Conferência de Cultura em – Aquela que foi nunca ter sido

8 abr 2013

CONFERÊNCIA DE CULTURA EM – AQUELA QUE FOI SEM NUNCA TER SIDO.
Geraldo Bernardo

Temos uma cultura de atirar pedra, sempre, em quem está no poder.

Cultura é isto, modo de pensar, agir, produzir, registrar, guardar, mostrar, enfim… Cultura é tudo que a humanidade faz aqui nesta espaçonave terra. Mas, há quem pense que cultura é apenas o fazer artístico. Não é.

Por exemplo, temos a cultura de realizar eventos sem a devida preparação. Convites em cima da hora, limitações estruturais e outras cositas mais que prejudicaram em parte o início (sempre atrasado – cultura nossa) da “Conferência de Cultura”, promovida pela Fundação de Cultura de Sousa, na última quarta-feira (03/04).

A articulação externa superou a organização interna, bastante positiva a presença do representante do Ministério da Cultura, o Secretário de Estado da Cultura, o Prefeito do município, grande número de lideranças e observadores, esta articulação foi muito boa. Mas, não foi feito o dever de casa, não cuidaram da base.

Numa Conferência se discute políticas estratégicas, sempre há reuniões preparatórias para que se definam Eixos Temáticos, isto não houve aqui em Sousa. E o Regimento Interno? Não havia. Pauta? Falas e trabalho em grupo. É preciso ressaltar a boa vontade e o desprendimento de todos que se fizeram presentes, mas, quatro grupos numa mesma sala discutindo eventos artísticos, muita gente sem ouvir, sem noção do que o outro dizia, pois, o barulho era enorme, por mais que falássemos em tom baixo. Foi positivo no sentido de reunir algumas propostas para a própria gestão da Fundação Municipal de Cultura, mas, efetivamente não “amarrou” propostas para um Plano Municipal de Cultura.

O importante é que se estabeleceu um diálogo, isto é altamente significante. Precisamos avançar. Tornar o debate mais aprofundado, ousado, discutir, por exemplo, um projeto político para a cidade, que realmente fortaleça a cidadania.

Sousa, em toda sua história, só experimentou o projeto político das elites. Seja: a mentalidade feudal da oligarquia rural ou o pensamento burguês mercantilista da rua da ponte, ainda muito presente (não é só em Sousa, por aí afora também).

Até onde conheço apenas o governo do prefeito Antonio Mariz distanciou-se, um pouco, deste viés de nossa cultura política. Pensaram a cidade à moda destas elites. E a reprodução disto é muito arraigada em toda a sociedade. As estruturas de poder estão viciadas nesta cultura que não tem mais saída, politicamente falando, nos dias atuais.

Precisamos fortalecer a cidadania como cultura política. A cultura da periferia e dos campos tem que ser ouvida, assimilada, respeitada. Ainda, na “Conferência”, falou-se sobre a quantidade de terreiros de umbanda e candomblé em nossa cidade, no entanto, não havia representatividade deste segmento, apesar do grande número de afro descendentes presentes.

Precisamos revolver nossa história, colocar o dedo em velhas feridas, para que possamos realmente adentrar no caminho de desenvolvimento pleno. É preciso incluir, neste projeto, as comunidades de trabalhadores e os seu diversos segmentos. É uma proposta política, que deve sair dos terreiros e oitões, ouvindo quem realmente é detentora de todo o poder, o povo.

Afinal, só poderemos cuidar das pedras em nossas vidraças se fizermos o dever de casa bem feito.

Comentários