FALÊNCIA DOS CORREIOS É UMA HISTÓRIA MAL CONTADA

3 abr 2017

Jerdivan Nóbrega de Araújo

A mira do governo nos Correios, com notas em jornais e matérias no “Bom dia Brasil” e noutras mídias, tem uma outra explicação, que não seja apenas a crise de gestão.

A história tá muito mal contada.

O motivo do sucateamento não é esclarecido por que não é do interesse do governo que a população saiba as verdades. A população vai se alimentando apenas com as “meias verdades” que o governo aos poucos vai “expelindo pelas ventas. Infelizmente serão, no final, essas verdades incompletas que o povo vai assimilar e tirar as suas conclusões.

Existe sim uma orquestração para desacreditar a ECT e seus empregados. Não vamos negar que os Correios passam por dificuldades, assim como passa o BB e a CEF. Mas, nos três casos o sucateamento das estatais tem outra origem e outro propósito, senão apenas a má gestão. Nos caso dos correios, por exemplo, em 2016, o Governo Federal “sacou” dos cofres da empresa 6 bilhões de reais para ajudar no seu “superávit primário”, deixando a ECT completamente descapitalizada e consequentemente sem a condição de se recolocar no mercado.

Mas, a nossa empresa não é esse mostro que a mídia vem pintado, e tampouco a culpa não pode ser tatuada apenas na pele sofrida dos seus empregados. Tem culpa os dois governos do PT, que não teve um olhar diferencia para os Correios, e tem maior culpa ainda a política privatista do atual governo. E igual culpa tem o movimento sindical que viu os Correios apenas como uma “Galinha dos ovos de ouro: construímos uma categoria coberta de diretos e desprovida de qualquer dever com a população.

Imagine aonde vai uma empresa que tem um absenteísmo de 10%, ao dia ou seja: 10 mil empregados afastados por dia das suas operações? São os Correios.

Foram essas séries de erros que levou a empresa mergulhar em dívidas e perder a credibilidade da população. A figura do carteiro que representava a cara da empresa aonde ele fosse, pela sua confiança e credibilidade, agora representa a cara lavada e enxaguada da nossa incompetência.

A empresa de Correios sempre foi autossustentável, e sempre fez transferência bilionárias para os cofres do governo Federal. Então como explicar, mesmo em meio à crise, essa derrocada em direção ao buraco tão abruptamente?

A ECT nunca deixou de crescer, de prestar seus serviço e de cumprir com a sua vocação social, isso desde 1979.

Em matéria pulicada na “Exame.com” com de 01 de junho de 2015 foi relatado que a Empresa Brasileira de Correios Telégrafos apresentou um lucro líquido de R$ 9,9 milhões em 2014, segundo balanço publicado no Diário Oficial da União (DOU) 01/01/2015, e aprovado pelo Conselho de Administração da estatal no dia 21 de maio. Segundo a ata da reunião, também publicada no DOU, nos últimos cinco anos, os Correios apresentaram uma expansão de seus negócios com aumento de 32% na receita nominal de vendas e de 33% na receita total.

O crescimento nominal da receita total dos Correios, entre 2010 e 2014, foi de R$ 4,4 bilhões.

A receita de vendas cresceu 8,4%, passando de R$ 15,4 bilhões em 2013 para R$ 16,6 bilhões em 2014. A receita total teve expansão de 6,2%, passando de R$ 16,6 bilhões para R$ 17,7 bilhões no mesmo período de comparação.

Segundo a ata da reunião do conselho de administração, os segmentos de negócio encomendas/Sedex, mensagem e serviços financeiros foram os que mais impactaram o resultado.

“O crescimento da receita da empresa foi, basicamente, impulsionado pelo desempenho do segmento encomendas/Sedex, o qual representa 33,9% da receita de vendas e teve crescimento de 9,4%, alcançando um montante de R$ 5,6 bilhões.”

Já o segmento de mensagem, que representou 44,7% da receita de vendas, apresentou crescimento de 2,9%. A despesa total cresceu, de 2013 para 2014, 6,9%, passando de R$ 16,5 bilhões para R$ 17,7 bilhões. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (RPL) foi de 0,27% e o Valor Econômico Agregado (EVA) foi negativo em R$ 416 milhões em 2014. O documento publicado no DOU desta traz ainda as perspectivas dos Correios para 2015. A estimativa de investimentos para o anos de 2015 era de R$ 803,97 milhões, com foco na redução de custos, aumento da produtividade e melhoria da qualidade dos serviços prestados.

Para onde foi tudo isso em apenas um ano e meio?

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