PAULO, ADEUS!

11 mar 2013

Paulo, adeus!


Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 11/03/2013

Sempre fui muito ligado a Paulo Gadelha, na cidade de Sousa (PB), desde os tempos de estudante. Era funcionário do seu pai José de Paiva Gadelha, sempre convocado por Paulo para fazer trabalhos de advocacia na velha máquina de escrever. Em 1966 trabalhei como garçom na festa dele, realizada na própria residência dos seus pais, e para mim foi um orgulho conhecer tanta gente importante naquela festa. Naquele dia Zé Gadelha comemorou várias vitórias: a eleição dele para deputado federal, a formatura de dois filhos, Paulo advogado, e Marcondes médico, e ainda as eleições de Chico Marcelino para prefeito de Santa Cruz e Osório Luiz Ferreira, prefeito de Nazarezinho.

Depois, Paulo de Tarso Benevides Gadelha resolveu ser deputado estadual, sendo eleito em 1974 e 1978. Ele ganhou as duas eleições, e esse fato era lembrado por mim constantemente de que ele foi um Gadelha invicto nas urnas.

Começou a carreira política no velho MDB, e teve a honra também de saudar grandes figuras da política nacional em comícios na cidade de Sousa, tais como: Miguel Arraes, Ulisses Guimarães e Marco Maciel.

Era um advogado dos mais brilhantes da Paraíba. No Tribunal do Júri levava multidões para ouvi-lo. Era conhecido como um orador dos melhores do Estado. Relembro, na década de 1960, num comício realizado na zona rural do município de Santa Cruz, em prol da candidatura de Chico Marcelino para prefeito, ele iniciou o seu discurso com essa frase, levando o povo ao delírio: “Dêem-me uma pá e uma picareta! (levantou a voz) Dêem-me uma pá e uma picareta! Quero rasgar o bucho da terra e plantar marcela na terra de Santa Cruz!” O candidato Chico Marcelino era conhecido como “Marcela” na campanha.

Foi o coordenador geral de todas as campanhas eleitorais do pai José Gadelha e dos irmãos Marcondes, Doca, Buega e Salomão.

Tinha a maior admiração e respeito pelo tio André Avelino de Paiva Gadelha (Zabilo), e ajudou muito nas duas campanhas que Zabilo disputou e foi vitorioso, em 1959 para prefeito e 1960 para vice-governador, na chapa de Pedro Moreno Gondim.

Faleceu o Desembargador Federal Paulo Gadelha, aos setenta anos, na noite de ontem, 10, no Hospital Santa Joana, no bairro da Boa Vista, no Recife, em decorrência de um câncer no pulmão.

Foi um sousense que honrou a sua terra pelo Brasil afora. Foi vice-presidente do Instituto de Magistrados de Pernambuco, vice-presidente da Associação Regional de Juízes Federais, Diretor de Assuntos Jurídicos da AJUF.

Ingressou no TRF-5 em 2001, através do Quinto Constitucional da Ordem dos Advogados do Brasil. Publicou dez livros, tornando-se membro da União Brasileira de Escritores, da Associação de Imprensa de Pernambuco e da Academia Paraibana de Letras.

Por volta das vinte e uma horas de ontem, o telefone toca, já estava dormindo, ouvi uma voz triste na linha, dizendo o seguinte: “Chico, tenho uma notícia muito ruim para lhe dar”. Era Antonio Estrela que me disse: “Paulo Gadelha morreu agora”. Na verdade foi uma noite aflitiva para mim, porque os filhos de Zé Gadelha todos fizeram parte de minha história. Paulo, no entanto, foi o mais ligado, pois trabalhei com ele muitos anos, na advocacia, nas festas políticas e na coordenação das campanhas eleitorais na região da Grande Sousa.

Só tenho que dizer a ele com muita convicção: Paulo vá para o lugar que o Divino Mestre lhe reservou, com a consciência tranquila de que você cumpriu o dever de homem, de cidadão, de político e de juiz aqui na terra. Receba os meus agradecimentos por todo o apoio que me ofereceu enquanto exercemos tantas boas funções para o bem de Sousa, conjuntamente. Um dia nos encontraremos, pois assim está escrito, para relembrar os fatos de alegria, os pitorescos, enfim, o que fizemos de bem para o nosso povo.

Adeus!

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