Interrupção dos momentos felizes

3 fev 2017

tsunami

Interrupção dos momentos felizes

O acaso provém do nada, de uma anônima indiferença ou de uma sabedoria oculta? Percebe-se que há uma energia de permanente alteração, pairando sobre aquilo que sucede, ora sendo do nosso agrado, ora, do desagrado; ora fazendo-nos alegres, ora, tristes. Todavia, nossa reação sempre deseja sentir o que nos alegre. Mas assim não se tornaria enfadonha monotonia, não existindo diferença entre uma coisa e outra? Ao se raciocinar sobre esse desejo, vence a preferência de gozarmos sempre do que é bom. Daí é que falamos da vida, do seu fim, e, mesmo recusando-a, namoriscamos a morte, quando se pressente a grande interrupção.

Como aceitar a interrupção daquilo que é bom, para simplesmente diferenciá-lo do que não é bom? Conclui-se que, em vida, a continuidade ininterrupta dos bons momentos jamais acontecerá; contexto que dificulta conceituar o que seja a felicidade. Verifica-se, em vida e nos livros, a coexistência das circunstâncias da graça com as da desgraça, como houvesse um oculto poder das alterações. Os fatos, as coisas e as pessoas entram numa roda viva, movida por uma energia de conflitos, de contradições e também de contratempos.

Enfim, o agradável se alterna com o desagradável. Mesmo assim, encontra-se , por ascetismo, diante das agruras da vida, quem vivencie a felicidade… Há realidades que nos causam dores e transtornos, o que categorizamos existencialmente como “absurdos”; perturbações que ameaçam a fé num Deus de bondade, pondo-se a questão: Se Deus é bondade, por que permite o que não é bom? Essa desconfiança ousa formar um deus segundo o interesse de tratá-lo apenas como protetor, idealizando uma religião exclusivamente de segurança individual, reduzindo o divino apenas à proteção pessoal. Deus tudo permite para que o leitor tenha liberdade de errar. Sem essa liberdade, que valor teriam nossos acertos? Deus permite porque permite aos com fé e aos sem fé a pensarem e agirem como eles decidem. A todos é dada permissão, até a de recair no que se diz proibido…

Damião Ramos Cavalcanti
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