Ideias defendidas pelo escritor Josué de Castro permanecem vivas 40 anos após a sua morte

23 set 2013

Amanhã, 24 de setembro, completam-se 40 anos da morte de Josué de Castro, médico, professor, geógrafo, cientista social, político e escritor. Mesmo passadas quatro décadas de seu falecimento, os ideais do ativista brasileiro que dedicou sua vida ao combate à fome continuam vivos, sendo disseminadas por todo o mundo.
“Milhões de pessoas padecem de fome no planeta, razão pela qual as ideias de Josué de Castro continuam atualíssimas. A fome se intensificou no planeta, invadindo inclusive áreas do mundo desenvolvido. Faltam alimentos na mesa da população. A palavra de ordem é ênfase ao agrobusiness em detrimento da agricultura familiar”, destaca o professor José Romero de Araújo, pesquisador da vida e obra de Josué de Castro.

Autor de uma extensa obra que inclui “Geografia da Fome”, escrita em 1946, e traduzida para 25 idiomas, com ideais apontando que a fome é um produto de estruturas defeituosas, fabricada pelo homem contra o próprio homem, e que somente com amor e solidariedade se pode superar os contrastes, Josué de Castro exerceu ao longo de sua vida importantes funções, como a presidência do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e embaixador brasileiro junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Considerado o grande apóstolo do século XX, Josué escreveu ao longo de sua vida 28 livros, sendo detentor ainda de títulos como “Cidadão do Mundo”, concedido pela França, onde foi exilado após ter que deixar o Brasil no período da ditadura militar, e do prêmio internacional da paz, conquistado na Finlândia.
“Diversos países, como o Brasil, quando do lançamento de ‘Geografia da Fome’, em 1946, e ‘Geopolítica da Fome’, em 1951, eram eminentemente agrários e rurais, com mais de 80% da população habitando o campo. Esses países localizados principalmente no terceiro mundo urbanizaram-se rapidamente pós-segunda grande guerra. Milhões de pessoas padecem de fome no planeta, razão pela qual as ideias de Josué de Castro continuam atualíssimas”, afirma José Romero Cardoso.
Professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), José Romero Cardoso começou a pesquisar a vida e obra de Josué de Castro quando leu uma edição portuguesa de “Geografia da Fome”. “Eu encontrei essa relíquia em um sebo em João Pessoa, capital paraibana. Era o final da primeira metade da década de 1980. Os resquícios da ditadura militar ainda estavam bastante ativos e Josué de Castro e suas ideias eram temas proibidos. Infelizmente Josué de Castro e as bases do seu pensamento ainda são desconhecidos da maioria dos brasileiros. O trabalho de exclusão efetivado pela ditadura militar primou pela impecabilidade das ações nefastas de ocultação do nome, das ideias e das lutas do nosso mais importante cientista”, pontua o docente.

Entusiasta das ideias de Josué de Castro, José Romero é idealizador do projeto de extensão “Discutindo a importância da atualidade do pensamento de Josué de Castro em escolas públicas municipais e estaduais de Mossoró”, executado desde 2008. “O projeto continua, mas está encontrando dificuldades para ser posto em prática em razão da ausência de incentivos institucionais e também em razão da ausência de esclarecimento por parte de muitos gestores escolares”, conclui.

FONTE: http://www.omossoroense.com.br/index.php/universo

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