Nos caminhos de Quixeramobim ao lado de Ariano suassuna

15 mar 2013

NOS CAMINHOS DE QUIXERAMOBIM AO LADO DE ARIANO SUASSUNA – A TERRA, O HOMEM E A LUTA

No sopro do Aracati o vento foi quem trouxe o homem.

E a terra o acolheu.

De ventre aberto recebeu o visitante que nunca tinha posto os pés por essas bandas.

Misteriosamente o forasteiro conhecia melhor os caminhos e a veredas de Quixeramobim dos os que foram amamentados no seio generoso dessa terra.

Não se pode negar que a inquietação era geral na espera de sua chegada, isso por que o homem não viria sozinho, com ele também viriam às perguntas: De onde viemos? Para onde vamos? Como estamos?

Trazia mais perguntas que respostas.

Todo de branco finalmente chegou como se viesse em missão de paz. Ariano o famoso, o Suassuna.

O alvoroço de quem o via, ia a contraste da calmaria que ele emanava no seu jeito de caminhar que lembrava um velho sertanejo com porte, firmeza, rudeza e ternura.

Ele era só silêncio capturando as coisas no olhar, o povo já o aplaudia sem que pronunciasse uma única palavra. Exibiu um sorriso no rosto como retribuição.

Primeiro visitou a casa de um velho amigo, seu Conselheiro e de outros tantos sertanejos. Antônio era o nome do anfitrião, também famoso sertão afora como aquele que o visitava.

O Sertão os abriga; o Sertão os é.

Antônio Suassuna. Ariano Conselheiro.

O (Nor)destino é feito de despedidas, chegadas e despedidas, mal se chega já é preciso partir para travar lutas no fim do mundo, e o visitante se despediu levando na memória o grito do outro por um mundo mais justo.

Era preciso seguir caminho, caminhar sobre a ponte na espera do trem que n(o)s transportaria no tempo. O viver é travessia. Parecia coisa de antigamente. Ariano Suassuna é de antigamente. Tudo respira antigo perto dele, porque ele enxerga no futuro.

O trem não veio.

O homem foi de encontro ao rio e ficou sobre a ponte.

Contemplar a vastidão do rio é reconhecer de imediato a pequenez dos homens. O rio é dentro da gente, de quem passa sobre a ponte todo dia, ele sabia que não ia mais passar sobre aquela ponte e queria se perder por entre quem passava. Queria ser passageiro.

Passageiro, seguiu em frente.

Historicamente invariavelmente todos os caminhos de Quixeramobim levam a Matriz de Santo Antônio.

E Ariano Suassuna chegou por lá, para nos contar histórias e (re)viver memórias de coisas passadas, que nunca passarão.

Como bom visitante, deu o recado de sua luta agradeceu e se foi.

Na cidade ficou a lembrança.

Ariano Suassuna veio aqui para a gente lembrar, não dele, não só dele. Veio aqui para nós lembrar que assim como ele e Antonio Conselheiro é preciso Lutar.

Lutar pela nossa História, pela nossa Memória, por aquilo que faz de nós o que realmente somos.

O Sertão em Prosa

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