VISÃO MENTAL

4 dez 2017


Por Severino Coelho Viana

A psicologia moderna caminha para acrescentar mais três espécies de sentido humano: a visão mental, a audição mental e o diálogo mental, o nosso tema apresentado diz respeito a uma análise quanto ao tema da VISÃO MENTAL.

A análise da visão mental não se trata de ensaio exclusivo da psicologia moderna, há muito que a filosofia e segmentos religiosos indicam que a melhor forma de se viver é antes de olhar para o seu vizinho, deve-se olhar para o seu interior. Olhando o que fez de errado para se arrepender e evitando repetir o erro praticado do dia anterior, logo andando com a cabeça erguida pelo o novo aprendizado.

A visão mental se biparte: o olhar do bem e o olhar do mal, que se espraia de acordo com a índole individual, independentemente da classe social a que pertence e do nível de instrução. Há de convir que, o olhar do mal predomina em relação ao olhar do bem. Ora, simplesmente, o holocausto ocorreu porque Hitler foi um gênio doentio do mal com sua mente poluída pelo domínio do poder.

Esta nossa mente divide-se em duas partes racionais dirigidas para o bem e o mal. O nosso cérebro fixa notícias boas e más; sonhos e realizações. Esse comportamento de orientação depende da escolha interior do ser humano.

A estrada da vida está cheia de retas, curvas, veredas, encruzilhadas, empecilhos, obstáculos e congestionamentos inalcançáveis que formam às vezes um cenário nebuloso, impedindo o nosso olhar em busca do horizonte.

Deveríamos desenvolver o hábito de focar somente as coisas boas ainda que isso vá de encontro do nosso instinto animalesco da irracionalidade. Não é tarefa difícil, basta querer!

A visão mental do bem faz um planejamento retilíneo no modo de viver consigo mesmo e relacionar-se com os outros. Idealiza a flama do acontecimento alvissareiro. Preconiza a solidariedade entre os seres humanos. O sentimento de humanismo é voltado para o aconchego familiar, o apreço exposto no círculo de amizade e o bem-querer social.

O trabalho mental será direcionado conforme o sentimento de interpretação e análise dos fatos, por exemplo, quando alguém lhe conta o que fez nas férias, você vai criando imagens mentais que representam a sua interpretação do que o outro está falando: “Estive em uma praia de areias muito brancas, águas verdíssimas e um pôr do sol de tão rutilante demonstrava o poder da natureza…” O inverso é verdadeiro: você também tem o poder de fazer outras pessoas enxergarem coisas. Quando fala de um filme que assistiu, está influenciando o que a outra pessoa enxerga do filme. Também quando diz a alguém que acha que ela tem um futuro brilhante, está induzindo-a a enxergar esse futuro brilhante, talvez uma imagem vazia, mas luminosa, já que você não foi específico.

A mente poluída pelo o ódio, nós identificamos logo no primeiro encontro e no primeiro contato com a seguinte pergunta:

__ O que é que você está olhando para mim? Com esta expressão dita de forma aborrecida.

Ou neste outro aspecto de começar um diálogo:

__ O que era que você estava falando de mim? Com um olhar que espirra raio de ódio!

O grande questionamento que arrasa o viver social é a visão mental do mal, que já nasce com um coração petrificado e o nível de consciência se comporta por ato inescrupuloso que não foi compreendido na educação recebida no lar nem tampouco foi amoldado na educação escolar. É uma mente totalmente voltada para o pensamento maligno. É uma pessoa torturada, amargurada e insatisfeita com tudo e com todos e carrega consigo mesma um complexo de inferioridade. Há dentro dela algum tipo de frustração que ela mesma desconhece. Pessoas que têm um círculo fechado de amigos, o restante é somente conhecido. O olhar vê uma coisa real e o cérebro constrói uma imagem diversa daquela que está vendo. Alguém lhe conta um fato, e ela interpreta de forma diferente com fim de prejudicar e, logo acaba repassando a mensagem da maneira como imaginou, cujo resultado é denegrir a reputação e a dignidade alheia. E assim cumpre a sina errada por ser dona de um nariz enviesado e dona de uma mente torta que o olhar só segue a direção do mal.

No fundo do coração, as pessoas que têm esta visão mental voltada para o lado do mal carregam um peso do complexo que se firmam no seio familiar pelos os problemas consumidos no mundo da natureza e tentam descarregar as cargas negativas no ombro dos outros. Infelizmente, o toque da maldade é quem orienta as atitudes tomadas pela mente.

Por conta dessa visão de maldade é que o mundo a cada dia piora, o homem endurece o seu coração, as lágrimas de crocodilo enxovalham o rosto, os lábios balbuciam de dor, tudo por que não existem mais palavras de acalento!

A juventude está sendo contaminada por uma tormentosa visão da mente do mal achando que é senso crítico porque assim que observa um determinado fato imediatamente forma uma opinião enviesada sem dá-se conta de fazer uma análise profunda como o fato aconteceu ou está acontecendo. Emite um juízo de valor sem qualquer noção plausível e sem temer o resultado das consequências negativas. Com isso me faz lembrar o filósofo Aristóteles que, por exemplo, aclamava que a bondade era obtida através do hábito. Dizia assim o filósofo: “Quanto mais um ser humano praticar o bem, melhor ele será. E quanto mais ele praticar o mal, mais vicioso será”.

Fica, portanto, a nossa sugestão, um bom tratamento psicológico ajudaria no regular com clareza a visão mental de quem sofre deste transtorno. A visão mental é o processo que permite às pessoas, conscientemente, monitorar essa troca de energia, de informação e de modificar esse fluxo por meio da terapia.

João Pessoa – PB, 04 de dezembro de 2017.

SEVERINO COELHO VIANA
scoelho@globo.com

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