O Ranço Medieval das Oligarquias

19 mar 2013

O RANÇO MEDIEVAL DAS OLIGARQUIAS

Geraldo Bernardo

Ah! As figuras do poder!

Sempre há um desenho, uma mística, ao redor dos cargos de “poder”. Numa cidade interiorana, tal Sousa, como a cosmopolita Recife, o poder exercido, confunde-se, por vezes, com os próprios costumes de uma determinada família, se é que me compreendem.

Isto não é nenhuma novidade. É bem verdade que este “costume”, faz parte de uma educação política muito atrasada. A personificação do poder não condiz com o sentimento republicano.  A nossa Constituição preconiza que o poder emana do povo, orienta que um princípio que rege a administração pública é a impessoalidade. Mas, temos acompanhado exatamente o contrário, infelizmente, é o que ocorre na cidade de Sousa, atualmente.

É como se voltássemos no tempo, à época dos Bórgias, na Europa Renascentista, há mais de quinhentos anos na lonjura dos séculos.  Quando as oligarquias européias davam seus últimos suspiros, nos estertores da morte política que varreria toda Europa e contaminariam o mundo, cortando cabeças e guerreando-se contra a tirania do absolutismo.

Os Bórgias eram muito poderosos, elegeram dois papas, fizeram e aconteceram. O diabo! Intrigas, futricas, inspiraram Maquiavel a escrever O Príncipe. Pois é, aquela história de que os fins justificam os meios, é com eles. Para justificar a impunidade, o nepotismo etc e etc. tem muita gente sendo igual eles.

Mas, vivemos outra época afinal, a informação é nossa principal aliada em varrer o ranço ideológico das oligarquias. As mídias sociais, a ação de novos agentes políticos, ressaltando aqui a importância do Ministério Público, enfim, uma nova geração chega e com ela a globalização já vem intrínseca, como uma proteção natural contra a demagogia carcomida das elites.

No entanto, é preciso ficar vigilantes. Combater sempre atitudes mesquinhas, de politicalha infame. Corre, nos cochichos e corredores, irrigadores de fofocas, combustível deste tipo de pensamento, que certas pessoas têm como argumento de contratação ou demissão de prestadores, a apresentação de foto em passeatas e comícios.

Triste de quem tiver vestido uma camisa amarela num dia qualquer e saído pra papear com os amigos. Se um “amigo” deste qualquer, por ciúme, vingança ou despeito – que é próprio do “amigo qualquer” –, quiser detonar teu cargo? Já pensou? Basta mostrar aquela tua foto, todo pousado na tua moto e coisa tal, cercado de garotas (com os mesmo óculos rayban de toda vida), tu fazendo o “V” de vitória (porque não lembrou outro sinal?), dizer que aquela foto foi no comício tal.

Pronto! Lascou-se! Se postar no facebook, pior ainda! Pode devolver o que comprou a prestação, Não tem nada mais venenoso que foto com camisa amarela. E por falar em veneno, olha os Bórgias aí de novo.

O envenenamento tornou-se característica de família, usado especialmente por Lucrécia, a irmã, filha, mãe, figura controversa e sapiente. Ainda bem que o veneno de agora é diferente, é o fuxico. Até a vítima provar o contrário, o estrago está feito.

Enquanto entopem a mídia com estes artifícios e outras demagogias, sintomas desta política deteriorada pelo tempo, não se explica a falta de respostas as inúmeras demandas apresentadas pela população. Que saber de uma apenas? Como andam os Programas Sociais do município?

Espero que este tempo turvo passe logo. Não podemos ficar presos ao passado. Precisamos da celeridade empreendedora das idéias, principalmente da juventude. Outros cenários são possíveis, novos atores, novos modos, novos estilos.

Comentários