BRASIL DOS BRASILEIROS

29 maio 2017

Por Severino Coelho Viana

As primeiras lições de vida que aprendemos são os pilares do idealismo humano.

No nosso lar, folheamos a primeira cartilha ou já nascemos com ele, cuja primeira página está o amor aos nossos pais. Este amor paternal e maternal nunca se acaba, inclusive, perdura até após a morte. Os filhos não esquecem seus genitores. Para os filhos os pais não morreram, nós sentimos apenas uma ausência.

O segundo tipo de amor, buscamos o seu significado na doutrina de caráter religioso, que é o amor ao próximo. Na nossa era de contemporaneidade, este amor ao próximo está cedendo e dando lugar ao egoísmo, o materialismo desenfreado está afastando o humanismo, tudo aglomerando em torno da vil moeda.

O terceiro aprendizado sobre o amor, nós catalogamos na escola, que é o amor à Pátria repassado por nossos mestres. Nesta lição de nativismo o grande sentido é morrer pela Pátria! Se for preciso!

Vamos fazer um retorno mental ao nosso tempo de vida estudantil. A nossa geração estudantil passou por isso. Da escola primária ao curso colegial.

O nosso aprendizado de civismo começou quando estudante secundarista, no vetusto Colégio Estadual de Pombal que, todas as quartas-feiras, no salão central de avisos, obrigatoriamente, bem uniformizado, do sapato engraxado à camisa bem lavada e engomada, nós cantávamos o Hino Nacional, de pé, em posição de sentido, a mão direita espalmada no peito esquerdo, busto impávido, pulmão cheio de ar, com entonação vibrante o nosso cântico patriótico soava pelas galerias daquele educandário. Era um momento de grande emoção que fazia a nossa mente entender o significado da letra, e, muitas vezes, fazia os nossos olhos encherem de lágrimas.

A bandeira do Brasil é formada por um retângulo verde, um losango amarelo no centro, uma esfera azul celeste dentro do losango e uma faixa branca com a frase “Ordem e Progresso”. Na Bandeira brasileira ainda estão 27 estrelas que representam os 26 estados e o Distrito Federal do país, cujo desenho foi formatado por Décio Vilares.

Nas comemorações das datas cívicas, precisamente, às 08h00min horas da matina, nós estávamos no pátio do colégio, de forma firme e de prontidão, assistíamos ao hasteamento da Bandeira. O símbolo representativo da Nação brasileira, desfraldado nos ares da liberdade, quando o azul anil regozijava o nosso futuro glorioso em busca do horizonte; o verde era o produto da mãe natureza que haveríamos de repelir, impiedosamente, aos devastadores ambientais; o amarelo rebrilhante que designava a nossa riqueza, cuja defesa do patrimônio nós lutaríamos contra os corruptos e depiladores do nosso erário; o branco era o expressivo sentido de paz que haveria de reinar entre nós e as demais nações soberanas do nosso mundo.

A nossa juventude movida pelo idealismo, o nosso grau de patriotismo aumentava com o toque retumbante do Hino Nacional quando os nossos atletas subiam ao pódio, ou, então, as estrondosas vitórias da nossa Seleção Brasileira de Futebol.

Pois é! Aquela criança que esperava um futuro brilhante foi transformado num adulto decepcionado pelos saqueadores da Pátria.

Será que este amor está se acabando? O nosso patriotismo chegou à estaca zero? Reconhecemos que é grande a nossa decepção, mas não era para atingir este índice de palidez.

O brasileiro de verdade, que ama a sua Pátria, poderia esquecer de uma vez todos os partidos políticos, uma vez que eles só servem para o registro de candidatura porque o sistema brasileiro não aceita candidaturas avulsas, jogando na lixeira todos os nomes de políticos citados na Operação Lava Jato e demais políticos que estão sendo investigados, indiciados, denunciados, condenados, sentenciados por ato de corrupção envolvendo o poder público.

Se eles levantaram a mão e pegaram o dinheiro do erário, justamente, esqueceram o(a) homem/mulher honestos que trabalham de sol a sol em prol do enriquecimento do Brasil.

Será que você não percebe que escamotearam o seu direito de escolha? Eles não ouviram a sua voz nem respeitaram o seu voto. Exerça a sua cidadania ativa, não rasgue seu título, compareça a secção eleitoral e vote contra para que não desapareça de uma vez a luz de esperança no fundo do túnel. Você precisa ser honesto consigo mesmo! Será que o amor pela Pátria seja menor que o amor por um corrupto?

Você não percebe que já foi enganado por muito tempo? Chegou a hora de mostrar que despertou o seu nível de consciência política. O Brasil só tem jeito se você mudar!

A espingarda carregada com a pólvora alheia está nas mãos do político corrupto, enquanto que o eleitor não passa de uma espoleta detonada. Quando o humilde eleitor se exausta de tanto reclamar, recebe como retribuição ao seu voto uma migalha que não cabe na moela de um pinto da ninhada!

Meu irmão eleitor aprenda esta lição e guarde na cachola de sua consciência: o sorriso do político é tão amarelo quando a palavra do falso profeta; o beijo do político representa a traição de Judas Iscariotes; o abraço do político iguala-se ao do poderoso mafioso Don Vito Corleone; o coração do político é tão cruel quanto ao de Hitler; as ações dos políticos são praticadas com o mesmo requinte do incendiário Neto; as atrocidades do político são tão perversas quanto às engendradas por Calígula; a palavra do político é tão verdadeira quanto à dita pelo maior mentiroso da história; a assinatura do político, por si só, já é uma fraude do maior estelionatário da história.

Enquanto isso, o eleitor, na sua inocência e boa vontade, é o grande alvo do político fraudador.

A classe política não tem amor à Pátria. E nós, os patriotas, não devemos seguir os seus exemplos.

Portanto, não seja tão egoísta a ponto de tolher o futuro de uma criança que vai nascer! Tenha uma história de vida que seja contada para a posteridade. Não deixe o sonho de esperança acabar antes do amanhecer!

João Pessoa – PB, 25 de maio de 2017.

SEVERINO COELHO VIANA
scoelho@globo.com

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