ABC DE ARIANO

11 maio 2015

Por José Gonçalves do Nascimento

Ariano Suassuna
Dramaturgo e escriba
Veio ao mundo em 27
Em terra da Paraíba
E morou em Pernambuco
Até ir pro andar de “riba”.

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Seu pai João Suassuna
Era cidadão influente;
Governou a Paraíba
Na função de presidente
Era assim que se chamava;
Na época tal dirigente.

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Mil novecentos e trinta
Estoura a revolução.
Assume Getúlio Vargas
O comando da nação,
Mergulhando o país
Em intensa agitação.

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Em meio a esses conflitos,
A morte inoportuna
Acaba ceifando a vida
Do pai João Suassuna,
Mas o jovem Ariano
Não se curva à desfortuna.

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Sempre firme e resoluto
Ele não se abaterá
E junto com sua família
Vai para Taperoá,
No sertão da Paraíba
Passando a morar lá.

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É ali que ele conhece
A cultura popular
Vivida e praticada
Pela gente do lugar,
O que marcará pra sempre
Sua maneira de pensar.

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Teatro de mamulengo,
Samba de roda e xaxado,
Maracatu e ciranda,
Coco de roda e reisado,
Bumba meu boi, capoeira,
Cantoria, frevo e gingado.

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Xote, forró e cordel,
Vaquejadas e baião,
Desafio de violeiros
E quadrilha de São João.
Estes são alguns exemplos
Dessa rica tradição.

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Nessa fonte, Suassuna
Vai beber por toda vida,
Sendo a arte e a cultura
A razão da sua lida,
De maneira a amá-las
De uma forma desmedida.

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Algum tempo se passou
E ele já homem feito
Viaja para Recife,
Onde estudará Direito,
Se formando advogado
Competente e insuspeito.

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Diplomado advogado,
O jovem profissional
Não irá abandonar
O trabalho cultural,
Dedicando-se também
À atividade teatral.

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Ao tempo em que exerce
Sua advocacia
Dedica-se à prosa,
Ficção e poesia,
Mostrando em tudo isso
Competência e maestria.

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Eis aqui alguns exemplos
De sua rica produção:
“O auto de João da Cruz”,
“Cantam as harpas de Sião”,
“O Castigo da soberba”,
“Torturas de um coração”.

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Tem “O santo e a porca”,
Tem “O arco desolado”,
“Auto da compadecida”
(na TV apresentado),
Também a “Pedra do reino”
E “O pasto incendiado”.

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Importa lembrar também
Outras obras de talento,
Como “A pena e a lei”
E “O rico avarento”,
Todas elas oriundas
Do seu fértil pensamento.

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Com Hermilo Borba Filho
Cria o Teatro Popular;
A “Farsa da boa preguiça”
Foi a primeira a estrear;
“A caseira e a Catarina”
Também veio abrilhantar.

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Anos depois Ariano
Abandona a profissão
E passa a lecionar
Estética e erudição,
Defendendo a cultura
Com maior dedicação.

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Será ele professor
Na boa universidade
Federal de Pernambuco,
Onde com habilidade
Levará conhecimento
À promissora mocidade.

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Na década de setenta
Dá um passo colossal;
Junto de grandes nomes
Do universo cultural,
Funda ele o conhecido
“Movimento Armorial”.

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Tinha este movimento
Como alvo elementar
Promover a união
Do erudito e o popular,
Oferecendo ao nordeste
Algo espetacular.

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Atuavam em harmonia
O teatro e a pintura,
O cinema e a poesia,
A dança, a literatura,
Tapeçaria e cerâmica,
Ilustração, escultura.

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Integram o movimento
Personagens de primeira,
A exemplo de Brennand
E Antônio Madureira;
Todos eles preocupados
Com a arte brasileira.

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Tem Samico e Accioly,
Também Raimundo Carrero;
Tem Orquestra Romançal
Falada no mundo inteiro;
Tem o Balé Armorial
Orgulho do brasileiro.

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Embalado nas histórias
De antigos trovadores,
Repentistas e poetas,
Violeiros cantadores,
Assim cantou Ariano
Suas glórias, suas dores.

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No acorde da rebeca,
Nos batuques e folguedos,
Viajou com menestréis,
Prosadores e aedos,
Procurando inspiração
Pra suas peças e enredos.

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Com respeito à sua gente
E apreço à sua lide,
Galopou com Zé Pacheco,
João Martins de Athayde,
Leandro Gomes de Barros,
Assim como João Melquíades.

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Nas assas da sapiência
Alçou voos mais distantes,
Tendo em sua companhia
Pensadores importantes,
Como Euclides e Cascudo,
Alighieri e Cervantes.

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Palmilhou o mesmo solo
De Corisco e Virgulino,
Volta Seca e Cabeleira
Cobra Verde e Jesuíno,
Maria Bonita e Dadá,
Zabelê e Antônio Silvino.

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Historiou o nordeste
Como bom memorialista,
Sem jamais se esquecer
De colocar na sua lista:
Conselheiro e frei Caneca
Lourenço e Romão Batista.

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Ao longo de sua vida,
Cantou ele seu torrão,
Como cantou Patativa,
Como cantou Gonzagão;
Como cantou Dominguinhos
E Catulo da Paixão.

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Conviveu com personagens
Do folclore e da arte,
Como bem Cancão de Fogo
João Grilo e Malazarte.
Figuras que como sabem
Da sua obra fazem parte.

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Ariano correu mundo
Como um velho menestrel,
Dedilhando sua viola
E cantando seu cordel;
Disseminando a cultura,
Como apóstolo fiel.

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