Mas o ódio cega…

13 abr 2013

O senador Cícero Lucena ajuda decisivamente ao senador Cássio Cunha Lima se posicionar na composição da chapa majoritária de Ricardo Coutinho nas eleições de 2014 ao dizer, em tom imperativo, que o tucano será candidato ao governo do Estado, recheando a defesa com ataques ao governo do Estado. Vai afiando a própria guilhotina.

Faz com que Cássio tenha ainda mais legitimidade pra fazer as indicações que considerar satisfatórias, tanto em número quanto em gênero, na chapa do PSB e, ao mesmo tempo, cria um muro com cerca elétrica pra sua própria candidatura à reeleição. Ora, comete o mesmo erro de quatro anos atrás.

Porque se Cássio é o maior líder do PSDB da Paraíba, como o próprio Cícero reconhece ao defendê-lo como candidato ao governo assacando a aliança com o PSB, não precisa ser especialista em política pra dizer que será ele, Cássio, que dará a última palavra sobre a posição do partido em 2014. E, caso Cícero continue rebelde, Cássio não poderá ajudá-lo.

Pra Ricardo, Cássio vai dizer: “Olha, como você pode ver nas declarações de Cícero, meu partido quer disputar a majoritária. Com compensaremos isso?”. Com a vice e vaga de senador, claro. E Cícero sobrará na curva, mais uma vez, porque insiste em pautar sua conduta política pelo ódio que alimenta ao governador desde a década passada.

Cássio será “obrigado” a indicar outros nomes do PSDB para compor a chapa de Ricardo. E Cícero ficará, mais uma eleição, como garoto rebelde. Com uma diferença, com dificuldades de garantir sua própria reeleição.

Muito mais inteligente para Cícero seria dizer que “o PSDB possui a maior liderança política da Paraíba e tem condições de disputar o governo, mas Cássio vai decidir”. Algo como Ruy Carneiro, presidente do partido, já anda fazendo. Porque caso Cássio rompesse ele estaria bem. Caso não, teria clima para dialogar.

Mas não podemos esquecer que Cícero tem ódio a Ricardo. E o ódio atrapalha o raciocínio.

Luís Tôrres

Comentários