Mãe que se ausenta

13 maio 2017

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Mãe que se ausenta

As brasileiras “raparigas” não são conceituadas, nem tratadas como as raparigas portuguesas, do além mar, nossas lusitanas descobridoras; são termos iguais, mas que soam diferentemente. As primeiras foram retiradas de casa pelas prementes necessidades da vida e transformadas em “mulheres da vida”. No entanto, a natureza não lhes nega belos olhos, pretos, castanhos, verdes e azuis: Brilhantes das suas belezas; e doçura , bondade e honestidade consigo e com os outros, virtudes de Sônia, em Crime e Castigo , de Dostoievski.

Honradas mulheres, nunca atingidas pelos insultos que seus filhos arrumam nas brigas de rua, quando o rancor reflui de quem insulta ao filho e não contra sua genitora. Elas permanecem incólumes, ilesas, inatingíveis e respeitadas porque são mãe. A maternidade é como se fosse um imenso sertão, fazendo nessas mulheres a acepção euclidiana: A mãe é, antes de tudo, uma forte, mais forte do que a mulher, do que o homem; força de bondade e graciosidade, seja nas circunstâncias de repreensão, seja nas de afago, porque são mãe.

Mulheres verdadeiras, inteligentes, às vezes, incultas enquanto se escondem apenas na sabedoria popular; outras, charmosas, cultas enquanto exibem o que sabem; balançam os brincos quando falam; mostram os anéis quando gesticulam; cruzam as pernas e salientam os sapatos. Mas todas demonstram naturalidade e simplicidade quando são mãe; disso ganham imensurável universalidade: São mulheres que possuem , são mulheres que pertencem; simples como as árvores, cultivadoras dos seus frutos. Só há um lugar onde não se precisa de amor, é onde houver a mãe… Esse sentimento leva o adulto ou a adulta à infância, ao reencontro com a mãe que se ausenta para seus filhos crescerem.

Damião Ramos Cavalcanti
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