A DANÇA

5 jun 2017

Por Severino Coelho Viana

danca

A origem da dança é tão antiga quanto o próprio homem, cujos pés e mãos teriam marcados os primeiros ritmos de sua criação. Todos os povos, em todos os tempos, produziram suas danças características, que trazem a marca de suas tendências e atitudes, de seus costumes e dos seus ritmos peculiares à sua música.

Já na antiguidade clássica a dança se revestiu de duas formas: a) sagrada ou histórica, parte das cerimônias religiosas; b) profana, de caráter recreativo.

Assim, podemos localizar que, segundo as Escrituras Sagradas, entre os hebreus, Davi dançou diante da arca e Salomé diante de Herodes.

Entre os egípcios, os gregos e os romanos, as danças eram realizadas para cultuar os deuses, para exaltar os heróis, para comemorar as vitórias, para lamentar os mortos.

Durante a invasão dos bárbaros e a Idade Média, a dança quase desaparecia, ressurgindo na Renascença, em Flórida com os Médicis, daí se irradiou pela Península Itálica, pela França e por toda a Europa. Surgiram a sarabanda, a pavana, a corrente, o movimento, a gaveta, o passa-pé, o tamboril, a farândola, a “bourrêe” e inúmeras outras, de ritmos os mais variados.

A contradança, depois de denominada de quadrilha, fez a sua aparição, com as suas marcas tradicionais: “chaine-anglaise”, “avant-deux”, “paule”, “pasteurelle”. Mais tarde a valsa, a polca, a mazurca, o xótis.

Da Espanha, o bolero e o sapateado espalharam-se pelo mundo.
Da Itália, a tarantela e a farlana.
Da Polônia, a polca.
Da Rússia, a cossaca.

Danças populares foram e estão sendo criadas a cada instante e passando de um país a outro, tais como o tango argentino, o “Fox-trol”, o “rag-time”, o “shimmy”, o “maxixe” e o “samba” brasileiro.

A cada época novos estilos de dança: o frevo, o maracatu, o xaxado, o baião, o rock, o twist, o iè-iê-iê, o axé-baiano.

Os principais exemplos de manifestações da cultura popular brasileira são: festas e danças folclóricas, literatura de cordel, sambas, carnaval, capoeira, artesanato, contos, fábulas, superstições, lendas urbanas, provérbios, festa junina, frevo, artesanato, MPB (Música Popular Brasileira) e cantigas de roda.

O Brasil possui uma cultura muito rica e diversificada, com uma gama de modalidades de execução, muito importante para a cultura brasileira. O folclore brasileiro é rico em danças que representam as tradições e a cultura de uma determinada região.

Na região Nordeste, o tempo de maior visibilidade de suas danças típicas dá-se no período junino, onde cada localidade tem suas danças e seus folguedos, principalmente a tradicional quadrilha.

Na minha terra natal, Pombal – PB, existem seu folclore e suas danças, tais quais, os congos, os pontões e o reisado, que, geralmente, se apresentam por ocasião da Festa de Nossa Senhora do Rosário.

Ante esta situação, as danças estão ligadas aos aspectos religiosos, festas, lendas, fatos históricos, acontecimentos do cotidiano e brincadeiras. As danças folclóricas brasileiras caracterizam-se pelas músicas animadas (com letras simples e populares) e figurinos e cenários representativos. Estas danças são apresentadas, geralmente, em espaços públicos: praças, ruas e largos.

As danças folclóricas são uma forma de desenvolver essa expressão artística com base em tradições e costumes de um povo. Elas podem ser executadas de várias formas com pares ou em grupos e a forma original de dançar e cantar permanece praticamente ao longo do tempo.

No Brasil, as danças folclóricas sofreram influências das tradições dos estados, dos povos africanos e europeus. Dessa forma, dependendo do estado, as danças foram mais influenciadas pelos africanos, indígenas ou europeus. Além disso, a Igreja Católica também ajudou no surgimento de personagens e contos da história brasileira. Uma das principais características das danças folclóricas do país são as músicas simples e os personagens chamativos.

Mencionamos os tipos de danças mais populares: o samba, o samba de roda, o maracatu, o maracatu, o frevo, o baião, a quadrilha, que são os mais conhecidos. Continuamos a nossa relação: catira, reisado, caminha verde, maneiro-pau, bumba meu boi, fandango, carimbó são danças mais regionalizadas. Vem mais: congada, cabaçais do cariri, torém, coco, xaxado. E, ainda, num estilo mais modernizado: axé, pagode, gafieira, forró, lambada, zouk, xote, vaneirão, chorinho, funk.

Sem deixar de mencionar o Quilombo, Jongo, Tambor de Crioula, Araruna, Bugio, Danças indígenas, Lipinha, Lundu, Maculelê, Maxixe, Mazuca, Merengue, Rasqueado, Rancheira, Siriri, Tecnobrega, Ticumbi.

A lista de estilos de danças brasileiras é vasta e suas origens também são bem diversificadas porque o Brasil é muito rico em diversidade cultural, influenciada pelas diversas culturas presentes no país, e, consequentemente, sua cultura popular e suas danças compõem essa vasta riqueza sem fim.

Poderíamos pesquisar todas as modalidades existentes e, ainda, sim, acabaríamos deixando algum estilo de fora, porque o brasileiro está sempre criando, inventando e restaurando estilos adormecidos e esquecidos desde o inicio da colonização até os dias atuais.

A manifestação de danças é uma corrente porque a juventude de cada país cria novos ritmos ou transmuda os velhos, na ânsia de exprimir, de sua própria maneira, as suas aspirações, anseios, dúvidas, rebeldia, protesto e de toda uma gama infindável de sentimentos humanos, traduzidos antes pela música e identificados na dança que dela vai emergindo.

Boa ou ruim, cada época da música e da dança deve ser analisada cuidadosamente no âmbito do tempo e do contexto histórico.

João Pessoa – PB, 05 de junho de 2017.

SEVERINO COELHO VIANA
scoelho@globo.com

Comentários