossoroense se tornou referência em diversas áreas, sobretudo quando o assunto se relaciona ao Nordeste semiárido, indispensável quando se tratam de assuntos como as secas.

O apelo do insigne intelectual potiguar foi atendido de forma proeminente, pois a cultura, não apenas local, ganhou destaque através das ações do eterno feiticeiro das letras, razão pela qual se assinalou com letras de ouro o legado vingt-uniano dos mais importantes, ao lado da consolidação da ESAM, Bibliotecas e Museu, entre as tantas lutas que travou.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Campus Central, Mossoró/RN.

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